Os sinais são ótimos. O momento vivido pelo Arsenal atualmente é um de rara consistência em comparação com os últimos anos de Arsène Wenger e as temporadas que se seguiram sob o comando de Unai Emery e, depois, brevemente, Fredrik Ljungberg. Com Mikel Arteta como técnico, os Gunners parecem estar enfim no caminho certo, mas é cedo demais para garantir qualquer coisa, e o próprio treinador pisou no freio ao falar da fase vivida por sua equipe.

Após vencer nos pênaltis o campeão da Premier League, Liverpool, e levar a Community Shield para casa no sábado (29), Arteta comemorou o momento pelo qual passa o Arsenal, que em 1º de agosto havia vencido também a Copa da Inglaterra, com vitória por 2 a 1 sobre o Chelsea, depois de eliminar convincentemente o Manchester City de seu mentor Pep Guardiola. Ainda assim, fez suas ressalvas, apontando a consistência a longo prazo como um grande desafio.

“Acredito que estamos diminuindo a diferença (para Liverpool e Manchester City), mas uma coisa é fazer isso em um período curto de tempo, e outra é conseguir sustentar isso por dez meses. Conhecemos esta liga, o quão competitiva e desafiadora ela é. Estamos na direção certa”, avaliou o basco.

Se quiser continuar no caminho do progresso, o Arsenal precisará de reforços, algo que Arteta tem feito questão de ressaltar em suas entrevistas coletivas desde a reta final da temporada passada da Premier League. Neste sentido, os Gunners já asseguraram a contratação de Gabriel Magalhães, zagueiro brasileiro que se destacou no Lille na última temporada, que ainda espera ser oficializado no novo clube. Odsonne Édouard, atacante do Celtic, e Thomas Partey, meio-campista do Atlético Madrid, são outros nomes que estão no radar do time de Londres.

“Estamos tentando avaliar o mercado para melhorar nosso equilíbrio em certas posições e melhorar nossa qualidade também. Mas minha maior luta neste clube é convencer estes jogadores de que podemos lutar com esses clubes (Liverpool e City) a longo prazo, de que eles são melhores do que o que mostraram no ano passado. Tentaremos fazer isso, é este o meu trabalho.”

A primeira parte deste trabalho tem sido bem feita por Arteta desde que este assumiu o cargo de treinador, em dezembro de 2019. Pouco a pouco, o basco vai conseguindo tirar mais de seus atletas já presentes no elenco. Porém, para seguir este desenvolvimento, precisa garantir a permanência de nomes importantes de seu time atual. Pierre-Emerick Aubameyang, o grande destaque individual, está em vias de renovar seu contrato e se comprometer a longo prazo com o clube. Outro que ainda não tem futuro certo é Dani Ceballos.

Pertencente ao Real Madrid, o meia deseja continuar em Londres. A vontade é compartilhada pelos Gunners, mas resta encontrar um acordo com os madridistas. Peças de elenco, Cédric Soares e Pablo Marí, inicialmente emprestados ao Arsenal, acertaram sua permanência.

Em meio a chegadas e tentativas de manutenção da base do ano passado, o Arsenal tem um importante trabalho de maximizar as opções presentes no grupo, e isso passa muito por uma mudança de mentalidade em relação aos anos anteriores. Arteta tem sentido isso acontecer, e o duelo com o Liverpool no final de semana foi uma boa amostra da confiança crescente de seu grupo.

“Dois dias atrás, começamos a ter de volta alguns jogadores no treinamento, e não ouvi nenhuma desculpa como: ‘Ah, o Liverpool teve duas semanas de treinamento na Áustria, uma preparação melhor…’. Não teve nada disso. Quando estava no vestiário, tive a sensação de que eles acreditavam que poderiam vencer. Eles não estavam com medo. Respeitavam muito o Liverpool, mas queriam ir atrás da vitória e acreditaram que poderiam vencer um outro troféu. E, desde o primeiro minuto, mostraram qualidade e coragem no campo”, comemorou.

Se qualquer coisa, o trabalho de Arteta no Arsenal ainda está muito no início e precisa de bastante refinamento. E, para o treinador, o caminho passa necessariamente por manter a força defensiva mostrada recentemente e, a partir disso, construir e desenvolver o lado ofensivo.

“Sabemos que, se você quer lutar por troféus, não pode levar a quantidade de gols que levamos nas últimas temporadas, isso sem dúvidas. Mas, é claro, precisamos ser muito melhores com a bola na fase ofensiva. Tivemos alguns períodos (contra o Liverpool) em que mostramos que estamos nos desenvolvendo na direção certa. Defensivamente, somos sólidos, difíceis de bater. De verdade, se tivermos a mentalidade de que temos 11 jogadores fazendo isso (defendendo), não importa qual seja o seu nome, acho que temos uma chance muito boa (de brigar em cima na tabela).”

O Arsenal começará a colocar à prova a regularidade dos últimos meses em 12 de setembro, quando abre a Premier League em partida contra o Fulham, fora de casa. Na rodada seguinte, recebe o também londrino West Ham, em 20/09. Por fim, na terceira jornada, o adversário é o mesmo deste último final de semana: o Liverpool, em Anfield, no que será um importante teste de início de campanha, servindo de termômetro ao que podemos esperar nesta primeira parte de temporada.