Libertadores

Venezuelano apaixonado pelo Atlético-MG perdeu até emprego para ver Hulk e companhia

Ronaldinho Gaúcho e São Victor foram os responsáveis por iniciarem a relação de Edwin Hevia Cadevilla com o Atlético, que nunca parou de crescer

No dia 30 de maio de 2013, Victor fez uma defesa histórica de pênalti para classificar o Atlético-MG diante do Tijuana na Libertadores. O lance mudou a história do clube, e também a de um venezuelano, que se apaixonou pelo Galo e chegou a perder até o emprego para ver os jogadores e o time de perto mais de 10 anos depois do início da paixão. Essa é a história de Edwin Hevia Cadevilla.

Há 11 anos, na histórica defesa de pênalti que evitou a eliminação do Atlético na Libertadores, a qual o clube iria vencer mais a frente, Edwin assistia ao jogo com sua mãe, que era fã de Ronaldinho Gaúcho, em Barquisimeto, cidade há mais de 350km de Caracas, capital da Venezuela.

Minha mãe era muito fã do Ronaldinho Gaúcho e começamos a assistir aos jogos dele, e isso nos fez chorar porque sabíamos da magia dele e do que ele havia dado no futebol — afirmou Edwin à Trivela.

Graças ao encanto da mãe pelo futebol de Ronaldinho, Edwin descobriu o Atlético e, desde então, o sentimento pelo clube só aumentou. O venezuelano começou a postar sobre o clube nas redes sociais, e assim foi conhecendo mais a torcida e fazendo amizades, o que lhe proporcionou até a oportunidade de escrever para um portal de torcedores do clube. A relação com o Galo foi ficando mais próxima.

Para a Trivela, o hoje jornalista Edwin Hevia também contou histórias que marcaram sua trajetória, principalmente as que envolveram as idas recentes do Atlético para a Venezuela, com a última delas terminando até em demissão.

Perdeu o emprego, mas conheceu Hulk e viu o Galo

Nesta terça-feira (28), o Atlético entra em campo pela última rodada da fase de grupos da Libertadores contra o Caracas, da Venezuela, na Arena MRV. Na ida, na capital venezuelana, o Galo goleou por 4 a 1, e tinha um torcedor especial na arquibancada: Edwin.

O venezuelano estava em sua cidade, Barquisimeto, descrente de que conseguiria ir a Caracas. Ele conversava com uma amiga atleticana de Belo Horizonte, Mari Capachi, sobre essa frustração. Na mesma hora, ela, junto a outros atleticanos, se movimentaram para que Edwin conseguisse ir ao jogo.

Surpreso, Edwin arrumou rapidamente suas coisas para viajar, mas precisava antes avisar no trabalho. Seus companheiros de redação disseram que iriam cobri-lo sem problemas. No entanto, seus superiores não gostaram nada da ideia e não o liberaram. Mesmo assim, ele pegou suas coisas e foi.

Depois de quase 6h de viagem, Edwin chegou na capital venezuelana para ver o Atlético. Ele conseguiu ir até o hotel da delegação, onde se encontrou com o presidente do clube, Sérgio Coelho, que lhe recepcionou e o convidou publicamente para ir até a Arena MRV.

— Sentei em um sofá e imediatamente o presidente do time, Sergio Coelho, me ligou e até brincou comigo, e na frente de todos anunciou formalmente que fui convidado a vir a Belo Horizonte para visitar o estádio Arena MRV. Quando ouvi essas palavras, fiquei muito surpreso e grato — contou Edwin.

Depois, os jogadores começaram a descer. Ele viu Zaracho, Everson e o auxiliar Lucas Gonçalves, mas, assim como todo atleticano atualmente, queria mesmo saber de Hulk. O camisa 7 atleticano deu toda atenção possível ao venezuelano, que estava emocionado.

