As surpresas e as decepções da Liga dos Campeões da Ásia
A fase de grupos da maior competição do continente se encerrou no último dia 1º de maio, com algumas surpresas importantes. Antes de enumerar as zebras, é importante ressaltar a campanha dos times sauditas, país que tem o maior número de integrantes nas oitavas de final (três), ao lado do Catar.
Apenas o Al Ittifaq não conseguiu avançar, no Grupo B, ao ficar na terceira posição, com sete pontos, dois a menos que o Al Shabab Al Arabi (Emirados Árabes Unidos), o segundo colocado. Os outros (Al Ahli, Al Shabab e Al Hilal) não tiveram dificuldades em assegurar presença no mata-mata, os dois primeiros inclusive assumindo a liderança de suas chaves.
O retrospecto dos times da Arábia Saudita vem se mantendo o mesmo – com poucas mudanças – desde 2009, primeira edição do torneio que contou com 32 participantes e oitavas de final. No supracitado ano, Al Hilal, Al Shabab, Al Ittifaq e Al Ittihad passaram de fase, mas apenas o último alcançou as quartas de final – disputou o título, perdendo para o Pohang Steelers (Coreia do Sul).
Na temporada seguinte, apenas Al Hilal e Al Shabab apareceram entre os 16 melhores da LC da Ásia, atingindo a fase de semifinais. Em 2012, Al Ahli, Al Ittihad e Al Hilal conseguiram a classificação para o mata-mata (o Al Ittifaq caiu ainda na fase preliminar), com os dois primeiros fazendo uma das semifinais, o que garantiu um representante saudita (Al Ahli) na decisão do caneco, vencida pelo Ulsan Hyundai (Coreia do Sul).
Com dois vice-campeonatos desde 2009 e sem levar o torneio desde 2005, quando o Al Ittihad derrotou o Al Ain (Emirados Árabes Unidos), os árabes têm um desafio a mais para cumprir nas oitavas de final. Entretanto, os adversários do trio saudita serão times do Catar…
Páreo duro
O Catar, retratado nesta coluna há cerca de duas semanas, vem mostrando o crescimento de sua liga nacional. Sob o atual regulamento, é a primeira vez que o país do Oriente Médio contará com três integrantes na fase de mata-mata do principal torneio do continente. Antes, os catarianos conseguiam no máximo colocar um time entre os 16 melhores, com relativo sucesso.
Em 2009, o Umm Salal encontrou pela frente do Al Hilal, despachando o adversário nas penalidades máximas. Nas quartas de final, a equipe surpreendeu novamente, superando o FC Seoul, por 4 a 3. A aventura só acabou nas semifinais, em derrota de 4 a 1 para o Pohang Steelers, futuro campeão.
Pasme-se, caro trivelista: a campanha acima foi a segunda melhor de um time do Catar na LC da Ásia. Simplesmente porque o Al Sadd atropelou os adversários em 2011, não perdendo um jogo sequer, desde a primeira fase. Comandada pelo marfinense Kader Keita (ex-Galatasaray) e pelo argelino Nadir Belhadj, a equipe derrotou Al Shabab (oitavas), Sepahan (quartas), Suwon Bluewings (semis) e Jeonbuk Motors (final), conquistando seu segundo título na história – o primeiro foi em 1988-89.
Surpresas
Os tailandeses estão longe de ser uma das grandes forças da Ásia, seja em nível de clubes ou na seleção. Mas o país do leste asiático já pode comemorar o feito alcançado pelo Buriram United. A equipe fez parte do Grupo E, ao lado de FC Seoul, Jiangsu Sainty (China) e Vegalta Sendai (Japão). Esperava-se que os sul coreanos terminassem na liderança, mas a segunda vaga estava em aberto. E não é que o Buriram somou sete pontos (vantagem no saldo de gols sobre os chineses) e se tornou o primeiro time da Tailândia a integrar o grupo seleto dos 16?
Surpreendente, já que o país havia debutado na fase de grupos do torneio em 2012, quando o mesmo Buriram terminou na lanterna da chave H, bem atrás dos adversários. Desde 2009, o usual era o representante tailandês sequer passar da fase preliminar, quase sempre eliminado por equipes indonésias.
