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A torcida do Atlético Nacional proporcionou um recebimento inesquecível ao primeiro Superclássico em finais do Campeonato Colombiano

Pela primeira vez na história do Campeonato Colombiano, os rivais nacionais Atlético Nacional e Millonarios fazem a decisão da liga - e a torcida verdolaga correspondeu à grandeza da ocasião

Atlético Nacional e Millonarios sustentam uma rivalidade que por vezes passa despercebida fora da Colômbia. Os dois clubes não estão inseridos na mesma cidade, mas representam uma disputa pela supremacia no país. Há uma rixa entre Medellín e Bogotá que os gigantes carregam para ver quem tem a maior torcida, quem tem a maior representatividade na seleção, quem tem mais títulos nos torneios nacionais e quem tem mais prestígio nas competições internacionais. Tal animosidade se catapultou especialmente nos anos 1980, quando os dois gigantes passaram a se enfrentar mais frequentemente pelos principais títulos e pelas copas continentais, enquanto existiam disputas de poder nos bastidores em meio à influência do narcotráfico. E se a rivalidade se estendeu pelas décadas seguintes, com finais na Merconorte e na Copa da Colômbia, ainda faltava uma decisão do Campeonato Colombiano que contemplasse o Superclássico. O que finalmente acontece neste Apertura 2023.

Nesta quarta-feira, Atlético Nacional e Millonarios disputaram a primeira partida da decisão, no Estádio Atanásio Girardot. As arquibancadas em Medellín estavam abarrotadas pela torcida Verdolaga. E o recebimento foi digno do ineditismo da ocasião. Primeiro, pela chuva de serpentinas e pela fumaça que ganhou os céus, no verde e branco dos anfitriões. Depois, pelo show pirotécnico entre dezenas de fogos de artifício e também sinalizadores acesos nas tribunas. Logo começaram a ser agitadas bandeiras alviverdes. E deu tempo de fazer um mosaico gigante com o escudo do Atlético Nacional. Espetáculo completo.

Dentro de campo, faltou apenas que os times correspondessem à animação. Prevaleceu o empate por 0 a 0 na partida de ida. O Millonarios foi bem mais perigoso durante o primeiro tempo e Daniel Cataño chegou a mandar uma bola na trave. Já na segunda etapa, os alviazuis acertaram o travessão, com David Macalister Silva. Não é a situação mais animadora para o Atlético Nacional, dirigido por Paulo Autuori. A festa deverá ser tão grande quanto no próximo domingo, no Estádio El Campín, onde a torcida dos Millos esperará ver o time vencer um dos maiores Superclássicos da história e ser campeão dentro de casa.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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