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O Atlético-PR e sua torcida vêm sendo gigantes na acolhida aos fanáticos do Millonarios

A fraternidade ajudou a enfrentar a dor da tragédia. Brasil e Colômbia se transformaram em nações-irmãs desde o fatídico acidente aéreo que vitimou 71 pessoas nos arredores de Medellín. Os laços, porém, vão muito além de Chapecoense e Atlético Nacional. O sentimento de solidariedade se espalhou por diversos clubes. Tomou também o Independiente Santa Fe, que ofereceu sua taça da Copa Sul-Americana aos catarinenses e homenageou os heróis em um mosaico. Depois, o sentimento foi abraçado pelo Coritiba, que receberia o segundo jogo da decisão e realizou uma belíssima cerimônia no Couto Pereira. E agora, de maneira distinta, abrange também os rivais de curitibanos e bogotanos, às vésperas da estreia de Atlético Paranaense e Millonarios na Copa Libertadores. Os rubro-negros têm protagonizados gestos gigantescos nas últimas horas.

Tudo começou com a paixão colombiana pelo futebol. Dono de uma torcida imensa, o Millonarios passou a pintar em Curitiba dias antes da partida, através de seus fanáticos. Com a cara e a coragem, dezenas de albiazules viajaram à cidade, alguns pegando a estrada desde o norte do continente. Muitos deles, porém, num modo de vida um tanto quanto nômade, vendendo artesanatos e balas para tentar comprar os ingressos, como conta a reportagem de Monique Silva, no Globo Esporte. Houve até quem surfou na lona de um caminhão em plena BR – o que, obviamente, não terminou tão bem, pegos pela Polícia Rodoviária Federal em Ponta Grossa.

Não demorou para que os curitibanos abraçassem os novos “vizinhos”. Torcedores do Atlético estenderam a mão aos colombianos, pagando comida e até mesmo entradas – a exemplo de Denis Raby, em história apresentada por Fernando Rudnick, da Gazeta do Povo. Membros da Fanáticos, torcida organizada do clube, acolheram cerca de 40 albiazules, oferecendo abrigo. Já nesta quarta, o gesto mais significativo veio do próprio Furacão. O presidente Luiz Sallim Emed e Wagner Rocha, diretor de marketing da Fanáticos, foram até a porta a Arena da Baixada e entregaram ingressos aos seguidores do Millonarios. Cada bilhete aos visitantes custa R$120 – ou R$60, a meia, para estudantes.

“É uma grande satisfação. O que queremos do futebol são estas demonstrações de solidariedade, amizade, confraternização e sem qualquer violência entre as diferentes torcidas. A informação de que estes colombianos estavam aqui ‘acampados’ e sem condições de assistir ao jogo sensibilizou a diretoria. Assim, decidimos que seria oportuno oferecer os ingressos gratuitamente aos colombianos, que demonstraram toda solidariedade com a tragédia da Chapecoense”, afirmou Sallim, em entrevista ao site do clube. “Isso é mais do que apenas distribuir ingressos, o importante é o gesto e o exemplo do Atlético, a ser seguido por outros clubes e torcidas, com o futebol voltado para a paz e como agente de mudança na sociedade”.

A iniciativa dos atleticanos é simples, mas de uma grandeza incalculável. Solidariedade sempre é bem-vinda, não importa a proporção. Em meio de um torneio no qual muitos ainda preferem exaltar o “clima de guerra”, a irmandade que se alimenta tem imenso valor. Disputa em campo à parte, é esse tipo de confraternização que valoriza o futebol. Atlético Paranaense e Millonarios lutarão por uma vaga na próxima fase quando a bola rolar. Mas com o caráter de reconhecer a paixão e a humanidade do outro lado. É o verdadeiro espírito da Libertadores.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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