América do Sul

Torcedor do Fluminense filma equatoriano imitando macaco em sua direção e o acusa de racismo

O Fluminense venceu a LDU e foi campeão da Recopa no Maracanã, mas a noite não foi só de histórias bonitas: brasileiros sofreram racismo (mais uma vez)

O Fluminense foi campeão da Recopa e exorcizou de vez o fantasma da LDU no Maracanã. Mas a história escrita no estádio, na noite de quinta-feira (29), não teve só páginas bonitas. Um torcedor do Flu filmou um equatoriano imitando um macaco em sua direção, em mais um caso de racismo no futebol sul-americano.

Após a vitória do Fluminense sobre a LDU em campo, nas arquibancadas, os torcedores trocavam provocações. O histórico de confrontos entre as duas equipes, equilibrado em jogos, mas com uma grande ferida para os tricolores em função das finais da Libertadores em 2008 e da Copa Sul-Americana em 2009, aumentou a tensão.

Ainda assim, o torcedor Bruno Rangel, de 30 anos, afirmou que o clima era de brincadeira. Até que um torcedor imitou um macaco em sua direção.

— Torcida da LDU ficava bem próxima de onde eu estava. Rolaram provocações saudáveis entre nós, enfim, nada de mais. Do nada, um cara imitou um macaco. Eu era o único negro brincando com eles. Ele fez o sinal de macaco, eu chamei ele de racista, ele continuou e eu filmei — contou, em entrevista à Trivela.

Torcedor do Fluminense acusa policiais de ignorar situação

A partida já havia acabado e os tricolores comemoravam. O ato racista aconteceu e Bruno chamou os stewards, da empresa Sunset. Conforme o músico, os funcionários do Maracanã “fizeram pouco caso”.

— Chamei os stewards, mas eles fizeram pouco caso. Na hora, não havia um policial próximo. Só depois, na saída, encontrei um na parte externa. Nada aconteceu.

Minutos depois, ao encontrar um policial militar destacado no local, Bruno Rangel foi informado de que o vídeo não serviria como um flagrante para justificar a prisão do torcedor facilmente reconhecido. Ele precisaria ir à delegacia.

Em função do horário e também do título do Flu, o torcedor decidiu não prestar queixa no Juizado Especial Criminal do estádio, o Jecrim. O torcedor acredita que, como o homem que acusa de racismo é estrangeiro, pouca coisa poderia ter sido feita.

— Eu infelizmente acho que prestar queixa não resolve. Ele é equatoriano, isso me daria uma dor de cabeça, ontem eu estava feliz com o título e não deixei que isso impedisse minha felicidade. O que eu queria era que os policiais prendessem na hora porque estava identificado. Mas me disseram que eu precisava ir à delegacia. Se fosse alguém daqui, poderia correr atrás depois.

A sensação de impotência e a leniência da Conmebol com atos racistas foram alguns dos fatores que fizeram Bruno optar por não ir à delegacia.

— A Conmebol não vai fazer nada, isso que é pior. Queria que isso gerasse alguma punição, ao menos, mas não acho que vá acontecer.

Torcedores registram outros casos de racismo e violência no Maracanã

Nas redes sociais, pelo menos outro caso de crime foram veiculados por torcedores. E foi de racismo, assim como o de Bruno Rangel. O torcedor Hugo Jesus compartilhou vídeo de outro equatoriano imitando um macaco em direção à torcida do Fluminense.

Hugo também afirmou, em suas redes, que stewards e policiais não o ajudaram a resolver o caso.

Foto de Caio Blois

Caio Blois

Caio Blois nasceu no Rio de Janeiro (RJ) e se formou em Jornalismo na UFRJ em 2017. É pós-graduado em Comunicação e cursa mestrado em Gestão do Desporto na Universidade de Lisboa. Antes de escrever para Trivela, passou por O Globo, UOL, O Estado de S. Paulo, GE, ESPN Brasil e TNT Sports.
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