No confronto entre os dois únicos times que haviam vencido suas duas primeiras partidas, o Liverpool fez valer o fato de ser anfitrião e um time pronto e venceu o Arsenal por 3 a 1 no duelo mais aguardado da terceira rodada da Premier League. Foi o embate entre um time em pleno funcionamento, do topo da prateleira, e outro que ainda dá seus passos iniciais para poder tentar se juntar a este grupo.

A história do primeiro tempo pouco indicava que este seria o placar final. Apesar de o Liverpool dominar a posse de bola e comandar as ações, acumulando 15 finalizações na etapa inicial, foi o Arsenal que levou mais perigo. A equipe de Emery tentava se segurar lá atrás e se lançava ao ataque com os velozes Aubameyang e Pépé.

Enquanto o gabonês aproveitou confusão entre Van Dijk e Adrián e encobriu de longe o goleiro, quase abrindo o placar aos 11 minutos de jogo, o marfinense levou perigo duas vezes, com um chute colocado, buscando o ângulo, que passou raspando a trave direita dos Reds; e depois em um contra-ataque aos 34 minutos, deixando Robertson no chão, mas batendo sem a força suficiente para superar Adrián.

Fala-se muito do perigo que é sofrer gols nos cinco minutos finais do primeiro tempo e nos cinco iniciais do segundo tempo, e isso se provou verdade mais uma vez. Aos 40 minutos, Alexander-Arnold cobrou escanteio, e Matip subiu mais alto que todo mundo para, de cabeça, fazer 1 a 0 para o time de casa, ignorando o cenário da partida até ali.

No intervalo, o papo de Klopp deve ter sido muito bom, porque a intensidade com que seu time voltou para o segundo tempo foi impressionante.

Emulando seus melhores momentos desde que chegou ao clube, Mohamed Salah desequilibrou em seu duelo particular com David Luiz. Infernizou a vida do zagueiro brasileiro, que, logo aos dois minutos da segunda etapa, cometeu pênalti bobo no egípcio, puxando sua camisa, em plena época do VAR que tudo vê. Na cobrança, Salah bateu forte, no ângulo, fazendo 2 a 0 para o time da casa.

Aos 14 minutos, Salah arrancou com a bola em velocidade pela ponta, fez o que quis com David Luiz, batido com facilidade pelo drible do egípcio, e arrancou com potência em diagonal. Monreal não conseguiu alcançá-lo, e o camisa 11 chutou rasteiro, cruzado, para fazer 3 a 0.

A primeira metade do segundo tempo foi caótica para o Arsenal. Baqueado, o time multiplicou seus erros individuais e coletivos e viu o Liverpool fazer a partida que queria. Os Reds pressionavam a saída de bola dos Gunners, que facilitavam o serviço dos comandados de Klopp com a insistência em sair da defesa com passes curtos mesmo em situações de muito aperto.

Com o resultado basicamente garantido, o Liverpool abaixou sua pressão, o Arsenal subiu mais e, com Torreira, diminuiu para 3 a 1, após bom passe de Aubameyang. Muito tarde e muito pouco para complicar a vida dos anfitriões.

O Liverpool fez aquilo em que já é especialista: apesar de uma partida que não era tão boa, aproveitou uma janela de tempo para jogar com bastante intensidade e matar seu duelo. Bem estabelecido há um tempo considerável, o time tem sua identidade definida e apenas exerceu seu favoritismo com naturalidade.

De quebra, Klopp ainda acrescentou um recorde a seu currículo no clube: os Reds alcançaram pela primeira vez 12 vitórias seguidas na Premier League, contando com as nove partidas finais da temporada passada.

Do outro lado, o Arsenal precisa se resignar com resultados como esse, ao menos por ora. Entre as melhores janelas de transferências feitas na Inglaterra está a dos Gunners, que identificaram deficiências no elenco e foram atrás de peças específicas e interessantes, especialmente Kieran Tierney, Ceballos e Pépé.

Em seu segundo ano no norte de Londres, o técnico Unai Emery tem um plano claro em sua mente de como quer que sua equipe atue – e, no caso da saída com a bola da defesa em especial, levará tempo para que deixe de ser um risco tão grande e passe a ser uma de suas principais forças. Jogadores jovens e com potencial têm tido espaço na equipe principal. O clube, enfim, parece estar no caminho certo, mas o percurso para alcançar seu potencial máximo será árduo e repleto de dias como este sábado. Até lá, é preciso ter paciência e a capacidade de observar o todo para avaliar essa progressão.