Cidades marcadas por tragédias brigam por vaga no Mundial
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Duas cidades que, em diferentes momentos, foram atingidas por tragédias. Duas cidades que não têm um passado de grandes glórias esportivas. Duas cidades que disputam cabeça a cabeça o direito de representar o Japão – e eventualmente enfrentar o Corinthians – no Mundial de Clubes. É assim que Hiroshima e Sendai chegam na reta final da J-League.
Faltando quatro rodadas para o final do campeonato, Sanfrecce Hiroshima e Vegalta Sendai estão empatados na liderança, com 55 pontos. A diferença é apenas no saldo de gols, e nem é tão grande assim: 24 a 21 para o Sanfrecce. O terceiro colocado é o Urawa Reds, que está seis pontos (e tem apenas 5 gols de saldo) atrás da dupla e já parece fora da briga.
Quem levar a melhor levará para a sua cidade o primeiro título nacional desde que o futebol se profissionalizou e ainda será o representante do país-sede no Mundial, entrando no caminho do atual campeão da Libertadores na semifinal. Nada mal para regiões que muitas vezes são lembradas pelo sofrimento – Hiroshima foi alvo da primeira bomba atômica norte-americana na Segunda Guerra, enquanto que Sendai foi a maior cidade na região mais afetada pelo tsunami de 2011 – do que por glórias esportivas.
São duas equipes bastante diferentes. O Sanfrecce tem um elenco com alguns jogadores de mais destaque. No entanto, oscila muito. Do outro lado, o Vegalta conta com um elenco sem estrelas, mas abraçou o papel de recuperar o orgulho de Sendai após o tsunami de março de 2011. Com um grupo muito entrosado e um futebol aguerrido, apresenta uma constância impressionante e tem crescido nas últimas rodadas.
Conheça os dois times, e veja o que eles poderiam fazer no Mundial:
SANFRECCE HIROSHIMA
* Cidade em que o campeão japonês enfrentaria o Corinthians na semifinal
A equipe joga em um sistema tático não muito comum no Brasil e na Europa, mas que tem seus adeptos no Japão: o 3-4-2-1. O jogo depende muito da linha de 4 meio-campistas que ficam mais atrás. Eles precisam ajudar a cobrir os espaços que surgem inevitavelmente com uma defesa de três zagueiros, mas também são obrigados a chegarem na frente para não deixar o setor ofensivo muito isolado.
O desempenho da equipe acaba flutuando muito em função disso. Quando essa movimentação aparece com naturalidade, o time se impõe diante dos adversários com alguma facilidade. Aí, a bola chega com facilidade para o atacante Sato, que serve de referência para quase todas as jogadas do time. Não à toa, ele marcou 20 dos 55 gols da equipe no Campeonato Japonês.
O problema aparece quando o adversário se retrai. O Sanfrecce precisa de espaço para impor seu jogo. Diante de defesas muito fechadas, os três jogadores ofensivos ficam perdidos no meio dos marcadores e o jogo não flui. Não à toa, o time Hiroshima tem mais pontos como visitante (29) do que como mandante (26).
Na defesa, a equipe é bem resolvida. Apesar de alguma vulnerabilidade nas jogadas pelo lado, sobretudo pelo fato de não ter laterais de ofício, o Sanfrecce tem um líder no miolo de zaga (Chiba) e Nishikawa é o melhor goleiro em atividade no futebol japonês.
VEGALTA SENDAI
* Cidade em que o campeão japonês enfrentaria o Corinthians na semifinal
No papel, é um time que joga em um 4-4-2 bem tradicional. O meio-campo ficam em linha quando o time não tem a bola, mas os homens mais abertos avançam para a armação quando a equipe precisa atacar.
A defesa não é uma maravilha. Hayashi, Uemoto e Kamata cometem suas falhas. No meio-campo, Tomita e Kakuda são volantes que marcam duro e permitem que Ryang e Ota subam ao ataque. Na frente, Wilson (ex-Corinthians e Sport) fica um pouco mais fixo, mas não chega a ser um centroavante. O brasileiro troca muito de posição com Akamine.
O que mais se destaca no Vegalta é a inteligência do time, que se adapta rapidamente às necessidades do jogo e varia seu ritmo com constância. A equipe sabe o momento de cadenciar a partida ou de dar a bola ao adversário para buscar a velocidade nos contra-ataques.
O cérebro da equipe é Ryang Yong-Gi. O norte-coreano (nascido em Osaka) puxa contra-ataques, faz bons lançamentos e leva muito perigo em bolas paradas, tanto em cobranças diretas quanto em cruzamentos. A questão em cima dele é física: ele tem se contundido muito e tem perdido muitos jogos ao longo da temporada. Entre os elementos-surpresa, Kakuda pode aparecer de trás para chutes de longa distância e Ota aparecer constantemente como terceiro atacante para pegar a defesa adversária desprotegida.