O empate por 0 a 0 contra o Genoa, no último sábado, foi apenas sintoma da crise que eclodiu no Napoli, depois que os jogadores recusaram-se a se dirigir à concentração, após a partida contra o Red Bull Salzburg, pela Champions League, semana passada. Ao longo do fim de semana, Allan teve a sua casa invadida, e o carro da mulher de Piotr Zielinski foi vandalizado, informa o jornal La Repubblica.

Foi Thais, mulher de Allan que, machucado, não esteve envolvido no jogo contra o Genoa, quem denunciou a invasão. Afirmou que estava sozinha em casa com os filhos, que choraram aterrorizados. De acordo com a Gazzetta dello Sport, os invasores quebraram janelas e violaram o cofre da casa, embora muito pouco tenha sido roubado – o que sugere que a intenção era assustar.

Na manhã de domingo, Laura, esposa de Zielinski, foi passear com o labrador do casal em uma praia. Quando retornou ao carro, encontrou-o com as janelas quebradas. O rádio e o sistema de navegação haviam sido roubados. Nos dois casos, separados por 48 horas, ninguém se feriu. Os agressores ainda não foram identificados.

O Napoli estava em má fase, com duas vitórias em sete partidas, e três jogos seguidos sem perder (agora são cinco), antes do jogo contra o Red Bull Salzburg. A sequência de resultados fez com que fosse imposta uma concentração entre o fim do duelo contra os austríacos à manhã de domingo, após o jogo contra o Genoa. No entanto, depois do empate por 2 a 2 pela Champions League, os jogadores recusaram-se a entrar no ônibus.

O presidente do Napoli, Aurelio de Laurentiis, jogou a ideia da concentração na conta de Carlo Ancelotti, que tentou mediar a situação nos vestiários, e soltou uma nota oficial ameaçando ação legal contra o elenco, antes de amenizar seu discurso. Na quinta-feira, houve protestos da torcida antes do treino no San Paolo, chamando os jogadores de mercenários, mesma adjetivação usada pelos ultras da Curva A em mensagem espalhadas pela cidade nos dias seguintes.

Segundo o Sport Mediaset, Ancelotti teria discordado da decisão de mandar a equipe à concentração e tem apenas mais dois jogos para salvar o seu emprego. A Gazzetta dello Sport acrescenta que Mertens e Callejón, cujos contratos terminam ao fim da temporada, podem sair ainda na janela de transferências de janeiro, e que outros pilares do time em anos recentes, como Allan, Ghoulam, Hysaj, Insigne e Koulibaly podem ser vendidos no próximo verão.

Rumores à parte, o fato é que o empate contra o Genoa deixou o Napoli 13 pontos da líder Juventus, e o clima, neste momento, torna difícil imaginar uma brilhante recuperação que recoloque o time na briga pelo título italiano, objetivo que parecia bem acessível ao clube nesta temporada, antes de a crise explodir.