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A vingança veio na bola, e agora a Libertadores começa de novo para o Cruzeiro

Primeiro, foi na garganta. A torcida do Cruzeiro gritou o nome de Tinga, ignorando que ele não estava em campo. A mensagem de apoio ao jogador, vítima de racismo na partida de ida contra o Real Garcilaso, no Peru, foi corroborada por cartazes nas arquibancadas do Mineirão. E reforçada quando o juíz apitou pelo show de bola que o time da casa apresentou. Ao fim do primeiro tempo, já havia construído, com sobras, o placar que precisava para avançar às oitavas de final sem depender de ninguém. Acabou vencendo por 3 a 0.

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Não que houvesse algum receio naquelas 44 mil pessoas vestidas de azul, da cabeça ao coração. O Real Garcilaso estava eliminado por antecedência, levou apenas 16 jogadores para Belo Horizonte e enfrentou uma longa viagem. O elenco chegou a dormir no aeroporto, como se fosse um grupo de jovens mochileiros ao invés de atletas profissionais. Sem motivação, qualidade técnica e condição física, foi presa fácil para o campeão brasileiro.

Dagoberto criou a primeira oportunidade antes de o ponteiro dos minutos se mexer. Após troca de passes, saiu na cara do goleiro e parou nas mãos de Pretel. A bola rodava de um lado para o outro da área adversária, em busca de uma brecha para confirmar o que todos sabiam que aconteceria. Aos 24 minutos, Mayke cruzou com precisão na cabeça de Ricardo Goulart, que fez seu quarto gol na Copa Libertadores.

A torcida do Cruzeiro levou mensagens de apoio a Tinga
A torcida do Cruzeiro levou mensagens de apoio a Tinga

Na investida seguinte, escanteio. Éverton Ribeiro cobrou alto, exigindo que Bruno Rodrigo apenas cabeceasse de olhos abertos, no canto esquerdo de Pretel. Dito e feito. A vantagem de dois gols era suficiente para que o jogo entre Defensor e Universidad de Chile se tornasse irrelevante, a não ser que houvesse uma chuva de gols no Uruguai. Para garantir, Julio Baptista recebeu dentro da área e tocou no cantinho do goleiro.

As ofensas racistas a Tinga no Peru não podem ser esquecidas. Por ninguém. É um problema que precisa ser atacado por todos que vivem do futebol ou que apenas se considerem seres humanos. Mas os jogadores do Cruzeiro já podem deixar esse episódio para trás. Vingaram-se na bola e agora oito jogos os separam do tricampeonato sul-americano. Se sofreu para se classificar e venceu de forma improvável a Universidad de Chile em Santiago, não importa mais. A partir de agora, a Libertadores foi reiniciada. E o campeão brasileiro continua sendo um dos principais candidatos ao título.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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