América do Sul

Novela sem fim

Ah que bom seria se política e futebol tivessem pontos tocantes apenas fora das quatro linhas e se desenhassem como atividades complementares e não conflituosas. Quem acompanha a coluna de América do Sul da Trivela já deve estar até cansado de ouvir sobre a novela envolvendo o comando da ANFP, a CBF do Chile. Mais eis que agora, além da dúvida sobre a permanência ou não de Bielsa à frente da seleção nacional, a pendenga passa a influenciar o campeonato e o futebol chileno.

Antes um breve histórico do que se passou nos últimos meses para os que não estão tão cansados – ou para os que se perderam em tantas idas e vindas. Em novembro de 2010, sob rumores da saída de Marcelo Bielsa da Roja, ocorreram as eleições para a ANFP e o candidato da situação Harold Mayne-Nicholls, no comando da entidade desde 2007 foi derrotado. O vencedor foi o oposicionista Jorge Segovia, que contou com apoio dos clubes ao prometer-lhes mais verbas e menos controle da aplicação desse dinheiro. Sob a tutela de Nicholls, os clubes eram obrigados a destinar recursos à formação de jogadores, por exemplo.

Com o anúncio do vencedor, Bielsa disse que não continuaria no comando da seleção chilena, uma vez que todas as diretrizes de seu trabalho haviam sido formadas com o antigo comandante. Para Bielsa, não havia como fazer uma parceria com um dirigente com o qual ele não tinha pontos em comum – de acordo com El Loco, o passado de Segovia é marcado por ingerências, atitudes impulsivas e até desrespeito a contratos de atletas.

No entanto, antes de ser empossado, Jorge Segovia foi declarado inelegível para a função. O motivo: um artigo do estatuto da Federação de Futebol Chilena atesta que pessoas que participam como donos de uma empresa, com mais de 10% de participação, e que tenham realizado algum contrato com a ANFP ou clubes associados, não podem ser dirigentes. Segovia preside a Unión Española e mantém paralelamente um contrato entre seu clube e a Universidad Sek, da qual também é dono.

Após uma série de consultas judiciais, Segovia foi impedido de assumir a presidência da ANFP, de forma que novas eleições tiveram que ser realizadas. O novo pleito, no entanto, só aconteceu dia 7 de janeiro e terminou com a vitória de Sergio Jadue, também da oposição. O problema é que só a partir da eleição de Jadue é que o campeonato chileno de 2011 passou a ser discutido.

Ano passado, em função da Copa do Mundo, o torneio nacional mudou de formato, passando a ser por pontos corridos e com rodadas de ida e volta. Em nenhum momento, porém, se discutiu o que seria feito em 2011 – muito por causa da espera para a eleição da ANFP, é verdade. Agora o Chile vive a surreal situação de já ter a primeira rodada de seu campeonato definida, mas sem ter um formato de disputa delimitado.

O mais provável é que o campeonato nacional volte a ter Apertura e Clausura. Jadue defende essa forma e ainda vai além: cogita um Apertura com 17 rodadas e sem playoffs, para facilitar a preparação da seleção chilena para a Copa América 2011. Já no Clausura haveria playoffs. Boas intenções à parte, soa como piada a declaração do dirigente. Pois como pode haver uma preparação adequada do Chile para o torneio continental se nem o treinador da equipe está definido ainda?

Antes de se preocupar em alterar regras e relegar a maior competição do país ao segundo plano em prol da seleção – incorrendo aí em toda a sorte de enfraquecimento político, competitivo e técnico do campeonato – Jadue deveria resolver de uma vez por todas quem será o responsável pelo comando da seleção e traçar junto a esse profissional a preparação da Roja. Do contrário, poderá – e o mais provável é que isso de fato ocorra – fazer toda uma série de atos inócuos e que não ajudarão em nada, nem à equipe nacional, nem aos clubes chilenos.

Atualização: E eis que na tarde desta sexta-feira o conselho de presidentes da ANFP se decidiu. O Campeonato Chileno de 2011 será disputado em Apertura e Clausura. Os dois com playoffs. Ufa! Agora só falta decidir o técnico da seleção para daqui menos de sete meses…

Libertadores 2011

Ruim para o Corinthians, pior para os adversários. Se muitos reclamam do fato de o Timão ter o “jogo mais importante da temporada” logo no dia 26 de janeiro, contra o Tolima, pela pré-Libertadores, os torcedores da maioria das outras equipes sul-americanas devem se ressentir ainda mais.

O Corinthians ao menos terá três jogos oficiais antes do confronto pelo torneio continental. Equipes como Alianza Lima, Cerro Porteño, Unión Española, Deportivo Quito, Liverpool e o próprio Deportes Tolima, farão suas estreias na temporada justamente nos jogos da Libertadores.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo