América do SulSul-Americana

Luxemburgo ‘salva’ garoto do Corinthians em momento de paizão na entrevista

Felipe Augusto mostrou nervosismo, treinador percebeu e brincou com a situação

Vanderlei Luxemburgo saiu ao resgate do herói da vitória do Corinthians sobre o Universitario (PER), por 1 a 0, pela Copa Sul-Americana. O técnico percebeu o nervosismo de Felipe Augusto durante a entrevista coletiva que os dois deram, fez uma brincadeira e ajudou o jogador a desenvolver o raciocínio.

Foi bem no meio da entrevista. Os dois dividiram a bancada na sala de imprensa da Neo Química Arena. Luxemburgo era quem mais recebia perguntas, naturalmente, e Felipe Augusto mostrou nervosismo na primeira resposta. O treinador percebeu e brincou com a situação, fingindo tocar um pandeiro (veja no vídeo mais abaixo).

“É um momento único. [O Renato Augusto] Fez a jogadinha, sobrou na canhota e gol”, resumiu o atacante corintiano, autor do gol da vitória.

Felipe Augusto tem uma leve gagueira, que só aparece de forma muito marcada em momentos de nervosismo, como a entrevista coletiva. Ele vive a sétima temporada como jogador do Corinthians, jogou no sub-17, no sub-20 e agora no profissional, mas foi sua primeira vez na sala de imprensa da Arena.

“Primeira vez, né, fico nervoso, mesmo”, reconheceu sorrindo, minutos depois. “É uma coisa incrível, porque é o Renato Augusto, e receber um passe dele e fazer um gol é uma coisa incrível. Agradeço a Deus por tudo isso que está acontecendo”, tinha dito Felipe Augusto um pouco antes, ainda no gramado e não tão nervoso.

O que Luxemburgo falou na entrevista

  • Luxa ficou satisfeito com o resultado e valorizou a postura de um time de garotos;
  • Técnico ficou incomodado e rebateu jornalista para defender “crescimento” do time;
  • “Sul-Americana é quase uma Libertadores”, disse Luxemburgo.

“Faltou um pouquinho mais”

“Vou falar uma coisa, uma Sul-Americana é quase uma Libertadores. Faltou um pouquinho mais [no placar]? Tem o adversário, jogaram com uma linha de cinco o tempo todinho, não desfizeram em momento algum, jogaram com três caras na frente, jogaram por uma bola no final do jogo, e nós fizemos uma vantagem”, ponderou Luxemburgo.

“Claro, ganhar de dois, três ou quatro é muito melhor, mas nós fizemos por merecer o resultado. Eles não tiveram nenhuma oportunidade no primeiro tempo, tiveram só no final do jogo. Em um jogo que tivemos que atacar, com uma linha de cinco bem plantada e não desfizeram nunca. Fizemos um jogo taticamente muito correto, tivemos a intensidade que tínhamos que ter no jogo, mas faltou um pouquinho mais”, completou o treinador.

Corinthians está evoluindo

“Eu tenho falado que estamos tendo um crescimento, mas vocês não acreditam. Eu digo, mas vocês não acreditam, só acham que estamos sempre muito mal. Eu respeito, é uma opinião sua, tenho que respeitar. A molecada passa confiança no dia a dia. Tudo parece uma desculpa, um carro que está trocando o pneu com carro andando, mas existe uma evolução”, repetiu o treinador.

Felipe Augusto comemora gol do Corinthians contra o Universitario (PER) na Sul-Americana (Rodrigo Coca/Ag. Corinthians)

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Preocupação com surto no Peru

Luxemburgo nem foi perguntado sobre isso, mas decidiu mostrar sua preocupação com um problema de saúde pública no Peru. O governo nacional declarou emergência nacional por causa de um surto da síndrome de Guillain-Barré, e o Corinthians precisa visitar o país para o jogo de volta na Sul-Americana, na terça-feira que vem (18).

“Um surto é um surto, e qualquer país com isso, se há um decreto, tem que ser respeitado. Nós não somos cobaias. Quem é o responsável por nós viajarmos lá e nos contaminarmos? Quem permitiu o jogo? Há um decreto federal do Ministério da Saúde e isso precisa ser respeitado. É um problema muito sério”, argumentou Luxemburgo.

“Não queremos deixar de jogar, mas é preciso ter responsabilidade para não colocar em risco a nossa saúde. Por que não muda de país? Não é brincadeira. Por que no futebol sempre precisa de algo grave para ter mais responsabilidade nas decisões? Se eu não for para cuidar da minha saúde, serei criticado. Tenho que me expor e expor a equipe? Precisam de responsabilidade. É preciso ter coerência e equilíbrio. Se minha mulher ficar viúva, quem vai ser o responsável?”, questionou o treinador corintiano.

A síndrome de Guillain-Barré é uma condição neurológica rara, mas grave, que faz o sistema imunológico atacar o sistema nervoso. O paciente então tem uma inflamação dos nervos, fraqueza muscular e outros sintomas. Nos casos graves, há paralisia. A causa exata é desconhecida, mas a síndrome muitas vezes está associada a infecções virais prévias.

Foto de Arthur Sandes

Arthur Sandes

Arthur Sandes é jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e um dos vencedores do Troféu Aceesp em 2021, na categoria Matéria do Ano. Passou por Gazeta Esportiva, UOL e atualmente está na cobertura diária do Corinthians na Trivela.

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