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Sob a hostilidade do clássico, Sánchez teve atuação para se firmar entre as lendas do Chile

O barulho ensurdecedor vindo das arquibancadas já deixava bem claro como seria o ambiente hostil no Estádio Nacional de Lima. As vaias peruanas não permitiam que se ouvisse o hino chileno. Som e fúria que dimensionam o tamanho da rivalidade entre os dois países, muito mais por ranços históricos desde a Guerra do Pacífico do que por questões futebolísticas. O Chile, porém, não se intimidou com a recepção que teve no país vizinho. E, ainda que possa se questionar a arbitragem, La Roja fez por merecer a vitória em um jogaço. O time de Sampaoli se deu melhor no clássico de duas viradas, fechando o placar por 4 a 3 e dividindo a ponta das Eliminatórias ao lado de Uruguai e Equador. Pela primeira vez em toda a sua história, a seleção chilena venceu os seus dois primeiros compromissos no torneio continental.

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E é impossível falar sobre o sucesso do Chile em território inimigo sem atrelá-lo ao grande protagonista da noite. Marcelo Díaz, Eduardo Vargas e Mauricio Isla se saíram bem pela equipe. Mas ninguém teve o peso decisivo de Alexis Sánchez, a grande referência desta geração, ao lado de Arturo Vidal. Pois se muitos colocam o atacante entre os maiores da história do futebol local, a atuação no clássico serviu de argumento. O artilheiro do Arsenal incomodou a defesa peruana a todo momento e teve participação decisiva nos quatro gols de La Roja. Marcou dois e criou as jogadas em outros dois. Noite brilhante para um talento que vive excelente fase, tanto no clube quanto na seleção.

O primeiro grande momento de Sánchez em Lima veio logo aos sete minutos, a partir de passe primoroso de Isla. Teve pouco trabalho para abrir o placar. Já na sequência, o Peru soube equilibrar o confronto. Aproveitava os espaços que a defesa chilena costuma dar e buscou a virada, com dois tentos de Jefferson Farfán. Porém, neste intervalo, o time de Ricardo Gareca tinha ficado no prejuízo. Por conta de uma bola arremessada contra o rosto de Valdívia, Cueva acabou expulso, em cartão vermelho discutível. Desvantagem numérica que foi fatal diante da intensidade que o Chile e Alexis impuseram ainda no fim da primeira etapa.

Aos 41, o camisa 7 deu passe primoroso para Valdívia cruzar e Vargas empatar o jogo. E ele mesmo se responsabilizou pela virada, fuzilando dentro da área após toque de Marcelo Díaz. Já na volta do intervalo, o clássico diminuiu de ritmo, mas não o atacante chileno. Sánchez providenciaria ainda o quarto gol de seu time, arrancando em contra-ataque e servindo Vargas mais uma vez. Por fim, o Peru descontou apenas nos acréscimos. Após enfiada de Yotún, Paolo Guerrero finalizou de bico para fechar a contagem.

Entre o Arsenal e o Chile, Alexis Sánchez soma nove gols nas últimas cinco partidas, além de duas assistências. Números que enfatizam o seu momento especial. Autor do pênalti decisivo, que deu aos chilenos o título da Copa América de 2015, o atacante de 26 anos está a ponto de se tornar o maior artilheiro da história da Roja. Superou Carlos Caszely nesta noite, enquanto soma três tentos a menos que Zamorano e seis a menos que Marcelo Salas, o primeiro da lista. Há tempo de sobra para batê-lo. Quem sabe, para dobrar a quantidade. Em número de partidas, já ultrapassou Leonel Sánchez e só está abaixo de Claudio Bravo.

A frequência de jogos certamente beneficia Alexis Sánchez. E pode até ser que, individualmente, ele não esteja acima todas as lendas citadas. No entanto, o atacante consegue ser a principal engrenagem da melhor máquina que o Chile já montou. Algo que nem mesmo o talento dos craques do passado foi capaz de fazer. A grandeza do camisa 7 é inquestionável, assim como a qualidade deste Chile. Fatos que se corroboraram justamente diante do maior rival, na pressão do estádio lotado e da torcida raivosa.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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