América do Sul

Seleção colombiana demite Carlos Queiroz, uma escolha que nunca pareceu fazer sentido

Durou pouco a aventura de Carlos Queiroz como treinador da seleção colombiana. Nesta terça-feira, a Federação Colombiana de Fútbol (FCF) oficializou a saída do técnico português, após entrarem em acordo pela rescisão do contrato. Contratado em 7 de fevereiro de 2019, estava prestes a completar um ano e 10 meses no cargo. Embora um técnico renomado e que tenha ganhado prestígio no seu último trabalho, a escolha do português pareceu não fazer muito sentido pela forma como seus times sempre jogaram.

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Queiroz é muito conhecido pelo seu trabalho na seleção iraniana, onde fez ótimas apresentações, especialmente nas Copas de 2014 e 2018. Ficou na seleção asiática de 2011 a 2019. Antes, o técnico português já tinha acumulado muita experiência. Foi técnico da seleção portuguesa em 1991 até 1993, passou também pelas seleções de Emirados Árabes Unidos, África do Sul, foi assistente de Alex Ferguson no Manchester United e até comandou o Real Madrid em uma temporada, 2003/04. Voltou à seleção portuguesa em 2008, comandando o time na Copa de 2010, antes de trabalhar pelo Irã.

Seu estilo de jogo, com uma defesa muito rígida e sofrendo poucos gols, parecia combinar pouco com o futebol colombiano e os jogadores que há por lá. Com muitos talentoso ofensivos, o time ia bem com José Pekerman, um técnico notoriamente ofensivo. Queiroz tentou se adaptar, montar times um pouco mais ofensivos, mas o futebol ficou abaixo do esperado. Pior ainda: nem a defesa, tão aclamada no trabalho anterior do treinador, rendeu, como os resultados mostraram.

Foram 18 jogos no comando dos Cafeteros. A estreia foi em 22 de março de 2019, em um amistoso contra o Japão, vencido pelos colombianos. Jogou a Copa América 2019, no Brasil, mas foi eliminado nas quartas de final pelo Chile, nos pênaltis, depois de um 0 a 0 no tempo normal e prorrogação.

Nas Eliminatórias da Copa, que começaram em outubro, o desempenho vinha sendo ruim. A estreia foi com vitória por 3 a 0 sobre a Venezuela em casa. Foi a única. Na rodada seguinte, empate com o Chile em Santiago por 2 a 2.

Na última data Fifa, o desempenho foi terrível. Em casa, perdeu para o Uruguai por 3 a 0, antes de ser goleado por 6 a 1 fora de casa. Os dois resultados, com um desempenho terrível, foram cruciais para a decisão de demissão. No total, foram dos 18 jogos, foram nove vitórias, cinco empates e quatro derrotas, com aproveitamento de 59,2%. Foram 22 gols marcados e 18 sofridos.

“A Federação Colombiana de Fútbol e o diretor técnico Carlos Queiroz entraram em acordo pela continuidade do treinador à frente da seleção colombiana masculina principal”, diz o comunicado da FCF. “Para a FCF foi um orgulho contar com ele durante quase dois anos, nos quais nos brindou com sua capacidade de trabalho, conhecimento e experiência, da qual vinha procedido internacionalmente”, diz ainda o texto.

Embora as palavras sejam respeitosas, os relatos em relação ao trabalho do técnico eram de embate com os jogadores. “Houve jogadores da seleção que fizeram educadamente sugestões táticas a Carlos Queiroz. Um deles foi David Ospina, que, em tom cavalheiresco, com as melhores intenções do mundo e de forma construtiva, falou com o treinador em situações de jogo, mas não como eles disseram que tinha sido uma reclamação e um conflito também foi gerado entre os dois. Isso é falso”, contou o diretor da Gol Caracol, Javier Hernández Bonnet, na emissora colombiana.

Já no dia 20 de novembro, Bonnet afirmou que Queiroz negociava a sua saída do cargo com a Federação Colombiana. O jornalista afirmou que estava pendente uma reunião de Reinaldo Rueda, atualmente técnico da seleção chilena e que poderia deixar o cargo para ser a primeira opção para ocupar o posto. Isso mudou nos últimos dias.

Os favoritos a assumirem são colombianos. Luis Fernando Suárez, 60 anos, que foi técnico de Equador na Copa 2006 e Honduras na Copa 2014, é um dos nomes. Seu último time foi o Junior, em Barranquilla.

Outro nome é de Juan Carlos Osorio, de 59 anos, que dirigiu a seleção mexicana na Copa 2018.  Passou rapidamente pela seleção do Paraguai e estava no Atlético Nacional, de onde foi demitido no início de novembro.

Hernán Darío Gómez, 64 anos, é outro nome especulado. Dirigiu a Colômbia na Copa de 1998, além da seleção equatoriana de 1999 a 2004, novamente uma rápida passagem pela Colômbia de 2010 a 2011. Foi técnico do Panamá de 2014 a 2018 e do Equador de 2018 a 2019.

Jorge Luís Pinto, 67 anos, é mais um candidato. Esteve na Copa 2014 comandando a Costa Rica. Trabalhou também na seleção de Honduras. Deixou a seleção dos Emirados Árabes Unidos recentemente, depois de resultados ruins.

Há também nomes estrangeiros especulados. José Pekerman, 71 anos, dirigiu a seleção colombiana nas Copas 2014 e 2018, com bom desempenho. É um candidato natural ao cargo, já que é muito querido pela torcida. Há nomes menos possíveis, como Jorge Sampaoli, de 60 anos, que dificilmente deixaria o trabalho no Atlético Mineiro, onde briga pelo título brasileiro, para dirigir a seleção Cafetera neste momento. Até Rafael Dudamel, antecessor de Sampaoli e ex-técnico da Venezuela, foi falado, mas é pouco provável que seja escolhido.

A Colômbia só volta a jogar na próxima rodada das Eliminatórias da Copa, no dia 25 de março. Terá o adversário mais difícil possível neste momento: o Brasil, que venceu os quatro primeiros jogos da competição e lidera com folga a corrida por vagas na Copa 2022. O jogo está marcado para Bogotá. Na rodada seguinte, no dia 30 de março, os colombianos vão até Assunção para enfrentar o Paraguai.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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