América do Sul

Morales na história

O fim da Copa do Mundo sempre marca um período de novas esperanças para seleções de todo o planeta. Países que foram ao Mundial planejam estratégias distintas das do último ciclo, enquanto os que ficaram de fora procuram uma reformulação. Em geral, no entanto, há sempre uma expectativa positiva para os anos vindouros. Na Bolívia a situação é outra.

Mesmo no começo de um novo trabalho, as perspectivas são péssimas para a seleção boliviana, ameaçada de suspensão de competições da Fifa. O motivo é a dívida de US$ 15 milhões da Federação Boliviana de Futebol (FBF) com o Serviço de Impostos Nacionais (SIN), órgão ligado ao governo federal. A situação fez com que o edifício da entidade fosse penhorado para um futuro leilão, que se ocorrer acarretará na suspensão da Bolívia, e dos clubes do país, de todas as competições internacionais.

Em resposta à cobrança do governo, a FBF usou o já velho conhecido “devo, não nego, pago quando puder”. O problema é que para a federação o pagamento viria em 10 ou 15 anos. A legislação da Bolívia permite prazo máximo de 36 meses, de forma que se o governo boliviano, personificado na figura do presidente Evo Morales, não ceder, a federação será obrigada a obter o dinheiro de alguma forma.

Com o impasse formado, a tensão crescente e a possibilidade de uma intervenção do governo boliviano na FBF, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, solicitou uma reunião de uma comissão de dirigentes da entidade e da Conmebol com Morales. Evo aceitou a proposta, mas fez a resalva de que isso não resultará necessariamente na negociação da dívida. No texto enviado à Fifa como resposta, Morales aproveitou para cutucar os dirigentes da FBF, dizendo que equipes, associações e o próprio povo desconhecem quem são os homens que dirigem o futebol local e que o trabalho deles não é adequado. Detalhe importante; a carta da Fifa chegou às mãos de Morales via Federação Boliviana. A resposta de Evo foi diretamente para Blatter.

A reunião ainda não tem data marcada, mas revela um panorama nada animador para o esporte local; Evo Morales definitivamente não reconhece a federação boliviana como representante do futebol no país. Não é a primeira vez que isso fica claro e evidente. Em 2008 e 2009, Evo foi a principal figura do lobby pró jogos na altitude, tomando as rédeas da situação, organizando amistoso com a presença de Maradona e até recebendo dirigentes da Fifa. Em setembro de 2009, o presidente chegou a sugerir a estatização do futebol local para salvá-lo da crise e em maio deste ano convidou, à revelia da FBF, Xavier Azkargorta, técnico responsável pela qualificação da Verde à Copa de 1994, para comandar a seleção.

O objetivo da não-negociação da dívida é claramente desestabilizar o presidente da FBF, Carlos Chávez, reeleito em julho e com quem Evo tem sérias rusgas. A imprensa local relata que o presidente boliviano teria feito contato direto com os dirigentes dos clubes do país para eleger o candidato de oposição a Chávez, mas que no fim das contas as equipes votaram no atual mandatário.

Se Chávez se retirar ou for retirado do cargo, o futuro do futebol boliviano tende a ser ainda mais complicado no curto prazo. Será estatizado? Ficará nas mãos de outros dirigentes? A Fifa vai intervir? O que é certo, no entanto, é que essa situação, tomada de interesse e jogo político, não ajuda em nada no desenvolvimento do futebol local e da seleção nacional. Se 2010 era o pontapé inicial para um novo ciclo de bons resultados, como aquele de 1994, a Bolívia começou muito mal.

Copa Sul-Americana

Terminou a primeira fase da Copa Sul-Americana. Na terça-feira o Oriente Petrolero (BOL) venceu a Universidad de Chile por 1 a 0 e se garantiu na segunda fase. No primeiro jogo, em território chileno, empate por 2 a 2. Já na quarta-feira, o Guarani, do Paraguai, perdeu para o River Plate, do Uruguai, por 4 a 2, mas como tinha feito 2 a 0 em casa se garantiu pelo gol qualificado. Também na quarta, o colombiano Atlético Huila carimbou sua vaga na segunda fase ao empatar, fora de casa, com o Trujillanos da Venezuela por 1 a 1. Já na quinta, o Defensor Sporting (URU) empatou com o Olimpia (PAR) também em 1 a 1 e se classificou com a soma de 3 a 1 no placar agregado.

Pela primeira partida da segunda fase, o Barcelona de Guaiaquil foi derrotado pelo Peñarol, em casa, por 1 a 0.

Confira os confrontos da segunda fase envolvendo os países abordados nesta coluna:

Atletico Huila (COL) x San José (BOL)

Barcelona (EQU) x Peñarol (URU) * 0 a 1 no primeiro jogo, em Guaiaquil

Santa Fe (COL) x Caracas (VEN)

Oriente Petrolero (BOL) x Tolima (COL)

Guaraní (PAR) x Unión San Felipe (CHI)

Universidad San Martín (PER) x Emelec (EQU)

Universitario de Sucre (BOL) x Cerro Porteño (PAR)

Defensor Sporting (URU) x Sport Huancayo (PER)

Mais Bolivianas

A fase realmente não é nada boa para a seleção da Bolívia. Mesmo a melhor notícia dos últimos tempos, a conquista da medalha de ouro do time sub-15 nos Jogos Olímpicos da Juventude, virou motivo de polêmica. O advogado Victor Hugo Pérez, outro rival político de Carlos Chávez, diz ter provas de que diversos jogadores bolivianos tiveram certidões de nascimento adulteradas. Segundo ele, os jovens seriam mais velhos do que a idade permitida para o torneio. A FBF disse que as acusações não têm fundamento. A história deve ir longe ainda…

Já no Clausura, o Blooming assumiu a liderança e agora tem 13 pontos em seis jogos. Real Potosí e The Strongest vêm na sequência, com 12 e 10 pontos, respectivamente.

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Equipe Trivela

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