Libertadores

River Plate teve atitude para arrancar virada incrível sobre o Grêmio nos minutos finais e ir à decisão

O River Plate escreveu um capítulo incrível na sua história na Libertadores. Arrancou uma improvável e incrível virada sobre o Grêmio, dentro da Arena Grêmio, por 2 a 1, com dois gols no final do jogo, aos 37 e aos 49 minutos do segundo tempo. O time teve postura, teve atitude e jogou desde o primeiro minuto para tentar a vitória. Conseguiu, de modo dramático, graças também à intervenção do VAR.

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Depois de perder em casa por 1 a 0 para o Grêmio, em Buenos Aires, o time precisaria mostrar o futebol ausente no jogo de ida. E com uma postura de quem buscava a duríssima vitória, atacou o Grêmio desde o começo do jogo, mas mesmo assim tomou um belo gol dos mandantes. Depois de três tempos sem marcar um gol e perdendo por 2 a 0 no placar agregado, o River parecia condenado, mas arrancou a virada, com muitos protestos dos gremistas contra a arbitragem.

Ainda sem Luan, o técnico Renato Portaluppi contou com Everton no banco. O titular foi Alisson de um lado, Ramiro de outro e Cícero pelo meio, no lugar que seria de Luan. Por característica, Cícero é muito mais meio-campista do que atacante e ficava mais perto de Maicon do que de Jael, inverso do que acontece com Luan em campo. E, claro, isso tem implicações no jogo do Grêmio.

Outro problema do técnico do Grêmio era a zaga, já que o zagueiro Kannemann estava suspenso. Portaluppi optou por Paulo Miranda para substituí-lo, mudando assim a posição de Geromel, do lado direito para o lado esquerdo. Léo Gomes também ficou como titular na lateral direita, apesar da recuperação de Léo Moura, que ficou no banco.

O River Plate vestiu um uniforme pouco usual: em vez dos tradicionais calções pretos, o time argentino vestiu vermelho tanto nos calções quanto nos meiões. Não foi só a estética que mudou: o time veio com o atacante Lucas Pratto no lugar de Scocco, que começou no banco de reservas.

No primeiro minute de jogo, o River Plate criou a primeira chance do jogo. Quintero colocou a bola para Borré, que chutou cruzado e levou perigo ao gol defendido por Marcelo Grohe. Como era esperado, o time argentino era quem ficava mais com a bola, tocando a bola e procurando espaços. Aos nove minutos, Ponzio chutou de fora da área e o goleiro do Grêmio mandou para escanteio. Pouco depois, Exequiel Palacios também arriscou de longe, levando algum perigo, mas mandando por cima do gol.

Aos 23 minutos, Ponzio teve que eixar o campo por lesão e foi substituído por outro veterano: Enzo Perez, jogador que estava com a Argentina na Copa do Mundo 2018. O time do River seguia tentando pressionar. E aos 27 minutos, Palacios quase conseguiu marcar um golaço. Depois de uma boa troca de passes pelo meio, o meio-campista pegou a sobra e chutou de primeira, da meia lua, e a bola passou muito, muito perto. Um susto daqueles para os torcedores do Grêmio e um “uuuuh” enorme para os argentinos.

Tudo era favorável ao River. Só que o Grêmio arrancou um gol de onde pouco se esperava. Depois de cobrança de escanteio, a bola desviou na defesa e sobrou na entrada da área. O lateral Leonardo pegou de primeira, forte, a bola desviou e acertou no canto: 1 a 0 para os tricolores, aos 36 minutos do primeiro tempo.

No intervalo, o técnico Marcelo Gallardo mudou o time tentando a virada. Sacou Ignacio Fernández e colocou Gonzalo “Pity” Martínez. Só que houve outra polêmica: ele foi flagrado pelo SporTV, que transmitia o jogo, com um walkie-talkie na mão e falando com alguém.  Ele também tentou descer, disfarçado, para ir ao vestiário. Pessoas do Grêmio foram avisar o delegado do jogo. Com isso, devemos ter outra punição ao técnico do River.

Aos nove minutos do segundo tempo, foi a vez do Grêmio mudar. Entrou o atacante Éverton no lugar de Maicon, que saiu sentindo uma lesão. Com isso, Ramiro foi recuado e Alisson trocou de lado, de ponta esquerda para a direita. O camisa 11 deu mais força pelos lados do campo.

A grande chance de selar a classificação veio aos 21 minutos do segundo tempo. Em um contra-ataque, Cícero lançou em velocidade para Éverton, que sai frente a frente com o goleiro, conduzindo a bola. O atacante demorou a definir o que fazer e, quando chutou, acabou parando no goleiro Armani. Depois de 24 dias sem jogar e dois treinos com bola, o jogador parece ter pensado muito rápido, mas executado mais lentamente do que gostaria. O zagueiro Paulo Miranda, que fazia um bom jogo, acabou sentindo muitas câimbras e teve que ser substituído. Entrou o zagueiro Bressan em campo, que já tomou cartão amarelo logo que entrou em campo.

O River tentava de todos os jeitos, mesmo sem conseguir as trocas de passe que tantas vezes caracterizou o time. O empate veio da maneira mais tradicional em casos de times desesperados: bola parada. Pity Martínez cobrou falta para a área e Rafael Borré empatou o jogo, de cabeça: 1 a 1, aos 37 minutos do segundo tempo. A bola, aparentemente, tocou no braço do atacante do River. Mas mesmo com o replay, fica difícil dizer se a bola bateu ou não bateu no braço do atacante.

O jogo ficou mais tenso, porque o River passou a depender de um gol para avançar à final. Minutos finais de muita tensão na Arena Grêmio. Jael deixou o campo para a entrada de Taciano. A tensão aumentou mais ainda quando, em um chute de Ignacio Scocco, que foi desviado pelo zagueiro Bressan.

Antes da cobrança de escanteio, porém, o árbitro Andrés Cunha, do Uruguai, foi chamado pelo VAR, alertado de um possível pênalti. Ele foi revisar, assistiu ao lance algumas vezes e voltou ao campo: apontou a marca da cal. Pênalti e cartão amarelo para Bressan. Como o zagueiro já tinha, foi expulso. A confusão se estabeleceu, porque Bressan se revoltou e não queria sair de campo.

Depois de muitos minutos de paralização, Pity Martínez se posicionou para a cobrança. Ele cobrou com categoria, precisão e deixou o goleiro Marcelo Grohe do outro lado, sem nem sair da foto: aos 49 minutos da etapa final, o River fazia 2 a 1 e, assim, passou à frente nos gols fora de casa. O árbitro já tinha sinalizado nove minutos de acréscimos para a partida. O desespero passou ao lado brasileiro.

Depois de nove minutos cumpridos de acréscimos, com o River, claro, cozinhando o jogo, o jogo acabou mesmo 2 a 1. O River Plate é o primeiro finalista da Libertadores 2018. Ao final da partida, o capitão, Maicon, o técnico, Renato Portaluppi, e mais alguns jogadores do Grêmio foram pressionar o árbitro. Inutilmente. Os jogadores do River Plate comemoravam desde o gol, fazendo um barulho enorme no estádio gremista. Os jogadores comemoraram muito em campo. A chuva de Porto Alegre tornou tudo mais dramático. O Grêmio cai na semifinal, depois de jogar o suficiente para avançar. Um golpe duro, mas um time que fez uma grande campanha, e cai diante de um grande adversário também.

Pity Martínez cobra o pênalti pelo River para classificar o time contra o Grêmio (Foto: reprodução)

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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