Luxemburgo ‘salva’ garoto do Corinthians em momento de paizão na entrevista
Felipe Augusto mostrou nervosismo, treinador percebeu e brincou com a situação
Vanderlei Luxemburgo saiu ao resgate do herói da vitória do Corinthians sobre o Universitario (PER), por 1 a 0, pela Copa Sul-Americana. O técnico percebeu o nervosismo de Felipe Augusto durante a entrevista coletiva que os dois deram, fez uma brincadeira e ajudou o jogador a desenvolver o raciocínio.
Foi bem no meio da entrevista. Os dois dividiram a bancada na sala de imprensa da Neo Química Arena. Luxemburgo era quem mais recebia perguntas, naturalmente, e Felipe Augusto mostrou nervosismo na primeira resposta. O treinador percebeu e brincou com a situação, fingindo tocar um pandeiro (veja no vídeo mais abaixo).
“É um momento único. [O Renato Augusto] Fez a jogadinha, sobrou na canhota e gol”, resumiu o atacante corintiano, autor do gol da vitória.
Vanderlei Luxemburgo da Silva. pic.twitter.com/AAflgGuZUD
— Tiro de Canto (@tirodicanto) July 12, 2023
Felipe Augusto tem uma leve gagueira, que só aparece de forma muito marcada em momentos de nervosismo, como a entrevista coletiva. Ele vive a sétima temporada como jogador do Corinthians, jogou no sub-17, no sub-20 e agora no profissional, mas foi sua primeira vez na sala de imprensa da Arena.
“Primeira vez, né, fico nervoso, mesmo”, reconheceu sorrindo, minutos depois. “É uma coisa incrível, porque é o Renato Augusto, e receber um passe dele e fazer um gol é uma coisa incrível. Agradeço a Deus por tudo isso que está acontecendo”, tinha dito Felipe Augusto um pouco antes, ainda no gramado e não tão nervoso.
O que Luxemburgo falou na entrevista
- Luxa ficou satisfeito com o resultado e valorizou a postura de um time de garotos;
- Técnico ficou incomodado e rebateu jornalista para defender “crescimento” do time;
- “Sul-Americana é quase uma Libertadores”, disse Luxemburgo.
“Faltou um pouquinho mais”
“Vou falar uma coisa, uma Sul-Americana é quase uma Libertadores. Faltou um pouquinho mais [no placar]? Tem o adversário, jogaram com uma linha de cinco o tempo todinho, não desfizeram em momento algum, jogaram com três caras na frente, jogaram por uma bola no final do jogo, e nós fizemos uma vantagem”, ponderou Luxemburgo.
“Claro, ganhar de dois, três ou quatro é muito melhor, mas nós fizemos por merecer o resultado. Eles não tiveram nenhuma oportunidade no primeiro tempo, tiveram só no final do jogo. Em um jogo que tivemos que atacar, com uma linha de cinco bem plantada e não desfizeram nunca. Fizemos um jogo taticamente muito correto, tivemos a intensidade que tínhamos que ter no jogo, mas faltou um pouquinho mais”, completou o treinador.
?? Faz a festa, Fiel! Caneta de Renato Augusto, e Felipe Augusto, de primeira!
?? @Corinthians #Sudamericana pic.twitter.com/BnsPwQh6s4
— CONMEBOL Sudamericana (@SudamericanaBR) July 12, 2023
Corinthians está evoluindo
“Eu tenho falado que estamos tendo um crescimento, mas vocês não acreditam. Eu digo, mas vocês não acreditam, só acham que estamos sempre muito mal. Eu respeito, é uma opinião sua, tenho que respeitar. A molecada passa confiança no dia a dia. Tudo parece uma desculpa, um carro que está trocando o pneu com carro andando, mas existe uma evolução”, repetiu o treinador.

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Preocupação com surto no Peru
Luxemburgo nem foi perguntado sobre isso, mas decidiu mostrar sua preocupação com um problema de saúde pública no Peru. O governo nacional declarou emergência nacional por causa de um surto da síndrome de Guillain-Barré, e o Corinthians precisa visitar o país para o jogo de volta na Sul-Americana, na terça-feira que vem (18).
“Um surto é um surto, e qualquer país com isso, se há um decreto, tem que ser respeitado. Nós não somos cobaias. Quem é o responsável por nós viajarmos lá e nos contaminarmos? Quem permitiu o jogo? Há um decreto federal do Ministério da Saúde e isso precisa ser respeitado. É um problema muito sério”, argumentou Luxemburgo.
“Não queremos deixar de jogar, mas é preciso ter responsabilidade para não colocar em risco a nossa saúde. Por que não muda de país? Não é brincadeira. Por que no futebol sempre precisa de algo grave para ter mais responsabilidade nas decisões? Se eu não for para cuidar da minha saúde, serei criticado. Tenho que me expor e expor a equipe? Precisam de responsabilidade. É preciso ter coerência e equilíbrio. Se minha mulher ficar viúva, quem vai ser o responsável?”, questionou o treinador corintiano.
A síndrome de Guillain-Barré é uma condição neurológica rara, mas grave, que faz o sistema imunológico atacar o sistema nervoso. O paciente então tem uma inflamação dos nervos, fraqueza muscular e outros sintomas. Nos casos graves, há paralisia. A causa exata é desconhecida, mas a síndrome muitas vezes está associada a infecções virais prévias.



