Ásia/Oceania

Auckland City leva LC da Oceania de novo, mas o desafio está cada vez maior

A vitória do Auckland City sobre o compatriota Team Wellington foi sofrida, saiu apenas nas penalidades máximas (4 a 3), após empate de 1 a 1 no tempo normal. Apesar de as duas equipes da Nova Zelândia terem alcançado a disputa do título e a taça da Liga dos Campeões da Oceania ter ficado com o Auckland City pela sétima vez na história (quinto troféu seguido), a melhor equipe do continente encontrou mais dificuldades para terminar no topo.

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Analisando os placares das partidas desde a primeira conquista do Auckland City nesta série pentacampeã, a equipe neozelandesa parou de golear os adversários do Pacífico. Em 2010/11, por exemplo, o Auckland City fez 5 a 0 no Tefana (Tahiti) na primeira fase e 4 a 0 no Amicale (Vanuatu) na final da competição, disputada em duas partidas.

Na temporada seguinte (2011/12), houve goleadas sobre o Koloale (Ilhas Salomão) por 4 a 1 e 7 a 3, mas a sofrida derrota para o Amicale (1 a 0) encerrou 27 partidas de invencibilidade do Auckland City na Liga dos Campeões da Oceania. Os 12 a 2 do time neozelandês sobre o Mont Dore (Nova Caledônia) na edição 2012/13 também chamam a atenção, assim como os 6 a 1 diante do Ba (Fiji), no mesmo torneio.

Os resultados começaram a mudar em 2013/14, não pela queda de produção do Auckland City, que foi muito bem no Mundial de Clubes da Fifa 2014, mas em razão da evolução dos adversários. O melhor placar do time da Nova Zelândia foi 3 a 0, em três oportunidades, com dificuldades para vencer o Amicale na decisão. Após empate de 1 a 1, na casa do adversário, o Auckland City teve de virar o jogo no segundo tempo da partida de volta, com gol do título aos 42 minutos do segundo tempo.

Na Liga dos Campeões da Oceania 2014/15, a campanha do Auckland City foi invicta e quase 100%, com tranquilidade na fase de grupos. Mas de novo o maior resultado foi 3 a 0, nos três jogos da primeira fase. As goleadas diminuíram de tamanho, são mais escassas, e a justificativa quem dá é o próprio técnico do Auckland City, o jovem espanhol Ramon Trbulietx, 42 anos:

“A grande mudança é na estrutura das equipes dentro de campo. Os jogadores e técnicos agora entendem que precisam jogar mais coletivamente. Atuando defensivamente e com a bola nos pés, eles tornam o jogo mais complicado para o adversário. As equipes agora têm posse de bola, habilidade individual dos atletas e isso faz com que a diferença de qualidade de jogo entre nós diminua”.

Ainda há uma boa distância do Auckland City para as equipes do Pacífico, evidentemente, e talvez o time da Nova Zelândia frequente o Mundial de Clubes da Fifa por mais alguns anos. Mas os adversários estão evoluindo e o Amicale é quem parece dar o maior passo na direção de diminuir a diferença de qualidade a favor do Auckland City.

Investimento nos estrangeiros

Nos últimos anos, o Amicale vem investindo forte para se tornar o primeiro time de Vanuatu a comemorar a Liga dos Campeões da Oceania, com resultados positivos. Desde 2010/11 (cinco edições), a equipe tem dois vice-campeonatos, mesmo desempenho do Waitakere United (Nova Zelândia), que perdeu espaço inclusive em nível nacional e sequer se garantiu em 2014/15. Na Liga dos Campeões da Oceania 2014/15, o Amicale foi a grande decepção ao sucumbir ainda na fase de grupos, com a pior campanha entre os segundos colocados pelo saldo de gols, com duas vitórias e uma derrota (3 a 0 para o Auckland City).

Porém, não se pode condenar o bom trabalho que vem sendo feito pelo maior time de Vanuatu. Para se ter uma ideia, o Amicale contratou oito jogadores que atuavam na Europa, principalmente no futebol italiano, além do técnico italiano Marco Banchini, que chegou a trabalhar no sub-19 do Milan, mas fez carreira em times pequenos da Itália, como Vigevano, Verbanio, Novara (o mais conhecido, jogou a elite de 2011/12), além do Teuta Durres, da primeira divisão da Albânia.

Marco Banchini estava no Chernomorets Odessa (Ucrânia), mas preferiu não dar continuidade no time da primeira divisão nacional após a eclosão da guerra civil no país. E o desconhecido técnico italiano trouxe vários jogadores igualmente sem renome internacional, mas com condições de aumentar a qualidade do Amicale na Liga dos Campeões da Oceania.

A maioria dos jogadores atuou em times pequenos da Itália, mas há alguns destaques, como o jovem atacante Francesco Perrone, 20 anos, ex-Reggina, e o meia suíço Rijat Shala, de nacionalidade kosovar, que tem 31 anos e já defendeu Grasshoppers (Suiça), Novara (Itália), quando esteve na segunda divisão italiana, e times albaneses. Há ainda o goleiro Mauro Boerchio, 25, que jogou no Bari, e o meia suíço Carlo Polli, 26, que defendeu Genoa, times da segunda divisão de seu país e equipes de Malta.

O que precisa melhorar

Ter reunidos tantos jogadores com experiência no futebol europeu é um grande feito da diretoria do Amicale, mas somente trazê-los não resultará no fim da hegemonia do Auckland City. A própria federação de Vanuatu e o clube precisam investir mais em alguns fatores importantes.

Calendário. Justo ou não, o Amicale precisará do entendimento da entidade local no que tange aos jogos do torneio nacional. Antes da estreia na Liga dos Campeões da Oceania, em 11 de abril, o Amicale esteve em campo pela liga de Vanuatu no dia 1º e no dia 3 daquele mês, muito perto do debute internacional.

Preparação. Melhor seria se o Amicale pudesse passar pelo menos três semanas no local de disputa da Liga dos Campeões da Oceania (em 2014/15 o torneio ocorreu em duas cidades de Fiji), se acostumando ao local e dando entrosamento ao time, já que o torneio continental é curto (de 11 a 26 de abril). Para se ter uma ideia, a delegação do Amicale desembarcou em Fiji em 8 de abril e treinou no mesmo dia, 48 horas antes da estreia.

Amistosos. Apesar de o técnico Marco Banchini estar em Vanuatu desde o fim de janeiro de 2015, não se pode comparar o nível entre as partidas na liga de Vanuatu e na Liga dos Campeões da Oceania. Portanto, o tempo de preparação para a competição internacional deve incluir amistosos com equipes menores da Nova Zelândia ou times dos locais da disputa. Pelo menos o técnico italiano é formado em fisioterapia, podendo contribuir com os treinamentos específicos para cada atleta.

Dinheiro. Evidentemente, investimentos deste nível requerem dinheiro e é complicado conseguir o montante necessário num país de futebol amador. Mas é fato que o Amicale pode continuar crescendo rumo ao dia em que superará o Auckland City ou outro time da Nova Zelândia e levantar a tão sonhada Liga dos Campeões da Oceania. Pena que ainda deve demorar alguns anos.

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