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O Corinthians gastou a bola e avançou às oitavas com apetite que impressionou

Deveria ser apenas mais um jogo protocolar. Com a classificação garantida e a primeira colocação dependendo de um mero empate, o Corinthians jogava mais para melhorar a sua posição na classificação geral. Ou para manter o seu moral alto, como aconteceu. Pouco importou se Tite rodou o time e escalou alguns reservas diante do Cobresal. Os alvinegros não tiveram piedade na Arena Corinthians e amassaram os chilenos. Que se pese a fragilidade dos adversários, não dá para menosprezar os 6 a 0 no placar. Especialmente pelo ritmo imposto pelos corintianos, assim como pela beleza de suas jogadas.

Dá até para escolher qual a pintura mais bonita. Depois de Marlone abrir o placar, Ángel Romero caprichou para ampliar aos 13 minutos, em belíssima jogada individual. Marlone respondeu com uma acrobacia estonteante: matada no peito de cinema, fuzilada de voleio, sem qualquer chance para o goleiro. E o primeiro tempo ainda guardou o de Guilherme Arana, em chute de longe.  Já na segunda etapa, Elias completou a mostra de arte com uma grandiosa jogada coletiva, tabelando com Romero e dando um tapa por cima. Até que, aos 32, Romero fechasse a conta no mais fácil da noite, só empurrando para as redes. Ficou até a impressão de que os seis na conta saíram baratos.

Coletivamente, o Corinthians agrada. As peças foram trocadas, mas o sistema de Tite continua funcionando bem em grande parte das partidas. Nesta Libertadores, em uma chave que não apresentava tantos desafios, garantiu a supremacia sem maiores problemas. Só que a equipe também permite que as individualidades se sobressaiam. Pelas pontas, Marlone e Romero tiveram grande noite em Itaquera. Embora Luciano, o centroavante que passou em branco, merece menção pela maneira como trabalhou para abrir espaços aos companheiros e participou das jogadas. Volta a despontar como uma ótima opção para o 11 inicial.

Mesmo que a badalação não seja a mesma do último ano, especialmente depois de tantas vendas, o Corinthians se mantém forte. A falta de tarimba gera desconfianças, especialmente quando a equipe cruzar com adversários mais cascudos na Libertadores. De qualquer maneira, o futebol apresentado na maior parte da primeira fase qualifica para uma boa campanha. E ter opções numerosas no elenco serve de trunfo, tanto para mudar a forma de jogar a partir de suas peças quanto para manter o alto nível.

Nos mata-matas, o Nacional do Uruguai desponta como o provável adversário do Corinthians – em caso de uma improvável combinação de resultados, será o Deportivo Táchira. Um oponente de tradição, e que já deixou sua marca nos confrontos com o Palmeiras, durante a fase de grupos. Ainda assim, não dá para negar o leve favoritismo para os alvinegros. A seriedade, que faltou na última eliminação continental, acabou sendo um diferencial contra o visitante cambaleante desta quarta. Terá que se valer também contra quem vier. Somando isso ao bom toque de bola e a reconhecida consistência defensiva, o time de Tite soma predicados o suficiente para sonhar.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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