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Na bola e na mente, o Botafogo venceu a batalha com o Colo-Colo e segue firme na Libertadores

A Copa Libertadores da América tem o seu passado marcado por grandes batalhas. Nesta quarta, o Estádio Monumental David Arellano, em Santiago, recebeu um jogo digno de honrar este histórico. O duelo entre Colo-Colo e Botafogo pode não ter sido o mais técnico. Mas foi repleto de emoção. E, no confronto aberto que aconteceu no Chile, preponderou a organização, a segurança e a garra dos alvinegros. Sim, a equipe de Jair Ventura passou momentos de apuros, nos quais a continuidade no torneio continental esteve ameaçada. Ainda assim, os cariocas buscaram o empate por 1 a 1, suficiente para a classificação à próxima fase, somado à vitória por 2 a 1 no Estádio Nilton Santos. Partida gigante dos botafoguenses no espírito, para aguentar a pressão (especialmente do lado de fora) e dar um passo firme rumo à última etapa qualificatória.

Jair Ventura apostou em uma escalação cautelosa. Sem Camilo, recheou o time de volantes, deixando Montillo e Rodrigo Pimpão mais soltos à frente. Apesar da estratégia, o Botafogo levou um enorme susto aos três minutos. O Colo-Colo tomou a iniciativa e abriu o placar por culpa de uma infelicidade dos alvinegros. Após cobrança de escanteio, o zagueiro Emerson Silva desviou a bola contra as próprias redes. A partir de então, os visitantes precisavam de ao menos um gol.

Mesmo com mais posse de bola em diversos momentos do primeiro tempo, o Colo-Colo não conseguia romper a barreira do Botafogo. Foram pouquíssimas chances criadas pelo Cacique, diante da solidez dos alvinegros no combate na intermediária. Já do outro lado, os cariocas começavam a responder. O empate só não saiu na etapa inicial porque o goleiro Justo Villar estava inspiradíssimo. Voou para espalmar uma bomba de Montillo, assim como fez milagre em cabeçada de Marcelo. Salvou até fogo-amigo, em erro do companheiro Valdés.

Nos 20 minutos finais do primeiro tempo, o ritmo do jogo caiu um pouco. O Colo-Colo trocava passes, enquanto sofria um pouco mais com as subidas rápidas do Botafogo. Já na volta do intervalo, o Cacique ameaçou de maneira mais contundente. Por duas vezes, o grito de gol entalou na garganta dos albos: primeiro, em tento de Paredes anulado por impedimento; depois, em arremate de Fernández da entrada da área, que desviou na zaga e parou em defesaça de Gatito, ainda tocando o travessão.

Depois do risco iminente, o Botafogo passou a ter mais atitude, sem precisar se desesperar. E, ao contrário do que havia acontecido no Rio, o cansaço não pesou. Jair Ventura promoveu as entradas de Guilherme e Roger, colocando o time mais ao ataque. Precisando do gol, os alvinegros partiram para cima. Rodrigo Pimpão aparecia muito bem, chamando a responsabilidade. Coube justamente a ele ser o herói da noite. Após lançamento de Gatito, Roger e Guilherme aproveitaram a ligação direta. Villar defendeu a primeira finalização, mas a bola sobrou limpa para Pimpão emendar às redes, quando o relógio marcava 35 do segundo tempo.

Então, o jogo virou novamente. Era o Colo-Colo quem precisava do gol urgentemente. Mas o que sobrava de pressa, faltava de qualidade. Mesmo a torcida perdeu a razão, arremessando objetos em campo, o que causou uma breve confusão. Quando a bola voltou a rolar, os chilenos tentavam sufocar, mas paravam na consistência alvinegra na marcação. Marcelo, outra vez, foi um esteio no miolo da zaga. Dava até para os cariocas matarem a eliminatória, desperdiçando contra-ataques nos acréscimos.

O Botafogo conquista um triunfo importantíssimo, não apenas pela vaga na próxima fase. O resultado mostra o caminho a uma equipe que ainda se molda no início da temporada. O autocontrole e a percepção do jogo foram fundamentais aos alvinegros. Ao Colo-Colo, resta lamentar mais uma vez, como de praxe em suas últimas participações na Libertadores. Os chilenos demonstram uma vocação imensa à tragédia: não vencem um jogo de mata-matas no torneio desde 1997. Foram 14 participações a partir de então, incluindo oito eliminações na fase de grupos e três nas etapas prévias. Boa parte das quedas, com contornos de crueldade.

Vencida a batalha de Santiago, o Botafogo agora precisa olhar para frente. Enfrentará Independiente del Valle ou Olimpia, em duelo que começa na próxima semana. O batismo de fogo, ao menos, já foi bem sucedido. Por todas as circunstâncias, os alvinegros saem mais fortalecidos e mais tarimbados para a sequência da competição.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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