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Para levar a Sul-Americana, São Paulo precisa evitar montanha russa como em Guaiaquil

Um dos motivos que nos faz gostar de futebol é a sua imprevisibilidade e sua enorme capacidade de grandes emoções. Dá para dizer que os apaixonados por futebol são viciados em emoção. O que o torcedor do São Paulo passou na noite de quarta-feira foi mais uma noite dessas, de muita emoção. O time em campo foi uma montanha russa de emoções e acabou em um emocionante 3 a 2 para o Emelec, com os equatorianos pressionando até o final por um gol. Uma dose cavalar de adrenalina, mas que poderia ter custado muito caro ao time.

FICÇÃO: O Nordeste virou URSA e é hora do início das Eliminatórias sul-americanas
TÍTULO: A Copa do Brasil deixou de ser mero trampolim para receber a grandeza que sempre precisou ter
EMOÇÕES: Uma noite inesquecível garantiu o maior Atlético x Cruzeiro da história

Logo no primeiro lance do jogo, gol do Emelec. Bobeira da zaga são-paulina que Bolaños aproveitou para marcar 1 a 0, com 30 segundos. Pior cenário possível para quem tinha uma vantagem a segurar, porque empolga o time da casa para uma pressão gigante. E foi o que aconteceu nesses primeiros 20 minutos de jogo. O Emelec, empolgado, dava um sufoco no São Paulo, jogando o tricolor para dentro do próprio campo. Mesmo sem ter nenhum grande jogador, o Emelec tinha a vontade para pressionar.

O São Paulo não conseguia atacar, o que é um grande problema, porque é onde estão os talentos do time. Em campo, Michel Bastos, Kaká e Ganso dividiam a armação, com Alan Kardec mais à frente. Conseguiu chegar ao ataque pela primeira vez aos 28 minutos, em uma cobrança de falta de Michel Bastos. O camisa 7 levantou na área, Paulo Miranda ajeitou de cabeça e Alan Kardec, sozinho, finalizou de voleio para empatar. Um gol que nem era merecido, mas que deu ao São Paulo uma tranquilidade enorme.

A água fria do gol desanimou um pouco a torcida e o time do Emelec. O time tentava, ainda com um certo ímpeto, mas sem a mesma confiança. Quando, aos 40 minutos, um novo lance mudou o jogo de novo. Michel Bastos puxou o contra-ataque, tocou para o volante Souza, que se apresentou no ataque. Ele tocou rasteiro para dentro da área, onde estava Kaká. Ele girou bem em cima do zagueiro e abriu do lado esquerdo para Ganso, que chegava com mais liberdade para tocar para dentro, pressionado pela marcação. O São Paulo saltava na frente, 2 a 1, ampliando a vantagem no placar agregado para 6 a 3. Tranquilidade para o time, que poderia só controlar o jogo no segundo tempo.

O primeiro jogo, porém, deveria ter deixado alguma lição ao São Paulo. No Morumbi, na semana anterior, o time equatoriano voltou do intervalo com a faca nos dentes e saiu de um cenário de 3 a 0 para 3 a 2. O São Paulo não aprendeu a lição. Mais do que isso, levou um pouco de emoção ao seu torcedor. Afinal, quem tem Paulo Miranda na zaga e Álvaro Pereira na lateral sempre está sujeito a pênaltis estúpidos e patacoadas estapafúrdias.

A três minutos do segundo tempo, Paulo Miranda cometeu pênalti e Bolaños empatou o jogo em 2 a 2. Aos sete minutos, outro pênalti, desta vez de Álvaro Pereira, em um toque imprudente com a mão na bola. Bolaños, de novo, tocou a bola da marca da cal para o fundo das redes. Delírio em Guaiaquil. Se em Belo Horizonte a torcida do Galo bradava o “Eu acredito”, na cidade equatoriana os elétricos – Emelec é o nome de uma empresa de energia elétrica, a Empresa Eléctrica del Ecuador – acreditavam em um choque no visitante para chegar ao gol que levaria no mínimo aos pênaltis, talvez o clímax de qualquer emoção futebolística. E havia tempo para isso.

Muricy Ramalho, vendo o time acuado, tentou alterações. Tirou de campo Álvaro Pereira, que corria riscos do seu lado, para colocar em campo Ademilson. Com isso, recuou Michel Bastos para a lateral esquerda. Mais emoções, já que Michel Bastos tem por característica a velocidade e o excelente chute a gol, não a marcação, ainda mais em um momento que o time é pressionado no campo de defesa.

Foram 14 chutes a gol do Emelec contra só três do São Paulo. Rogério Ceni teve que intervir em ao menos três lances para evitar o pior. Em outros lances, contou com a sorte. Afinal, foram duas bolas na trave e cinco para fora – uma delas em uma chance incrível perdida por Ángel Mena. Muricy ainda colocou em campo Osvaldo no lugar de um esgotado Kaká, que praticamente só marcou no segundo tempo, já que o São Paulo pouco teve a bola. A pressão foi intensa e o Emelec não deixou de acreditar na possibilidade de levar a disputa para os pênaltis, o que seria uma enorme injeção de ânimo. Para o São Paulo, chegar aos pênaltis seria terrível.

Muricy, esperando ganhar tempo e também reforçando a defesa, tirou Alan Kardec já aos 43 minutos do segundo tempo para colocar o zagueiro Lucão. Foram mais alguns minutos de pressão, com acréscimo de cinco minutos. Sufoco, suor e ranger de dentes, mas o São Paulo sobreviveu. Vai à semifinal da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional. Uma batalha que deve ser desgastar mais ainda o time, mas quem vai longe nas competições tem que saber que essa é uma consequência natural. O calendário é mal feito, os jogos irão se encavalar e a disputa no Brasileirão também irá esquentar.

O São Paulo não pode viver nessa montanha russa o tempo todo. Contra o Emelec, foi suficiente para avançar na bacia das almas. Contra um time um pouco melhor tecnicamente, como é o caso do Atlético Nacional, a história pode ser outra. Ao contrário da sua primeira conquista da Sul-Americana, em 2012, o São Paulo só terá adversários tradicionais se chegar ao título. Nas quartas de final do outro lado, o Boca Juniors venceu o primeiro jogo do Cerro Porteño por 1 a 0 e enfrenta os paraguaios no estádio La Olla Azulgrana nesta quinta. A outr achave tem o River Plate e o Estudiantes, sendo que os Millonarios venceram o primeiro jogo, na casa do adversário, por 2 a 1. Fazem o jogo de volta nesta quinta no Monumental de Núñez. Para levantar novamente a taça, o São Paulo não poderá viver só da emoção. Precisa ter mais segurança. Porque ofensivamente o time já mostrou que é capaz de muita coisa.

Assista aos gols do jogo:

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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