América do Sul

Sí, se puede!

Final da primeira fase do torneio mais importante do continente. Dos seis brasileiros que começaram, cinco chegaram à fase do mata-mata. Cinco entre 16. Cinco que, mesmo aos trancos e barrancos, mostravam ser superiores às demais forças. O prognóstico havia sido quase todo ratificado após a rodada de ida das oitavas de final – afinal de contas só o Grêmio tinha tropeçado -, mas não é que a vaca deitou? Contra todas as expectativas, Peñarol, Libertad e Once Caldas bateram Inter, Fluminense e Cruzeiro e avançaram às quartas de final. Juntando com o triunfo da Universidad Católica sobre o tricolor gaúcho, está mais do que provado: Sí, se puede.

Foi justamente a Universidad Católica que deu a letra para os demais clubes da América do Sul mostrarem que, mesmo com todo o poder econômico dos clubes brasileiros e a habilidade dos jogadores daqui, é possível triunfar. Após a vitória por 2 a 1 em pleno Olímpico contra o Grêmio, o técnico de La UC, José Antonio Pizzi, disse que seu time jogou de igual para igual contra os gaúchos. Foi assim que os chilenos venceram, foi assim que o Peñarol voltou para o segundo tempo contra o Inter, foi assim que o Once Caldas seguiu acreditando em um improvável triunfo contra o Cruzeiro e foi assim que o Libertad não perdeu a calma em nenhum minuto dos 180 disputados contra o Fluminense.

Mais do que tomar a iniciativa do jogo, atuar de igual pra igual significa entrar dentro de campo com uma mentalidade vencedora, longe do complexo de que os times brasileiros são inalcançáveis para os meros mortais dos países vizinhos – como inclusive jogadores das próprias equipes e a imprensa daqui acreditaram.

Antes do jogo contra o Flu, Gregório Pérez, técnico do Libertad disse à imprensa paraguaia: “Estou tranquilo para o jogo. Devemos jogar com equilíbrio para que não sejamos surpreendidos, pois temos as armas necessárias para reverter esse resultado”. Durante o jogo contra o Cruzeiro, Wason Rentería lutou por cada bola e partiu pra cima da defesa adversária em todas as oportunidades. Após o jogo contra o Internacional, Diego Aguirre, técnico do adversário afirmou: “Isso é Peñarol!”.

Claro que só atitude não ganha jogo – isso ficou mais do que provado depois que “guerreiros” e “imortais” fracassaram de forma retumbante em seus esforços -. Por isso também devem ser dados os louros da vitória e os méritos às atuações, futebolísticas, de Universidad Católica, Peñarol, Libertad e Once Caldas.

La UC ganhou o confronto com o Grêmio em Porto Alegre, mas mesmo assim manteve a postura fora de casa. Com Mirosevic retornando em grande forma e a consistência e entrosamento do meio de campo fazendo a diferença, ficou claro: o tricolor gaúcho não ameaçou a supremacia chilena em nenhum momento. No Beira-Rio, depois de um primeiro tempo ruim, Diego Aguirre decidiu trocar o 4-4-2 em duas linhas do Peñarol por um 4-2-3-1, com Martinuccio bem aberto à esquerda. O argentino não teve a menor dúvida e com 15 segundos partiu pra cima de Nei e companhia, tabelou com Olivera e abriu o placar. Menos de quatro minutos depois, foi a vez de Aguiar avançar pela esquerda e cruzar na cabeça de Olivera.

No Paraguai, o Libertad não se afobou. Depois de um primeiro tempo de boas chances, mas sem nenhum gol, a equipe voltou para o segundo tempo da mesma forma; pressionando a saída de bola do adversário e empurrando o Fluminense para dentro de sua própria área. Foi assim que saiu o primeiro tento, com Rojas chutando de fora da área sem marcação, e o segundo, com Samúdio aproveitando bola desviada para mandar pras redes. O terceiro foi consequência de um Flu desesperado e sem consistência.

Por fim, o Once Caldas enfrentou um Cruzeiro irreconhecível. Liderado por Wason Rentería e contando com a inventividade e visão de jogo do técnico Juan Carlos Osorio, que colocou o zagueirão Henríquez lá na frente para escorar a bola para os atacantes, o Once não aproveitou a vantagem númerica após a expulsão de Roger, mas mesmo assim triunfou. O primeiro gol saiu de escanteio e o segundo justamente com Henríquez escorando para Pajoy. O jogador perdeu um gol incrível, mas Dayro Moreno salvou a pátria e fechou o caixão cruzeirense.

Explicar por que raios os brasileiros não fizeram nem uma coisa nem outra – não jogaram com a atitude necessária, nem fizeram dentro de campo o que deles se esperava – é outro mistério que essa coluna não vai tentar explicar e que talvez nem tenha explicação mesmo. No entanto, é bom que se diga: nem Cruzeiro, nem Grêmio, nem Fluminense e nem Inter perderam seus jogos. Once Caldas, Universidad Católica, Libertad e Peñarol é que ganharam.

Os brasileiros lamentam, o continente agradece. Nas últimas seis Libertadores, apenas em 2008 o Brasil teve menos de dois representantes nas semifinais. Naquele ano, no entanto, o Fluminense chegou à final. Em 2011 o melhor que o país pode conseguir é um representante entre os quatro melhores, sendo o Santos campeão ou não. Ufanismos e anti-brasileirismos à parte, é um vento revigorante de mudança, necessário para que o continente siga competitivo e desenvolvendo seu futebol.

Mais da Libertadores

Não deixa de ser decepcionante a eliminação do Junior Barranquila. O resultado de 1 a 1 no México havia sido ótimo, mas a equipe colombiana não soube administrá-lo, nem no agregado e nem no jogo na Colômbia, já que por três vezes esteve à frente do placar, mas deixou o Jaguares empatar por 3 a 3. Mais uma prova que concentração e espírito copeiro são pré-requisitos para disputar o maior torneio do continente.

Também foi decepcionante o desempenho da LDU nos dois jogos contra o Vélez. Em que se pese o fato de que esse é o pior time dos equatorianos desde 2008, nada justifica perder de 3 a 0 na Argentina e 2 a 0 na altitude de Quito. Na realidade, faltou atitude aos jogadores de La Liga, que nem impuseram dificuldades ao Fortín.

No outro jogo da quinta-feira o Cerro Porteño contou com a loteria dos pênaltis para avançar de fase. Mesmo precisando só de 1 a 0, a equipe paraguaia cansou de perder gols e por pouco, mas muito pouco mesmo, também não voltou pra casa mais cedo. Não fosse o rigor do árbitro Oscar Ruíz, que mandou voltar o pênalti perdido por Cáceres, o Ciclón estaria se lamentando até agora pela derrota ante o Estudiantes.

Confira os confrontos das quartas de final da Libertadores

Once Caldas x Santos
Jaguares x Cerro Porteño

Libertad x Vélez Sarsfield
Peñarol x Universidad Católica

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Equipe Trivela

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