Ramón Díaz: o caudilho com um plano para matar uma pulga
Por Andrés Lasso Ruales
Simular um ataque era o seu principal segredo para logo fugir. A ideia era confundir seus inimigos, que ficariam procurando o exército, e em seguida enviar uma tropa reserva para atacar os soldados adversários pelas costas. Essa foi a tática do general riojano Juan Facundo Quiroga (1788-1835), segundo o historiador argentino Alexander Fensore. Quiroga não gostava de perder e adorava desafios, como explica o escritor e ex-presidente argentino Domingo Faustino Sarmiento (DFS), na sua obra Facundo ou Civilização e Barbárie:
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“A besta, esticada por dois laços, não poderia fugir rápido do esfaqueamento das facas com a vingança de sua prolongada agonia, que traspassou o que ia ser sua vitima. ‘Então soube o que era ter medo’, disse o general Juan Facundo Quiroga, contando a um grupo de seus oficiais. Foi quando recebeu o apelido de ‘O Tigre das planícies’ e não ficava mal com essa denominação.”(Facundo ou Civilização e Barbárie, p. 92, DFS)
Vamos ficar longe do livro do Sarmiento para não mergulhar em outros assuntos e vamos falar de futebol. As pessoas nascidas na província de La Rioja são conhecidas por serem corajosas, valentes e guerreiras incansáveis. Talvez seja por isso que na sua última temporada como treinador do time para o qual torce, o River Plate, Ramón Ángel Díaz tenha libertado uma frase ao vento: “Sou riojano, caudilho, adoro desafios e o que faço provavelmente vou continuar fazendo”. Conquistou oito títulos nacionais com o River Plate e San Lorenzo, além de dois internacionais com o time de ‘Núñez’.
Atualmente, está na seleção paraguaia, que treina desde o final de 2014. Em apenas seis meses, começou a construir um time veloz que quebra um pouco a tradição dos times paraguaios que ficam esperando os seus rivais. O riojano gosta de desafios, mas ao contrário do caudilho Quiroga e sua lenda com o tigre, Ramón enfrentará uma extraterrestre pulga atômica, que quando aparece consegue ser mais eficaz que um drone.
A primeira partida do Paraguai na Copa América será contra o time argentino de um conhecido do povo paraguaio: Tata Martino. Talvez Ramón queira dirigir o melhor do mundo e a seleção do seu país. Por isso, largou o moletom de clubes para se aventurar a dirigir a seleção paraguaia. Percorreu o mesmo caminho de Martino, anos atrás. Coincidência? Ou desejo?
A coragem, a força e a experiência parecem ser as armas do treinador riojano para enfrentar a pequena ‘besta’ que conquistou a Europa e o planeta. Uma combinação de soldados de mil batalhas como Roque Santa Cruz, Justo Villar, Miguel Samudio, Nestor Ortigoza, Nelson Haedo e Lucas Barrios serão a base para a Copa América.
Quantas perguntas terá Ramón Díaz na cabeça antes do jogo contra a Argentina? Uma delas com certeza será sobre como marcar o melhor do mundo. As semanas passadas mostraram que parar Messi é impossível, mas há esperanças. Ninguém notou no 3 a 1, placar talvez um pouco injusto que o poderoso Barcelona aplicou na Juventus de Allegri, mas o jeito de marcar do time bianconero foi uma defesa por zona. Pogba, um homem de 1,88 metros, foi o encarregado de perseguir Leo, sempre pelas costas, para tentar tirar a bola dele. Apenas algumas vezes o menino de ouro de Rosário conseguiu fugir do seu perseguidor.
O meio-campo do time paraguaio quase certamente será formado por Ortigoza, Cáceres e Victor Ortiz. O primeiro, que tentará resistir ao ataque argentino, sabe marcar e também armar o jogo. Cáceres é um cão de caça, com 1,86 metros e a resistência de um maratonista. Sabe chutar com os dois pés e, sobretudo, sabe bater. Melhor dizendo: é um artista da “falta sistemática”. O meia do Flamengo será o ‘Pogba’ de Diáz para frear Messi. Por outro lado, Ortiz é a arma de dois fios. Marcará o camisa 10, mas também pode armar.
O mestre argentino gostar de jogar com atletas pelos lados do campo no setor ofensivo, e mostrou um Paraguai ousado nos amistosos contra a Costa Rica, Honduras e México, apesar da derrota:
Sem dúvida, o jogo contra a Argentina, em La Serena, será uma batalha para Díaz. Ele gosta de ganhar e está ciente de que seus jogadores devem ser disciplinados na linha de batalha, que serão os três quartos do gramado na frente da sua área. Seus zagueiros, assim como seus três meias, ficarão refugiados, e Cáceres caçará Messi. Assim como o Caudilho riojano que fugia para em seguida atacar pelas costas, os onze paraguaios de Ramón Díaz vão atacar a indomável pulga atômica pela retaguarda. O ex-treinador do River Plate é teimoso como um general e persiste até a morte em busca do sucesso.
“Todos os argentinos sabem quem eu sou e em qualquer jogo eu vou tentar ganhar”, um dia disse Ramón Diaz.