— O Givanildo Vieira de Souza me esperou. Ele tirou duas fotos comigo, enquanto eu tremia, e disse a mim mesmo: ‘Edwin, você está aqui, na frente do seu ídolo e do jogador para quem você narra os jogos’, e ele arrumou a bandeira e tirou fotos comigo — disse o venezuelano.

Mais tarde, Edwin foi até o estádio e viu o Atlético golear o Caracas por 4 a 1. Mas, antes da bola rolar, ele recebeu a notícia de que havia sido demitido.

— A verdade é que foi um sonho realizado, porque são anos de tanto esforço atrás de um computador ou de um celular, de tanto escrever ou narrar. Pois bem, indo ao estádio em Caracas, recebo uma mensagem do meu trabalho em Barquisimeto, onde os patrões me disseram que eu não pertencia mais à empresa, que estava praticamente demitido. Então curti o estádio, gritei ainda mais e curti a torcida — destacou Edwin.

Edwin em meio aos torcedores do Galo no jogo contra o Caracas (Pedro Souza / Atlético)

A primeira vez vendo o Atlético de perto

O jogo contra o Caracas neste ano não foi a primeira vez que Edwin viu o Galo de perto. Para a sorte dele, o Galo foi sorteado para encarar o Carabobo, também da Venezuela, na fase preliminar da Libertadores, em 2023. A mesma amiga, Mari, mobilizou outros atleticanos para o venezuelano conseguir ir até a capital do país acompanhar o Alvinegro naquela ocasião.

Com a ajuda dos torcedores, Edwin foi até Caracas. Lá, recebeu mais ajudas, de amigos jogadores do Metropolitanos, equipe também da capital venezuelana, e foi levado ao hotel da delegação. Diferente de 2024, em 2023 ele não viu os jogadores, mas foi recepcionado pela comunicação do Galo, que o presenteou com uma camisa e um ingresso para o jogo.

Camisa de Ronaldinho de presente retida na alfândega

Em seus anos como torcedor e repórter do Atlético, Edwin fez muitas amizades, como do também torcedor Heráclio Camelo. Em 2018, o brasileiro enviou uma camisa de Ronaldinho Gaúcho para o venezuelano. No entanto, a alfândega do país vizinho do Brasil nunca o entregou esse presente.

Um ano depois, o mesmo Heráclio conseguiu fazer uma camisa do também venezuelano Romulo Otero, com passagem relativamente marcante pelo Galo, chegar nas mãos de Edwin. Tudo graças a um amigo jogador, Freddy “Pico” Vargas, que atuava no Deportivo Lara, clube próximo a Barquisimeto. Em 2019, o Lara encarou o Cruzeiro pela Libertadores. Quando veio a Belo Horizonte, Vargas recebeu a camisa do Galo e a levou para Edwin.

O Deportivo Lara, inclusive, acabou em 2023 devido a problemas financeiros. Este era o clube mais próximo de Edwin e para quem ele torcia em sua terra natal. Com o fim do clube, ele se aproximou ainda mais do Atlético.

No meu estado de Lara, o futebol de alto nível desapareceu após a falência do Deportivo Lara. Escolhi com mais vontade ir para o Atlético Mineiro, porque me senti identificado — Edwin Hevia.

Bate-bola: Edwin e o Atlético

  • Maior ídolo: Hulk, “um ser humano brilhante”;
  • Momento mais marcante como torcedor: quando o venezuelano Savarino fez dois gols nas vitórias contra Flamengo e Palmeiras na campanha do título Brasileiro de 2021;
  • Momento mais marcante como jornalista: cobrir o título Brasileiro de 2021 para o VamuGalo;
  • O que mais marcou no geral: “ter conhecido grandes amigos, e a torcida atleticana me tornou parte deles”;
  • Sonho: visitar a Arena MRV, “aquela história linda ainda está por vir quando eu visitar a Arena MRV, então vou chorar”.
Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick

Jornalista pela PUC-MG, passou por Esporte News Mundo e Hoje em Dia, antes de chegar a Trivela. Cobriu Copa do Mundo e está na cobertura do Atlético-MG desde 2020.
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