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Pior do que a eliminação foi o futebol que o Brasil não apresentou na Copa América

Ser eliminado nas quartas de final da Copa América é sempre duro para o Brasil. Em um continente em que claramente é uma das potências, a exigência é que se chegue mais longe, mas ser eliminado é parte do jogo. O pior de tudo para o Brasil nesta Copa América de 2015 é o futebol muito fraco apresentado. Neste sábado, o 1 a 1 com o Paraguai veio com a seleção brasileira jogando muito pouco, tendo apenas lampejos de algum futebol. Sem muita organização em campo, com pouca criação de jogadas, o Brasil não teve forças para ameaçar, de verdade, o Paraguai. A eliminação nos pênaltis pode acontecer, mas o futebol apresentado é o mais decepcionante da campanha. Deixa uma preocupação para o que virá a seguir.

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O começo do jogo do Brasil foi bom, tentando tocar a bola e se manter com posse no campo de ataque. Foi assim que abriu o placar com Robinho, aos 15 minutos do primeiro tempo. Ele mesmo começou a jogada, que passou por Elias e chegou a Daniel Alves na direita. O lateral do Barcelona cruzou rasteiro, a bola passou por todo mundo e Robinho mandou para as redes.

Era um início como o Brasil queria. Passou a dominar o jogo com tranquilidade nos minutos seguintes. Tranquilo, o Brasil administrava o jogo, mas pouco chegava a gol. E sem forçar para marcar o gol, o Brasil deu um pouco mais de campo ao Paraguai, que aproveitou. Colocou o time um pouco mais à frente e passou a ameaçar o gol do Brasil. Não tanto a ponto de empatar, mas o suficiente para a seleção brasileira correr riscos.

O segundo tempo veio, mas o futebol continuava bem pouco atraente. O Paraguai quase não existiu no ataque no primeiro tempo, ainda que tenha até chutado mais (três vezes, contra duas do Brasil. Sim, só isso). O Brasil teve pouco mais de 60% de posse de bola no primeiro tempo, mas o segundo teve o Paraguai um pouco mais agressivo, tentando chegar.

Em uma bola cruzada na área, Thiago Silva subiu com os braços levantados e tocou com a mão na bola. Pênalti marcado pelo árbitro Andrés Cunha. Derlis González, camisa 10 paraguaio, cobrou bem, sem chance para o goleiro Jefferson: 1 a 1 no placar, aos 27 minutos de jogo na segunda etapa.

O Brasil imediatamente mudou de postura. Passou a avançar o time, pressionar no ataque, tentar criar alguma coisa. Tentou, mas não criou nada. Terminou o jogo com seis chutes a gol. O Paraguai terminou com 11. A posse de bola, embora maior (54,5% contra 42,5% do Paraguai), não levou a nada.

Nos pênaltis, o Brasil caiu diante do Paraguai novamente. Dois jogadores perderam os pênaltis nas séries de cinco: Éverton Ribeiro e Douglas Costa chutaram para fora. O Paraguai só errou um, com o artilheiro e capitão Roque Santa Cruz. Quem cobrou o último pênalti foi Derlis González, que tinha marcado o gol paraguaio exatamente em uma cobrança de pênalti.

As Eliminatórias para a Copa do Mundo começam no segundo semestre. Dunga terá muito trabalho. Precisa organizar um time que rende muito pouco e cria menos ainda. Se render ao discurso fácil que a geração é ruim é só desviar do problema. Há jogadores para jogar melhor, já que o Paraguai e a Colômbia, que venceram o Brasil, não são times melhores. O time jogou muito mal. A perspectiva não é boa. Será preciso melhorar muito para que a seleção tenha uma caminha tranquila rumo à Copa de 2018.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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