Unindo torcidas no Equador, Del Valle está a um empate de eliminar o Boca e chegar à final

Há 10 anos, o Independiente del Valle era nada para o futebol equatoriano. Um time da terceira divisão, fundado por amigos, formado para disputar torneios amadores em uma cidade na região metropolitana de Quito. Na próxima semana, poderá se tornar o terceiro clube do Equador na história a disputar uma final de Libertadores. Obviamente, ao longo da última década, houve uma revolução. A equipe passou à mão de empresários, começou a trabalhar para formar jogadores, subiu duas divisões e passou a frequentar a parte superior da tabela na liga nacional. Mas nenhum dos capítulos desta transformação é mais significativo do que o vivido nos últimos meses. Em sua terceira participação consecutiva no torneio continental, a equipe eliminou gigantes: Colo-Colo, River Plate, Pumas. E, agora, está a um empate de derrubar um dos clubes mais temidos das Américas. Venceu o Boca Juniors por 2 a 1 em Quito, de virada, e enfrentará a volta na Bombonera.
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De início, é preciso destacar o engajamento do povo equatoriano ao redor do Independiente del Valle. A equipe vem mandando os seus jogos nos mata-matas da Libertadores dentro do Estádio Olímpico Atahualpa, casa da seleção. Doa a renda aos desabrigados do terremoto ocorrido no Equador em abril. Mas, neste momento, apoiar os compatriotas vai além desta questão. Torcedores de vários times comparecem em bom número às arquibancadas nos três primeiros jogos. Nesta quinta, dizer que o Del Valle “era o Equador na Libertadores” não servia apenas de mera forçação de barra do narrador ufanista. A causa também se tornou esta.
O Boca Juniors, no entanto, começou o jogo melhor. Reforçado, se impôs no começo do jogo. E precisou de apenas 13 minutos para abrir o placar, em bela troca de passes que deixou Pablo Pérez de frente para o gol. Mas os xeneizes ficaram mornos. Até tiveram outra oportunidade antes do intervalo, em que reclamaram que a bola havia passado a linha. Pouco, diante de um mandante que começava a dominar o campo de ataque e ia desperdiçando boas chances, principalmente por sua falta de pontaria.
Na segunda etapa, contudo, até parecia que o Independiente del Valle tinha seis taças da Libertadores em seu currículo. História não ganha jogo, especialmente quando um time erra tanto quanto o Boca Juniors. O empate saiu aos 17, em um chute cruzado de Cabezas, livre dentro da área. Já a virada saiu aos 31, com um golaço de Angulo, que tirou dois marcadores apenas no domínio e fuzilou Orión. Os xeneizes viviam de suspiros. Pouco para quem almejava a virada diante de um adversário que teve coragem e que acreditou no resultado.
Será difícil para o Independiente del Valle enfrentar a Bombonera. Por todo o clima, pela maneira como a torcida tentará intimidar mais ainda, pela necessidade de vitória do Boca Juniors, pela qualidade do elenco portenho. Mas é mais do que real sonhar com a classificação. Afinal, já fizeram o mesmo dentro de outro estádio mítico de Buenos Aires, o Monumental de Núñez, bombardeados pelos atuais campeões. A derrota não tira tanto o favoritismo do Boca Juniors, e sim a maneira como o time jogou. E o ímpeto dos equatorianos equilibra muito mais a balança. O que parecia impossível em 2006 agora se torna palpável.