E quem sabe o Buriram não pode sonhar ainda mais alto? O adversário das oitavas de final será o Bunyodkor (Uzbequistão), único que salva o futebol local, apesar de ter perdido as grandes estrelas brasileiras, como esta coluna já mostrou.
Outro país que comemora evolução na LC da Ásia é a China. Desde 2009, quando não teve nenhum representante no mata-mata, os chineses sempre colocam um time na etapa. Em 2013, os quatro clubes do país foram muito bem e por pouco não surpreenderam. Mas os dois que estão vivos na disputa pelo título são o endinheirado Guangzhou Evergrande, que alcançou as quartas de final em 2012, e o Beijing Guoan, que já jogou o mata-mata, em 2010, caindo nas oitavas.
Perderam força
Grandes expoentes asiáticos, a temporada internacional em nível de clubes não anda muito bem para iranianos, sul coreanos e japoneses. A Coreia do Sul conta com dois times (Seoul e Jeonbuk), ao passo que Japão (Kashiwa Reysol) e Irã (Esteghlal) só levaram um, cada. Bem diferente das edições anteriores.
Em 2012, foram três do Japão, três do Irã e dois sul coreanos, com título do Ulsan Hyundai. Em 2011, o Jeonbuk perdeu o troféu para o já citado Al Sadd, mas teve três times nas oitavas de final, contra quatro japoneses e dois iranianos. Somente o Irã repete em 2013 o péssimo resultado de 2009, quando o Persepolis, único do país na oportunidade, caiu ainda no primeiro mata-mata, frente ao Bunyodkor, em casa (na época, era apenas um jogo).
E a tarefa do Jeonbuk para manter a escrita das últimas quatro edições, quando um sul-coreano sempre chegou à final (com três troféus), será complicada. Tudo porque o adversário é o Kashiwa Reysol. O FC Seoul também deve ter dificuldades ao encarar o Beijing Guoan. Já o Esteghlal, campeão nacional, tem amplas condições de superar o Al Shabab Al Arabi.
Confrontos (14-15/maio e 21-22/maio)
Al Gharaffa (Catar) x Al Shabab (Arábia Saudita)
El Jaish (Catar) x Al Ahli (Arábia Saudita)
Al Hilal (Arábia Saudita) x Lekhwiya (Catar)
Al Shabab Al Arabi (Emirados Árabes) x Esteghlal (Irã)
Beijing Guoan (China) x FC Seoul (Coreia do Sul)
Buriram United (Tailândia) x Bunyodkor (Uzbequistão)
Central Coast Mariners (Austrália) x Guangzhou Evergrande (China)
Jeonbuk Motors (Coreia do Sul) x Kashiwa Reysol (Japão)
Curtas
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Esta coluna fez um balanço dos brasileiros que disputam a edição 2013, que pode ser lido aqui. Agora é hora de analisar quem se deu melhor. O grande nome é o meia Wagner Ribeiro, artilheiro geral, com sete gols, pelo El Jaish. Com uma única passagem no Brasil, pelo Ituano, nas divisões de base, o atleta está no Catar desde 2009 e tenta manter a diferença de um tento para Muriqui, ex-Atlético Mineiro e atualmente no Guangzhou Evergrande.
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A decepção fica por conta de Ricardo Oliveira, artilheiro em 2012, que fez apenas um gol até aqui. Nilmar também ficou longe dos marcadores principais, com três gols, na sexta posição. Bruno César e Nenê (dois), esperanças de Al Ahli e Al Gharrafa, também tiveram desempenho aquém do esperado. No total, os brasileiros marcaram 35 vezes na primeira fase.
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Chineses e iranianos dominaram o público na fase de grupos. O Esteghlal levou 80.300 pessoas contra o Ah Hilal, maior número de torcedores num jogo, total de 129.960 (três partidas). O segundo e terceiro lugares são do Irã, mas a partir daí até o décimo, só dá China, destaque para o Guangzhou Evergrande, com 119.717 de público total. Vale citar o Buriram, que levou 57.591 pessoas somando-se os três jogos da etapa inicial. A média de público geral é de 12.979 pessoas por jogo.