América do SulSul-Americana

Santa contou com herói improvável e eliminou o Sport no primeiro duelo internacional

Pela primeira vez na história centenária do clássico, Sport e Santa Cruz extrapolaram as fronteiras. Os duelos pela Copa Sul-Americana inauguraram uma era internacional na rivalidade. Mas que, no fim das contas, seguiu o ritmo do que se acostumou a ver nos estaduais durante os últimos cinco anos. Se os tricolores se impõem sobre os rubro-negros nos jogos decisivos do Pernambucano desde 2011, o mesmo se repetiu no torneio continental. E de uma maneira dramática. Com um gol aos 37 do segundo tempo, anotado por um personagem improvável, o Santa venceu por 1 a 0 e avançou às oitavas de final, depois do placar zerado na ida. Pegará Sportivo Luqueño ou Independiente Medellín.

Bruno Moraes sequer seria relacionado para o jogo, depois de ficar de fora das duas últimas partidas do Santa Cruz. Sua inclusão na lista foi ao acaso, diante da lesão de Wallyson. E a entrada em campo também se acelerou por uma infelicidade, com Grafite retirado de maca após um choque de cabeça, durante o segundo tempo. Pois se o veterano passa por uma má fase, acumulando 11 partidas em jejum, o substituto teve sorte o suficiente. O rebote de Magrão sobrou livre em seu pé, na pequena área. Bruno abusou da marra ao virar a cara na hora de chutar, a la Ronaldinho, com a certeza de que nem precisava olhar para as redes. Terminou a noite como herói da torcida coral.

Em situação bastante difícil no Brasileiro, o Santa Cruz tem a perspectiva de fazer história na Copa Sul-Americana. O confronto será complicado, principalmente se o Independiente Medellín confirmar a vantagem sobre o Sportivo Luqueño. De qualquer forma, não custa arriscar. Se a Chapecoense ficou próxima de um feito enorme no ano passado, ou Ponte Preta e Goiás em outras ocasiões, os tricolores estão no direito de sonhar. Em um torneio de mata-mata, no qual a pressão do ambiente influencia, o Arruda pode agigantar os pernambucanos.

A se lamentar nesta quarta, apenas o péssimo público na Arena Pernambuco. Fazer os dois clássicos no estádio anulou o fator casa e nem contou com apelo junto às torcidas. No jogo decisivo, foram apenas 6,5 mil pagantes. Os problemas do estádio, especialmente pelas dificuldades no transporte, são mais do que conhecidos. Ainda assim, impressiona a incapacidade de encher as arquibancadas mesmo em um encontro inédito e de tamanho calibre.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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