América do SulEliminatórias da Copa

Três é demais?

Há pouco menos de dois anos o mundo viu o espetacular, romântico e surpreendente ressurgimento de uma das maiores potências do futebol. Com um futebol característico de seus mais arraigados estereótipos, os uruguaios superaram limitações e adversários até as semifinais de uma Copa do Mundo, uma façanha que não era alcançada desde 1970. Além de garra e entrega, os triunfos do Uruguai foram calcados em grandes atuações defensivas e no talento do trio ofensivo formado por Cavani, Suárez e Forlán. Ou melhor… Da dupla de ataque Cavani e Suárez e do improvisado meia Diego Forlán. Quase dois anos depois a realidade é outra. As atuações da Copa América e das Eliminatórias deixam claro o que muitos se negam a ver e a acreditar: o Uruguai funciona melhor com apenas duas de suas três estrelas.

Desde o empate em 1 a 1 com Gana, que terminou com o Uruguai classificado às semifinais nas cobranças de pênaltis – após a famosa defesa de Suárez nos acréscimos -, o trio Forlán-Cavani-Suárez jogou mais 15 vezes, mas obteve apenas quatro vitórias; três delas em amistosos e apenas uma em jogos oficiais: contra a fraca Bolívia na primeira rodada das Eliminatórias para a Copa de 2014. Os outros triunfos foram contra China (4 a 0), Irlanda (3 a 2) e Estônia (3 a 0). Nos 11 jogos restantes houve sete empates (dois na Copa América e dois nas Eliminatórias) e quatro derrotas (todas em amistosos), o que significa que os comandados de Tabárez obtiveram apenas 42% de aproveitamento com o “trio de ouro” em campo. Já com apenas um ou dois elementos jogando, o aproveitamento sobe para quase 84%, com oito vitórias e um empate em dez partidas, sendo o único dissabor do período a derrota por 3 a 2 para a Holanda, nas semifinais da Copa de 2010.

Se por um lado devemos descartar triunfos contra equipes inexpressivas, como as vitórias por 2 a 0 contra Angola e 7 a 1 contra a Indonésia, quando os charruás ficaram sem Forlan e Suárez, e depois somente sem Forlán, por outro precisamos atentar que a equipe só engrenou na Copa América depois da lesão de Cavani. Após os empates em 1 a 1 com Peru e Chile, o Uruguai de Forlán e Suárez empatou em 1 a 1 com a Argentina – ganhando nos pênaltis após ficar com dez em campo ainda no primeiro tempo -, e venceu Peru e Paraguai por 2 a 0 e 3 a 0, respectivamente, faturando o título da competição. Em 2012 o triunfo por 4 a 0 contra o Chile nas Eliminatórias foi obtido com Cavani e Suárez em campo, este último autor dos quatro gols.

Como explicar este fenômeno? Não é o caso de falar do que o Uruguai tem (Cavani, Suárez e Forlán), mas sim do que o Uruguai não tem: um meia armador. Se Forlán deu certo nessa função na Copa, sendo inclusive eleito o craque do torneio, o fato é que o técnico da Celeste, Oscar Tabárez, não o quer por ali. Em todos os jogos da Copa América e das Eliminatórias foi possível observar que Diego se posiciona mais à frente, na maioria das vezes como atacante, com retornos esporádicos para buscar a bola. Não é possível dizer se isso acontece porque Tabárez confia mais em Forlán perto da área, ou se o treinador não acredita que Diego possa repetir a façanha da Copa. No entanto, está comprovado que quando um dos três está de fora o Uruguai ganha posse de bola e para de abusar dos passes longos, o que acaba suprindo a carência por um meia armador. O motivo óbvio para isso acontecer é que, com a saída de uma das três estrelas, o meio de campo ganha mais um homem.

Na Copa América, Álvaro González substituiu Cavani e, aberto na direita, transformou o 4-3-3 dos dois primeiros jogos em 4-4-2. Com sua entrada, a produção do xará Álvaro Pereira, ponta pela esquerda, subiu e o Uruguai avançou até o título. Já nas Eliminatórias, e em alguns amistosos, Gastón Ramírez se posicionou como enganche, deixando Pereira um pouco mais recuado junto à fortaleza defensiva formada pela dupla Arévalo Rios e Diego Pérez. Nem González e nem Ramírez, porém, contam com a confiança de “el Maestro”, que, sempre que pode, escala o trio de ouro no ataque, os dois volantes de contenção e Álvaro Pereira. Com eles volta a bola longa, já que o camisa 11 é o único jogador de saída, e volta a ineficiência supracitada.

Como bom técnico que é, Tabárez já percebeu o que acontece. Resta saber como ele pretende resolver a questão. O ideal seria achar um jogador capaz de armar o jogo e eventualmente compor a linha de marcação, mas, como já falamos, o Uruguai não tem esse atleta. Nas últimas partidas Tabárez quis um maior apoio dos laterais, sobretudo Maxi Pereira, e uma “abertura maior” dos atacantes pelos lados, o que resultaria em vantagens pelas pontas. Não parece ser o caminho. Tirar Arévalo ou Pérez está fora de questão, de forma que o treinador tem agora três opções: ou volta atrás e decide tentar novamente Forlán na posição de enganche, ou trabalha uma movimentação muito maior de seus três homens de frente, ou então desiste de um dos três entre os titulares. Caso opte pela última o treinador deverá perder várias noites de sono.

