Ásia/OceaniaEliminatórias da Copa

Dança dos técnicos

O qualificatório asiático para a Copa de 2014 está na reta final, faltando três e/ou quatro jogos para cada seleção. Com os dois grupos embolados, todas as equipes têm chances matemáticas de carimbar o passaporte para o Mundial do Brasil, mas duas delas convivem com grandes desafios: Iraque e Catar mudaram de treinador logo no momento mais importante da competição e podem encontrar dificuldades.

No Catar, que ocupa a quarta e penúltima posição do Grupo A, com sete pontos, apenas um atrás do líder Uzbequistão e levando desvantagem para Coreia do Sul e Irã no saldo de gols – o Líbano ocupa a lanterna, com quatro pontos –, o técnico brasileiro Paulo Autuori optou por não renovar o vínculo com a federação nacional, após um ano à frente da seleção.

O retrospecto do brasileiro, que pretende voltar ao Brasil por razões familiares, é regular. Em 16 jogos, o Catar venceu quatro, empatou cinco e perdeu sete partidas, com 14 gols anotados, mas 21 sofridos. A decisão de sair foi do brasileiro, mas é evidente que a eliminação na fase de grupos da Copa do Golfo, atrás de Emirados Árabes Unidos e Bahrein, influenciou bastante.

Mas o problema do Catar não para por aí. O substituto de Autuori, o catariano Fahad Thani, de 39 anos, não tem experiência para ocupar tal posto. Ao se analisar a carreira do ex-lateral direito do Al Ahli Doha (Catar), percebe-se que Thani comandou equipes de base do Catar, como o sub-14 e sub-17. Ele era auxiliar-técnico de Paulo Autuori e começou com uma vitória de 1 a 0 sobre o Líbano, em amistoso.

Mas não há tempo para testes, pois os próximos meses serão decisivos. A equipe venceu a Malásia nesta quarta, pelas eliminatórias para a Copa da Ásia 2015, competição na qual também mede forças com o Bahrein, em 22 de março – o Iêmen completa o Grupo D. Quatro dias depois, embate diante da Coreia do Sul, fora de casa, pelas eliminatórias 2014.

Aposta

No Iraque, terceiro colocado no Grupo B do qualificatório para o Mundial 2014, com cinco pontos, empatado com Austrália e Omã – o Japão tem 13 pontos, enquanto a Jordânia figura na lanterna, com quatro –, a esperança é um pouco maior. Zico comandava a equipe desde agosto de 2011, mas encerrou o vínculo, com ajustificativa de que o pedido de demissão se deu pelo não cumprimento dos termos do contrato – o ídolo flamenguista ficou sem receber durante cinco meses.

Nos 24 jogos à frente do Iraque, Zico venceu dez, empatou seis e perdeu oito, com 26 gols marcados e 25 contra. Os destaques foram a goleada de 7 a 1 sobre Cingapura, na segunda fase das eliminatórias 2014, e a derrota de 6 a 0 para o Brasil, em amistoso.

Seu sucessor é o iraquiano Hakeem Shakir, de 50 anos, que tem experiência no comando de equipes locais, como Arbil e Al Shorta. Porém, Shakir terá de se desdobrar nos próximos meses, pois tem a incumbência de trabalhar, além da seleção principal, com as equipes sub-20 e sub-23.

Por enquanto, até que o novo treinador vem se dando bem, tendo conquistado os vice-campeonatos da Copa do Golfo (derrota de 2 a 1 para os Emirados Árabes Unidos) e Campeonato do Oeste Asiático (revés de 1 a 0 diante da Síria). Ao todo, são 12 jogos, com sete vitórias, três empates e apenas duas derrotas, além de 15 gols marcados e sete sofridos.

Os próximos compromissos da seleção iraquiana são válidos pelo Grupo C do qualificatório da Copa da Ásia 2015, que ainda tem China, Arábia Saudita e Indonésia. Pelo menos Hakeem Shakir terá mais tempo que seu colega do Catar nas eliminatórias 2014: o Iraque só volta a jogar pelo torneio em 4 de junho de 2013, contra Omã, fora de casa.

Numa situação normal, Catar, que nunca disputou a Copa do Mundo, e Iraque, que participou da edição de 1986, no México – sob o comando de Evaristo de Macedo, a equipe perdeu os três jogos, diante de Paraguai (1 a 0), Bélgica (2 a 1) e México (1 a 0) – não devem estar presentes no próximo Mundial. A não ser que aproveitem os pontos positivos dos trabalhos de Paulo Autuori e Zico.

Curtas

– Coincidência ou não, o novo técnico do Catar, Fahad Thani, não chamou os dois brasileiros naturalizados para a partida contra a Malásia, disputada em 6 de fevereiro. Marcone, criado no Vitória, de 34 anos, zagueiro do El Jaish (Catar), e Fábio Montezine, meia criado no São Paulo, de 33, mas que defende o Al Rayyan (Catar), foram preteridos.

– Um dos bons jogadores da seleção iraquiana, o meia Nashat Akram, 28 anos, decidiu se aposentar da seleção e não foi convocado. Ele já defendeu o Twente (Holanda), em 2009-10, e tem vasta experiência em se tratando de Iraque, com 114 convocações e 18 gols.

– Hakeem Shakir, em face de sua experiência nas seleções de base, vem convocando atletas jovens. A média da equipe é de 21,7 anos, em que o mais velho é o atacante Younis Mahmoud, de 29, a estrela do time. O mais novo tem apenas 16 anos, o meia Human Tariq. Pouca experiência para enfrentar jogos complicados.

– A atual temporada do Campeonato Catariano tem a liderança do Al Sadd, com 37 pontos em 14 rodadas, seis de vantagem para o Lekhwiya. Al Rayyan, com 26, e El Jaish, um ponto atrás, completam as principais posições.

– Já no Iraque, o Al Shorta ocupa o topo da tabela, com 25 pontos em 11 rodadas. O Duhok vem três pontos atrás, mas já jogou 12 vezes. O Arbil é a decepção, com apenas 13 pontos, em 12º lugar.

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