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Mesmo em uma rodada decisiva, o Uruguai abre alas a diversos jovens talentos nas Eliminatórias

O Uruguai entra em campo nesta Data Fifa comprometido com seu sonho de disputar a Copa do Mundo. A Celeste aparece em uma situação relativamente confortável, considerando a briga de foice nas Eliminatórias da América do Sul. Soma 27 pontos, quatro a mais que o primeiro time fora da zona de classificação, e tem a vantagem de enfrentar as únicas duas seleções já eliminadas da competição – a Venezuela, visitando San Cristóbal, enquanto recebe a Bolívia no Centenario. Ainda assim, os uruguaios jogam a sua vida. O que não impediu Óscar Tabárez de realizar apostas em sua convocação.

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Dentre os 27 jogadores chamados pelo Maestro, quatro nunca entraram em campo pela seleção principal. Além disso, são sete com 22 anos ou menos. Em um país com escassas opções entre os convocáveis, a renovação precisa ser constante. E ainda que Tabárez possua um grupo muito bem definido, nunca deixou de injetar sangue novo ao longo de seu trabalho à frente da Celeste, algo importantíssimo para que os charruas se mantivessem no topo durante os últimos 11 anos. Se a equipe conseguir a classificação à Rússia, vai à sua terceira Copa do Mundo consecutiva, uma sequência que não ocorre desde a década de 1970.

Todos os novatos já atuam no futebol europeu. E fazem por merecer a chance, não apenas por aquilo que vêm apresentando em seus clubes, mas também por, em sua maioria, defenderem as seleções de base durante longo período. Gastón Pereiro era o destaque do time vice-campeão mundial sub-20 em 2013 e, titular do Nacional, o ponta logo seria levado ao PSV. Depois de duas temporadas na Eredivisie, desfruta de um bom momento individual, o que lhe valeu a chance na seleção principal pela primeira vez em setembro. Seu companheiro naquele torneio, o zagueiro Mauricio Lemos chama atenção no Las Palmas, especialmente pela precisão nas cobranças de falta. Também ganha vez com Tabárez. E, daquele time, ainda há Nahitan Nández, levado do Peñarol para o Boca Juniors. Já “veterano” na equipe nacional, o meio-campista foi titular nos últimos compromissos nas Eliminatórias.

A vanguarda uruguaia vê a eclosão de Rodrigo Bentancur, ex-xeneize, contratado pela Juventus nesta temporada, após brilhar no Mundial Sub-20 de 2017. O meio-campista, dono de excelente qualidade técnica, parece não sentir o peso da responsabilidade e já começa a se encaixar na Velha Senhora – titular em quatro partidas até o momento, duas pela Serie A e outras duas pela Champions. O suficiente para convencer Tabárez. Já do Celta vem Maxi Gómez, verdadeiro fenômeno em seu desembarque na Espanha. O centroavante já fazia sucesso no Defensor, onde protagonizou a conquista do Apertura, artilheiro dos violetas. Negociado com os galegos, o centroavante faz estrago, com seis gols em sete jogos por La Liga. Desponta como uma alternativa confiável a Luis Suárez e Edinson Cavani.

Vale mencionar Federico Valverde, outro que disputou o Mundial Sub-20 de 2017. Formado pelo Peñarol, levado pelo Real Madrid Castilla e emprestado ao Deportivo de La Coruña, o prodígio já começou a cair nas graças da torcida uruguaia. Titular contra o Paraguai, anotou um dos gols na vitória por 2 a 1, logo em sua estreia pela equipe nacional. Tem talento e estrela para contribuir. Por fim, completando a legião de sub-22 na atual convocação, ainda há José Maria Giménez – este, soando como um veterano, diante de seus 35 jogos com a camisa celeste. Pelo ritmo, não seria surpreendente se o defensor do Atlético de Madrid mirasse o recorde de partidas com os charruas. Um pouco mais velhos, engrossam a lista Gastón Silva e Giorgian de Arrascaeta, ambos com 23 anos.

E isso porque o Maestro Tabárez não usou todas as suas cartas na manga. A ausência mais sentida entre os prodígios é a do meio-campista Lucas Torreira, de 21 anos, em excelente início de temporada com a Sampdoria – após já ter se sobressaído no primeiro ano com os blucerchiati. Nas últimas semanas, arrebentou principalmente na vitória sobre o Milan, controlando a intermediária. Na Espanha, outro meio-campista que desponta é Mauro Arambarri, emprestado ao Getafe. Já no River Plate, vale prestar atenção em Nicolás de La Cruz, meia ofensivo de 20 anos que possui características parecidas à de seu irmão mais velho, Carlos Sánchez.

O mais interessante é perceber como o Uruguai passa a contar com alternativas para o seu meio-campo. O setor muitas vezes foi considerado o calcanhar de Aquiles da Celeste, apostando basicamente em jogadores medianos, mas agora tem uma  geração de qualidade pedindo passagem. E o potencial de muitos destes garotos, em todos os setores, indica que os charruas podem continuar competitivos além de 2018, mesmo que a idade chegue a Luis Suárez e a Edinson Cavani. Este deve ser o legado de Óscar Tabárez, outro que vê o tempo se esvair, sobretudo pelas limitações físicas. O trabalho excepcional do Maestro em planificar e sistematizar as estruturas da seleção, desde as categorias de base, faz jus ao peso da camisa celeste. Os frutos estão aí, independentemente da responsabilidade pelo momento.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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