Afinal de contas, como tirar alguém como Luisito Suárez, que além de goleador é um jogador de entrega e que corre demais em campo? Como tirar Cavani, autor de 32 gols pelo Napoli na última temporada? Como tirar Diego Forlán, maior artilheiro da seleção uruguaia e responsável pelas bolas paradas e toques de criatividade do time? Bom… A verdade é que, do jeito que o Uruguai tem jogado com os três, Tabárez já deve estar com insônia há um bom tempo…

Tuitadas das Eliminatórias

Uruguai 1×1 Venezuela: Ciente de suas limitações e da necessidade de os uruguaios saírem para buscar o resultado, a Vinotinto fez um jogo correto e efetivo. Saiu atrás, mas buscou o empate e se coloca em ótima posição para brigar pela vaga à Copa. O Uruguai precisa de mais se quiser triunfar…

Bolívia 0x2 Chile: O resultado não foi nada justo. A Bolívia jogou bem melhor e teve pelo menos cinco chances de sair na frente no marcador. A falta de técnica acabou pesando. O Chile está bem na tabela, mas precisa se precaver… Aquele time consciente de Bielsa já era. A começar pela disciplina. Depois de episódios com Valdívia, Beausejour e Vidal, agora foi a vez de Medel e Vargas saírem para a noitada e serem cortados.

Peru 0x1 Colômbia: Depois de um primeiro tempo muito ruim com três zagueiros e três atacantes, a Colômbia voltou bem melhor na segunda etapa. Jogando em um 4-2-3-1, Pékerman fez seus comandados atuarem como time. O trio Falcao, Pabón e James Rodríguez ainda precisa de acertos.


Equador 0x4 Argentina: O Equador fez o que se esperava… Sucumbiu. Recuados e sem pegada na marcação, os equatorianos foram presas fáceis de um Messi inspirado e do trio Higuaín, Di Maria e Aguero.

Mais uruguaias

 

– O Nacional venceu o Liverpool em um emocionante 4 a 3 e ficou com a ponta da tabela anual uruguaia. Com isso o Bolso ganha o “direito de perder” do Defensor na semifinal do campeonato, que será disputada neste sábado. Explica-se: Na semifinal enfrentam-se os ganhadores do Apertura (Nacional) e do Clausura (Defensor). Quem passar pega o líder da tabela anual, no caso o Nacional. Ou seja, se o tricolor vencer será campeão e se perder enfrentará novamente o Defensor na decisão, esta disputada em dois jogos. Quem ganhar se sagra campeão uruguaio da temporada 2011-12.

– Além da vitória do Nacional, a rodada teve derrota do Defensor por 2 a 1 ante o River Plate. O resultado tirou de la Violeta a honraria de ser campeã invicta do Clausura.

– Também ficaram definidos os times rebaixados. Rampla Juniors, Cerrito e Rentistas darão lugar a Central Español, Juventud e ao vencedor dos playoffs pela terceira vaga, que ainda será conhecido.

Paraguaias

 

– Sem rodada programada, a semana serviu apenas para a realização do jogo atrasado entre Libertad e Nacional. A partida terminou com a vitória do Libertad por 2 a 1. O resultado deixa o Gumarelo na terceira posição, com 31 pontos em 16 partidas, seis pontos a menos que o líder Olimpia e três atrás do vice-líder Cerro Porteño.

Colombianas

 

– Não tivemos rodada devido às datas Fifa. Para recapitular: os oito classificados estão divididos em dois grupos. No grupo A estão Deportes Tolima, primeiro na tabela geral, Atlético Huila, quarto na tabela geral, Deportivo Pasto, sexto colocado, e o Deportivo Cali, oitavo colocado.  O grupo B tem o Santa Fe, segundo colocado, o Itagüí, que terminou em terceiro, La Equidad, que foi a quinta colocada, e o Boyacá Chicó, sétimo lugar.

Chilenas

 

– O atacante Esteban Paredes, estrela do Colo Colo, anunciou que não seguirá na equipe após negociações frustradas por uma renovação de contrato. A decisão deixará Paredes livre para assinar por outro clube ao fim do torneio Apertura.

– Apertura que o Colo Colo ainda disputa. Não houve rodada e Colo Colo, O’Higgins e Unión Española ainda aguardam a definição de Universidad de Chile e Cobreloa para saber como ficam as semifinais.

– A Universidad Católica confirmou que o uruguaio Martín Lasarte é seu novo treinador. Ele esteve por 2 anos na Real Sociedad, em 2010 e 2011.

Equatorianas

 

– Também não houve jogos pelo Primera Etapa. O torneio tem a Liga de Loja na liderança, com 32 pontos em 17 jogos. O Barcelona é o segundo, com 31, seguido pelo Emelec, também com 31 pontos. A LDU é a sexta colocada, com 26, e o Deportivo Quito é o sétimo, com 21.

Peruanas

 

– Campeonato parado também em terras peruanas. O Descentralizado 2012 tem a Universidad César Vallejo na ponta, com 30 pontos em 15 jogos. O Real Garcilaso é o segundo, com 29 pontos. O Sporting Cristal ocupa a terceira posição, com 26, mesmo número de pontos do Juan Aurich, que é o quarto.

Bolivianas

 

– Tudo encerrado na Bolívia. Os clubes se preparam agora para o Apertura 2013, que será o primeiro torneio do país com calendário adequado ao europeu.

Venezuelanas

 

– O mesmo vale para a Venezuela, com exceção de que lá o torneio já é “acoplado” às datas do velho continente.

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