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Os três grandes duelos entre Palmeiras e Peñarol na história da Libertadores

As bolinhas do sorteio pularam de um lado para o outro e colocaram dois campeões da Libertadores no Grupo 5. O Palmeiras não tem muito a reclamar do sorteio, até porque o Peñarol por uma grande fase e foi apenas 14º colocado no último Campeonato Uruguaio, mas o reencontro marcado para o primeiro semestre do ano que vem repete duelos marcantes entre os dois clubes ao longo das cinco décadas e meia da competição: uma semifinal, uma oitavas de final e uma decisão, com duas vitórias brasileiras e uma uruguaia, que relembraremos a seguir.

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1961

O embrião da Primeira Academia. O atual campeão da Taça Brasil. O clube que, dois anos antes, havia tirado o título paulista do Santos de Pelé e voltaria a fazê-lo outras duas vezes ao longo da década em que o rival da Baixada foi soberano no futebol do estado de São Paulo. O Palmeiras de Valdir, Djalma Santos, Valdemar Carabina e Julinho Botelho tinha todos os predicados para ganhar a Libertadores. No entanto, morreu na praia.

O Palmeiras começou sua primeira participação na história da Libertadores com duas categóricas vitórias sobre o Independiente, que viria a ser proclamado do Rei das Copas entre meados da década de sessenta e setenta. Venceu por 2 a 0 em Avellaneda e por 1 a 0 no Pacaembu. Na fase seguinte, enfrentou o Santa Fé, da Colômbia, e suou para arrancar um empate por 2 a 2, com gol de Chinesinho, aos 41 minutos do segundo tempo. Em São Paulo, 4 a 1 e a vaga na decisão.

O adversário metia medo. Era o Peñarol, campeão da primeira edição da Libertadores, no ano anterior, em busca de defender o seu título. No elenco, o equatoriano Alberto Spencer, maior artilheiro da história do torneio, o ótimo Luis Cubilla e o goleiro Luis Maidana, que na metade final daquela década defenderia a camisa do Palmeiras 30 vezes.

O visitante foi bem na partida de Montevidéu. Reclama de um pênalti não marcado em cima de Julinho Botelho e aguentou a pressão adversária até os 45 minutos finais, quando algo muito raro e extraordinário aconteceu: Djalma Santos errou. Recebeu de Valdir e tinha a opção de conectar Carabina, por dentro, ou Julinho, na ponta. Tentou dar uma cavadinha, mas pegou na bola com o bico da chuteira e acertou as costas do ponta Joya. Spencer ficou com a sobra e tocou na saída do goleiro para fazer 1 a 0 para o Peñarol.

“Foi a primeira vez que Djalma errou e foi a primeira vez que o vi triste”, afirmou Valdir ao livro Os Dez Mais do Palmeiras. Mas nem tudo estava perdido porque o Peñarol ainda precisaria resistir a 90 minutos no Pacaembu. O problema é que ele resistiu. Fez 1 a 0 com Sasía, logo aos 5 minutos, e o Palmeiras só conseguiu empatar aos 25 do segundo tempo, com Nardo.

A última bola da final da Libertadores de 1961 encontrou Valdemar Carabina, que a direcionou, com a cabeça, à meta de Maidana. No entanto, ela preferiu a trave às redes e, com um caprichoso raspão no poste, saiu pela linha de fundo junto com a chance de o Brasil fazer o seu primeiro campeão sul-americano.

1968

Se o Palmeiras ainda era um mero estudante em 1961, sete anos depois, quando voltou a disputar a Libertadores, já havia alcançado a excelência acadêmica. Havia superado o Santos de Pelé duas vezes no Campeonato Paulista, conquistado o Rio São-Paulo de 1965 e levantado o Roberto Gomes Pedrosa e a Taça Brasil de 1967. A equipe já tinha Dudu e Ademir da Guia, já tinha Servílio e Tupãzinho, o autor dos três gols alviverdes no duelo contra o Peñarol, pela semifinal do torneio sul-americano.

