América do Sul

“Ruas com sangue, campos sem futebol”: jogo no Chile é suspenso dias após torcedor morrer atropelado pela polícia

A morte de um torcedor do Colo-Colo, atropelado pela polícia depois de um jogo contra o Palestino, na última terça-feira, jogou gasolina na fogueira da sociedade chilena, irritada com o governo desde o fim do ano passado, quando o aumento da passagem do transporte público deu início à onda de protestos mais violenta no país desde a redemocratização, e nesta sexta foi responsável pela paralisação de mais uma partida do torneio nacional.

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Os protestos impediram que a última edição do Campeonato Chileno cumprisse todas as suas rodadas. Com seis faltando, a Universidad Católica foi declarada campeã. A nova temporada começou no último fim de semana e, logo na segunda rodada, houve mais problemas com a invasão de campo de torcedores do Coquimbo Unido por volta dos 17 minutos do jogo contra o Audax Italiano.

Segundo , dezenas de torcedores cobrindo o rosto invadiram o gramado, entoando gritos contra o governo, quebraram câmeras da transmissão oficial e agrediram alguns repórteres que se aproximavam para registrar o que estava acontecendo. Carregaram uma faixa que dizia “ruas com sangue, campos sem futebol”, e a partida foi suspensa pelo árbitro.

Na terça-feira, um torcedor de 37 anos chamado Jorge Mora foi atropelado nos arredores do Estádio Monumental David Arellano, onde o Colo-Colo havia vencido o Palestino, por 3 a 0. De acordo com o La Tercera, estava sendo apedrejado por fãs do time local. A polícia alega que o ônibus precisou seguir em frente senão “talvez estivéssemos agora lamentando as mortes dos funcionários”.

Ao longo da semana, a violência tomou conta das ruas de Santiago, onde 20 estações de polícia foram atacadas com coquetéis molotov, com um morto e 49 policiais feridos, segundo a Reuters. Outro homem morreu atropelado por um ônibus que teria sido sequestrado. Estações de metrô e linhas de ônibus tiveram que ser fechadas. Nesta sexta-feira, um homem morreu envenenado por monóxido de carbono após fogo ser ateado contra um supermercado, de acordo com a AFP.

Esta sexta-feira também foi palco de um grande protesto na Praça Baquedano, aonde grupos organizados de torcedores da Universidad de Chile e do Colo-Colo chegaram carregando faixas. A presença das barras do futebol local tem sido muito forte desde o início das manifestações, no último mês de outubro, o que também influenciou na paralisação do Campeonato Chileno.

Os manifestantes expressaram luto com lenços pretos pendurados na estátua do general Manuel Baquedano. Houve enfrentamentos entre a polícia e manifestantes nos arredores. Os oficiais da lei usaram gás lacrimogêneo e jatos de água contra a multidão, segundo o relato do La Tercera.

O retorno da violência às ruas do Chile coloca em xeque o restante da realização da segunda rodada do torneio nacional, programada para a noite desta sexta-feira, sábado, domingo e segunda-feira. E na próxima terca-feira, a Universidad de Chile recebe o Internacional pelo jogo de ida da segunda fase da Libertadores.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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