O choro de Suárez simboliza algo cada vez mais raro: o gosto de defender a seleção nacional

Luis Suárez não fez questão de esconder as lágrimas no Vicente Calderón. A expressão de preocupação do camisa 9 era evidente ao sair de campo na decisão da Copa do Rei, logo após lesionar a coxa. E desencadeou um choro sincero ao conversar com o médico, diante da incerteza sobre a gravidade da lesão. Ainda no banco de reservas, o centroavante se preocupou em ligar para a sua esposa. Reação que não diz tanto sobre o Barcelona, e sim sobre o futuro próximo. Suárez queria saber por quanto tempo pararia. Se poderia defender o Uruguai na próxima Copa América. Sentimento que se tornou concreto e se derramou na face do craque.
VEJA TAMBÉM: Os milagres de Suárez, o tipo de craque que a Copa adora
Ao longo dos últimos anos, Suárez sempre demonstrou o seu gosto por vestir a camisa celeste. Fez duas Copas do Mundo inesquecíveis. Na primeira, em 2010, foi do pranto pela expulsão contra Gana ao sorriso pelo pênalti perdido, que o alçou ao posto de herói nacional. Quatro anos depois, empenhou-se para recuperar a forma física e engolir a Inglaterra, em vitória dedicada ao fisioterapeuta Walter Ferreira. Até a infeliz mordida em Chiellini afastar o goleador do Mundial. Pior, sua inconsequência (e o rigor exagerado da Fifa) custou ainda a participação na Copa América de 2015. Grande destaque na conquista de 2011, Luisito não pôde nem mesmo sonhar com o bicampeonato.
O diagnóstico de sua última lesão, ao menos, não faz o seu sonho desabar por completo. Suárez sofreu uma ruptura do bíceps femoral, que o afastará dos gramados de três a quatro semanas. O atacante irá se juntar ao elenco do Uruguai em 1º de junho, para tentar voltar a tempo de disputar a primeira fase da Copa América. O mais provável é que perca as duas primeiras rodadas, mas pode ser útil para a classificação. Só que desta vez sua cura não dependerá das mãos santas de Ferreira. O amigo da Celeste faleceu em janeiro, vítima de um câncer.
De qualquer maneira, mesmo sem o milagreiro, não é de se duvidar outra recuperação surpreendente de Suárez. Sua vontade de servir a seleção pode fazer toda a diferença. As próximas semanas deverão ser de trabalho ainda mais intenso ao atacante, tão obstinado pelas vitórias. E que, acima disso, costuma colocar o seu orgulho nacional. A paixão de Suárez por defender o seu povo promete ser um dos grandes atrativos da Copa América. Quanto mais jogos o torneio puder desfrutar desta vontade, melhor.



