A prova do domínio brasileiro na Libertadores saiu do Atlético Nacional para jogar a segundona
Kevin Viveros trocou o adversário do São Paulo para disputar a Série B com o Athletico-PR
A fase de grupos da Libertadores teve dois artilheiros, cada um com cinco gols. Um foi Alan Patrick, do Internacional, com a ajuda de quatro pênaltis. E o outro foi Ramiro Vaca, que não tem chance de marcar de novo na competição por dois motivos. O seu clube, o Bolívar, foi eliminado e vai jogar na Sul-Americana. E também, Vaca foi pego no antidoping e acabou suspenso.
Tem uma lista longa de jogadores que marcaram quatro vezes na fase de grupos. Talvez o mais impressionante foi Kevin Viveros.
O seu clube, o Atlético Nacional, se encontrou no chamado grupo da morte, junto com dois brasileiros e o Nacional do Uruguai.
O canhoto Viveros marcou em maneiras diferentes — de letra e de virada dentro da grande área, ou com força e velocidade por trás da linha da defesa. Fez dois contra Internacional, quando torturou o jovem zagueiro Vitor Gabriel, e também foi dele o gol que efetivamente eliminou o Bahia.

Ajudou demais a classificação do Atlético Nacional, que joga agora contra o São Paulo. Obviamente, trata-se de um grande duelo. A última vez que o clube de Medellín ganhou a Libertadores foi em 2016. Desde então nunca chegou às quartas de final.
Caiu na segunda rodada para adversários argentinos em 2018 e 2023. E agora tem um gigante brasileiro bloqueando a passagem. Precisa da força máxima. Mas não vai ter Kevin Viveros.
Onde anda o artilheiro colombiano? Na segundona no Brasil, com o Athletico.
O paradeiro de Viveros é uma prova incontestável do domínio do futebol brasileiro dentro da América do Sul.
Não poderia ser mais claro. O Brasil hoje em dia pega os talentos e promessas dos países vizinhos. O que a Europa faz com o Brasil, o Brasil faz com o resto do continente.
Depois da primeira semana da fase dos grupos, escrevi uma coluna neste site sobre o prazer de ter assistido ao primeiro gol profissional do Álvaro Montoro, um meia-atacante adolescente do Vélez Sarsfield.
Quatro meses mais tarde, o próprio Montoro já pintou no Brasil, já fez nome no Brasil e vai procurar fazer mais gols na Libertadores para o Botafogo. Está defendendo o atual campeão do continente. Kevin Viveros, entretanto, foi seduzido por um clube com estrutura, história e ambição — mas que foi rebaixado no ano passado.
Ironias do destino — Viveros acabou de ajudar o seu time eliminar o São Paulo, o sonho dos seus ex-colegas de Atlético Nacional nas próximas duas semanas. Em vez da Libertadores, aconteceu na Copa do Brasil, uma competição que está trazendo um pouco de glamour bem necessário para o Furacão.
A rotina do Viveros, pelo menos neste ano e talvez no próximo também, se faz jogando contra Criciúma, Cuiabá e CRB. Mas foi suficiente para ele deixar o clube colombiano com mais sucesso internacional, o único do país com dois títulos na Libertadores.
Por enquanto, o Atlético Nacional está conseguindo segurar o craque do time, Marino Hinestroza — mas a chegada nele no Brasil parece uma questão de tempo. E repatriou Marlos Moreno, que brilhou muito forte naquela conquista de 2016, logo foi vendido e nunca conseguiu ter continuidade em lugar nenhum.
Hernán Crespo não ia concordar, mas seria lindo ver Marlos de repente redescobrir a fase de nove anos atrás. Mas o Atlético Nacional teria mais possibilidade de eliminar o São Paulo se Kevin Viveros não estivesse na segunda divisão do futebol brasileiro.



