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Meses depois de dividirem o país, Atlético e Cruzeiro agora compartilham os medos

Belo Horizonte fechou 2014 como a capital do futebol brasileiro. Duas taças, o maior clássico da história, torcidas em êxtase. A rivalidade entre Atlético Mineiro e Cruzeiro chegou a uma grandeza inédita, para saber quem estava mais por cima. E que prometia um 2015 ainda maior. Por enquanto, distante do esperado. É verdade que o ano mal começou, mas Galo e Raposa estão passando por mais apuros do que o brilho dos troféus indicava. Problemas distintos de elenco, o perrengue na Libertadores é semelhante. Rivais que voltam a debater, desta vez para saber quem tem a maior porcentagem nas calculadoras da classificação.

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Entre os altos e baixos deste início de temporada, Atlético e Cruzeiro viviam boas semanas recentemente. A recuperação na Libertadores vinha sendo notável, assim como a evolução das duas equipes em campo. O Galo finalmente esvaziava o departamento médico e via Lucas Pratto tomar conta do time, ao lado da base campeã da Copa do Brasil. Já o Cruzeiro contava com o desabrochar De Arrascaeta, Leandro Damião e os outros herdeiros do legado de bicampeão brasileiro, após o desmanche bancado por euros, petrodólares e yuans. Para equilibrar, o clássico do fim de semana manteve as esperanças de ambos no Campeonato Mineiro. Até o baque dos dois últimos dias.

O Cruzeiro fez a sua pior partida na Libertadores. Mais que perder a invencibilidade e a liderança do Grupo 3, a equipe celeste exibiu um futebol irreconhecível. Em meia hora, nem Fábio pôde evitar os dois primeiros gols do Huracán, do carrasco Ábila. E, quando o time começou a esboçar uma reação no segundo tempo, Mancinelli deu o golpe fatal em Buenos Aires, sacramentando a vitória do Globo por 3 a 1.

Mas o Atlético também não pôde rir por muito tempo. Nada da vibração contagiante vista na última semana. O Atlas, que já tinha sobrevivido no Horto, bateu no Galo outra vez. A brecha da defesa deu a chance para Arturo González anotar o tento fatal no Estádio Jalisco, assegurando a vitória por 1 a 0. O goleiro Federico Vilar até foi incomodado em alguns momentos, mas nem de longe trabalhou como Victor, que realizou ao menos duas defesas milagrosas para evitar um estrago maior.

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As cansativas viagens ou o calendário apertado não podem ser justificativas. Afinal, elas não adiantam como critério de desempate na Libertadores. A situação do Cruzeiro, que permanece na zona de classificação, é até mais cômoda. Mas não sem riscos. Enquanto isso, o Atlético já não depende mais de uma vitória pelo placar mínimo para seguir vivo. E sobe a pressão de sequer aparecer entre os dois primeiros colocados neste momento.

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Para avançar com as próprias pernas, o Cruzeiro precisa vencer o Universitario no Mineirão. É suficiente também para que termine em primeiro do Grupo 3 – mas com uma pontuação que não lhe garante entre os melhores líderes de chave. Difícil é encarar uma defesa que só sofreu um gol em quatro jogos, assegurando a invencibilidade dos bolivianos. Caso a Raposa empate, precisa torcer por uma igualdade do Huracán contra o Mineros de Guayana, na Venezuela. Se perder, só a derrota do Globo salva.

A pedreira do Atlético, por sua vez, se chama Colo Colo. A tarimbada equipe de Héctor Tapia conta com cinco jogadores com Copa do Mundo no currículo, incluindo os atacantes Esteban Paredes e Humberto Suazo. É verdade que a derrota para o Independiente Santa Fe em Bogotá por 3 a 1 tirou um pouco do moral do Cacique, mas ele segue como um rival forte. E que precisa ser derrotado. Para os atleticanos, só interessa vencer por pelo menos dois gols de diferença, superando os chilenos na tabela. Para o Galo terminar em primeiro, só se o Atlas bater o Santa Fe na Colômbia. O saldo de gols, aliás, será essencial neste caso, já que os quatro clubes terminarão com os mesmos nove pontos. Difícil é esperar uma atuação efetiva do ataque mineiro, que só fez três gols e passou em branco em três dos cinco jogos.

Atlético e Cruzeiro voltam a se encontrar neste domingo, na partida decisiva pela semifinal do Campeonato Mineiro. Mas não há nem dúvidas de onde estarão os pensamentos dos torcedores, dos jogadores, de Levir Culpi e de Marcelo Oliveira. O tempo é curtíssimo. E o preço de qualquer passo em falso pode ser caro demais.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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