O outro lado tinha uns caras bons também: Elias Figueroa, o goleiro Ladislao Mazurkiewicz, Pedro Rocha e um já trintão Alberto Spencer, que disputava suas últimas temporadas pelo Peñarol antes de voltar ao Equador.

Havia um empecilho naquele ano. O Campeonato Paulista seria disputado no primeiro semestre, junto com a Libertadores, e o calendário daquela época era ainda mais caótico que o de hoje em dia. O Palmeiras teve diversos jogos do Estadual adiados por causa do torneio sul-americano e, quando retomou essa disputada, desgastado e diante de uma maratona de partidas, brigou contra o rebaixamento até a última rodada. Salvou-se em 11º lugar, com apenas um ponto a mais que os três últimos colocados – apenas o lanterna seria rebaixado. Foi um ano caótico, em que o Verdão teve quatro treinadores: começou o ano com Mário Travaglini, trocou-o por Julinho Botelho, apostou em Alfredo González e trouxe Filpo Núñez de volta.

Apesar de ter que dividir suas atenções com mais um torneio importante – na década de sessenta, o Paulista era muito importante -, o Palmeiras fez outra boa campanha em campos sul-americanos. Passou pela primeira fase invicto, com cinco vitórias e um empate contra Náutico, Deportivo Português e Deportivo Galícia. Depois, eliminou o Guaraní, do Paraguai, e a Universidad Católica para chegar à semifinal contra o Peñarol.

A revanche de 1961 foi mais fácil do que a encomenda. O Palmeiras venceu em São Paulo, com gol de Tupãzinho, e em Montevidéu, com outros dois tentos do atacante, garantindo passagem à decisão contra o Estudiantes. Duas participações na Libertadores, duas finais. Duas finais, dois vice-campeonatos: brasileiros e argentinos trocaram vitórias nas duas primeiras partidas, e o time de La Plata ganhou o desempate em Montevidéu.

2000

Palmeiras e Peñarol voltaram a se enfrentar na fase de grupos da Libertadores de 1973, com duas vitórias paulistas. Mas outro confronto decisivo como os dois anteriores só aconteceria no último ano do século 20, e muita coisa aconteceu nesse período. O clube paulista montou sua segunda Academia, ganhou quatro títulos brasileiros, passou por um jejum de títulos que se aproximou da maioridade e conquistou a Libertadores de 1999.

Atual campeão sul-americano, o Palmeiras tinha que lidar com uma nova realidade em 2000 porque a Parmalat estava de saída. A dupla de ataque formada por Oseias e Paulo foi desfeita. O zagueiro Cléber foi embora, assim como Evair, que havia sido mais reserva que titular no ano anterior, mas era um ídolo, líder e bandeira do clube.

Felipão remontou o time, apostando na velocidade de Euller e Basílio, com a qualidade de Alex no meio-campo, ainda protegido por Galeano e César Sampaio. Conquistou o título do Torneio Rio São-Paulo, com goleada por 4 a 0 na decisão contra o Vasco, atual vice-campeão mundial.

O Palmeiras encontrou com o Peñarol nas oitavas de final da Libertadores e perdeu em Montevidéu, por 2 a 0, gols de Pacheco e Bengoechea. Galeano foi expulso. Na volta, Marcelo Ramos foi às redes duas vezes, e os paulistas ganharam por 3 a 1, resultado que levou a disputa para a marca do cal. E em qualquer decisão por pênaltis naquela época, o Palmeiras tinha um trunfo, um santo, um goleiro.

Depois de Pacheco acertar a trave, Marcos pulou duas vezes para o canto esquerdo do gol da ferradura do antigo Palestra Itália para defender as cobranças de Aguirregaray e de Cedrés, classificando o Palmeiras às quartas de final e o mantendo no caminho do Corinthians, contra quem, nas semis, o goleiro voltaria a brilhar diante de Marcelinho Carioca.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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