América do Sul

Rumo à ressureição

O grito estava entalado na garganta dos uruguaios há tempos. Apaixonados pelo futebol, os torcedores observavam a Celeste viver um marasmo de conquistas e bons resultados. A última grande conquista havia sido a Copa América de 1995, dali em diante nada… Foi só em junho de 2010, 15 anos – de muito sofrimento e decepções – depois, que o povo uruguaio pôde calmar, sem nenhum ressentimento, o orgulho de torcer por sua seleção.

O quarto lugar na Copa do Mundo e a escolha de Diego Forlán como melhor jogador do torneio revigoraram a força do futebol no país. Na última quarta-feira outra barreira foi quebrada.

Após 84 anos de ausência, o Uruguai disputará novamente as Olimpíadas. A classificação veio dos pés dos meninos do sub-20, que bateram a Argentina por 1 a 0 no Sul-Americano da categoria e garantiram uma vaga em Londres 2012 por antecedência. Com o resultado, a Celeste volta a ser Olímpica, por assim dizer. O apelido surgiu após as duas medalhas de ouro conquistadas pelo Uruguai nos Jogos de 1924 e 1928. Depois vieram as duas Copas – em 1930 e 1950 -, e o longo período marcado por glórias apenas no continente.

O triunfo do Uruguai no Sul-americano Sub-20 também serviu para desentalar o grito dos próprios garotos. Em 2007 boa parte desses meninos foi eliminada da briga pelo título do Sul-Americano Sub-15 justamente pelos argentinos. Em 2009, no Sub-17, as duas equipes geração /92 e /93 voltaram a se enfrentar e a Argentina novamente se deu melhor, garantindo uma vaga na decisão do torneio.

Além disso, na última vez que o Sul-Americano Sub-20 valeu vaga nas Olimpíadas, em 2007, para os Jogos de Pequim, o Uruguai também perdeu sua classificação na última rodada, contra os argentinos.

Daquele time, aliás, saiu um uruguaio que também encarna muito bem esse espírito de ressureição do futebol charruá: Edinson Cavani. Hoje no Napoli, e artilheiro do Calccio, El Matador foi o nome do Sul-Americano de 2007, marcando 7 gols e sendo logo depois vendido para o futebol italiano, para o Palermo.

Também por causa do bom desempenho de Cavani em terras italianas, quatro jogadores deste time do Uruguai já estão no futebol europeu: o lateral esquerdo Diego Polenta, no Genoa, o zagueiro Cabrera, no Recreativo Huelva, os meias Cepellini e Gallegos, no Cagliari e no Atlético de Madrid, respectivamente, e o atacante Pablo Rodríguez, no Bologna – emprestado pelo Genoa. Quem em breve deve rumar pra lá também é o meia Adrián Luna, melhor jogador uruguaio no torneio e um dos destaques da competição.

Ou seja, a geração que chegará a 2012 terá rodagem europeia e bom futebol. Até porque, além deles, também devem compor a equipe olímpica do Uruguai nomes como Nicolas Lodeiro, meia que disputou o Mundial da África do Sul e joga no Ajax, Matías Aguirregaray, zagueiro do Terrazas, da Espanha, Maurício Pereyra, volante que já foi vendido ao Parma, e o atacante Abel Hernández, do Palermo.

A Celeste também poderá, é claro, chamar três atletas acima dos 23 anos e a empolgação é tanta com esse retorno aos Jogos Olímpicos que muitos sites e jornais uruguaios já fizeram enquetes para saber os preferidos da galera. Cavani, Luís Suárez, Diego Forlán e Lugano são os mais votados. Eles também são grandes responsáveis por reerguer a mística dos uruguaios fora do continente, atuando em equipes de ponta e com ótimos desempenhos. 2012 promete…
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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