Torcedor do Fluminense filma equatoriano imitando macaco em sua direção e o acusa de racismo
O Fluminense venceu a LDU e foi campeão da Recopa no Maracanã, mas a noite não foi só de histórias bonitas: brasileiros sofreram racismo (mais uma vez)
O Fluminense foi campeão da Recopa e exorcizou de vez o fantasma da LDU no Maracanã. Mas a história escrita no estádio, na noite de quinta-feira (29), não teve só páginas bonitas. Um torcedor do Flu filmou um equatoriano imitando um macaco em sua direção, em mais um caso de racismo no futebol sul-americano.
Após a vitória do Fluminense sobre a LDU em campo, nas arquibancadas, os torcedores trocavam provocações. O histórico de confrontos entre as duas equipes, equilibrado em jogos, mas com uma grande ferida para os tricolores em função das finais da Libertadores em 2008 e da Copa Sul-Americana em 2009, aumentou a tensão.
https://twitter.com/caioblois/status/1763618428512764170
Ainda assim, o torcedor Bruno Rangel, de 30 anos, afirmou que o clima era de brincadeira. Até que um torcedor imitou um macaco em sua direção.
— Torcida da LDU ficava bem próxima de onde eu estava. Rolaram provocações saudáveis entre nós, enfim, nada de mais. Do nada, um cara imitou um macaco. Eu era o único negro brincando com eles. Ele fez o sinal de macaco, eu chamei ele de racista, ele continuou e eu filmei — contou, em entrevista à Trivela.
Torcedor do Fluminense acusa policiais de ignorar situação
A partida já havia acabado e os tricolores comemoravam. O ato racista aconteceu e Bruno chamou os stewards, da empresa Sunset. Conforme o músico, os funcionários do Maracanã “fizeram pouco caso”.
— Chamei os stewards, mas eles fizeram pouco caso. Na hora, não havia um policial próximo. Só depois, na saída, encontrei um na parte externa. Nada aconteceu.
“Hoje a gente vai jogar por nós. Hoje nós vamos jogar pela nossa família, mas a gente vai jogar também pela memória dos torcedores que se foram, que ficaram com a ferida aberta e que hoje é representado pelo filho, pela filha, pelo marido, pela esposa. Por eles, a gente vai… pic.twitter.com/nROlw1TeB8
— Fluminense F.C. (@FluminenseFC) March 1, 2024
Minutos depois, ao encontrar um policial militar destacado no local, Bruno Rangel foi informado de que o vídeo não serviria como um flagrante para justificar a prisão do torcedor facilmente reconhecido. Ele precisaria ir à delegacia.
Em função do horário e também do título do Flu, o torcedor decidiu não prestar queixa no Juizado Especial Criminal do estádio, o Jecrim. O torcedor acredita que, como o homem que acusa de racismo é estrangeiro, pouca coisa poderia ter sido feita.
— Eu infelizmente acho que prestar queixa não resolve. Ele é equatoriano, isso me daria uma dor de cabeça, ontem eu estava feliz com o título e não deixei que isso impedisse minha felicidade. O que eu queria era que os policiais prendessem na hora porque estava identificado. Mas me disseram que eu precisava ir à delegacia. Se fosse alguém daqui, poderia correr atrás depois.
🇭🇺😍 Que noite, @FluminenseFC!
🏆 CONMEBOL #Recopa pic.twitter.com/8Nv0xqNzV5
— CONMEBOL Recopa (@ConmebolRecopa) March 1, 2024
A sensação de impotência e a leniência da Conmebol com atos racistas foram alguns dos fatores que fizeram Bruno optar por não ir à delegacia.
— A Conmebol não vai fazer nada, isso que é pior. Queria que isso gerasse alguma punição, ao menos, mas não acho que vá acontecer.
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Torcedores registram outros casos de racismo e violência no Maracanã
Nas redes sociais, pelo menos outro caso de crime foram veiculados por torcedores. E foi de racismo, assim como o de Bruno Rangel. O torcedor Hugo Jesus compartilhou vídeo de outro equatoriano imitando um macaco em direção à torcida do Fluminense.
Muda o país mas nunca muda a vítima!
Mais um episódio de racismo… relatei ao Jecrim e nada. pic.twitter.com/9OTGwHtMb9
— Hugo De Jesus (@HugoJ_Nunes) March 1, 2024
Hugo também afirmou, em suas redes, que stewards e policiais não o ajudaram a resolver o caso.
mais um dos casos de ontem!
cheguei a mostrar o vídeo ao JECRIM que não quiseram dar andamento com o caso pic.twitter.com/vrfy40WC4m— Hugo De Jesus (@HugoJ_Nunes) March 1, 2024



