Palmeirenses viajam para Argentina sem ingresso e fazem negócios malucos no aeroporto
Muitos torcedores do Palmeiras estão embarcando sem a garantia de conseguir ver o jogo e aceitando pagar alto por uma entrada
Os aeroportos internacionais de Cumbica, em Guarulhos, e de Ezeiza, em Buenos Aires, já vivem a semifinal da Copa Libertadores. Ao longo da segunda-feira (25), dezenas de torcedores embarcaram para a capital da Argentina, onde o Palmeiras enfrenta o Boca Juniors na quinta-feira (28). Nem todos, porém, com a garantia de que terão um lugar no estádio.
Na tarde de segunda-feira (25), em meio a várias pessoas de camisas do Palmeiras, um grupo de quatro torcedores no saguão de embarque, que não quiseram se identificar, por razões que serão explicadas ao longo do texto, negociava ingressos para o jogo, por telefone e WhatsApp.
– Somos em oito. Quatro têm ingressos, quatro não têm. Estamos comprando de um conselheiro, ao mesmo tempo que falamos com um cambista e com um amigo do meu filho, que vai vender sem ágio – disse um deles à reportagem da Trivela, temendo que sua identificação pudesse atrapalhar a possível entrada do amigo no estádio.
O Palmeiras divulgou que será necessário apresentar documentos na hora de entrar no estádio na quinta-feira (28). Conforme o alviverde informou à Trivela, o pedido partiu do Boca Juniors e não dos paulistas. A exigência poderia ser uma ‘resposta’ ao reconhecimento facial que será realizado no Allianz Parque, na partida de volta.
Pode ser também um blefe para tentar evitar repasse e cambismo, dado que os ingressos que já foram resgatados por alguns torcedores não trazem identificação nominal. Mas adquirir ingressos “de segunda mão”, ainda mais pelos preços praticados, não deixa de ser um risco.
Lucro exorbitante
– Desses quatro amigos sem ingresso, tem gente já na Argentina e outros que ainda vão embarcar, na expectativa de que alguma negociação dê certo – complementou o torcedor que tentava conseguir ingressos para seus amigos.
De acordo com esse grupo de torcedores, há conselheiros do Palmeiras pedindo até R$ 1300 por um ingresso comprado por R$ 300 em um guichê no clube social. Mas poderia ser ainda pior.
– Estou em um grupo com torcedores de outros clubes. Houve pessoas vendendo ingressos da final da Copa do Brasil, que custaram R$ 1000, por até R$ 3000 – disse.
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Conselheiros tiveram preferência
Conselheiros do clube foram convidados à sede social para terem preferência na aquisição de um bilhete cada. O convite aos conselheiros foi feito por meio de uma mensagem de WhatsApp disparada na noite de terça-feira (19), à qual a Trivela teve acesso.
Além de adquirirem ingressos com facilidade, dezenas de conselheiros do Palmeiras foram convidados por Leila Pereira para viajarem em seus aviões particulares para Buenos Aires.
A Mancha Verde tinha a expectativa de que Leila manteria a tradição de outras gestões de reservar uma parcela dos ingressos para venda direta aos torcedores uniformizados.
Mas a presidente, que não vive um bom momento com a torcida, tendo inclusive obtido uma medida protetiva contra três diretores da torcida, incluindo o presidente Jorge Luis, deu de ombros para tal protocolo.

Palmeiras Viagens teve primazia
O Palmeiras não informou quantos ingressos foram colocados à venda por meio da Palmeiras Viagens, que iniciou a venda de pacotes já no dia 6 de setembro.
A maioria dos torcedores que conseguiram ingressos os adquiriu por meio da agência parceira oficial. Mesmo aqueles que tinham pontuação suficiente no programa de sócio-torcedor Avanti para tentar um lugar na fila virtual quando as vendas abriram, no último dia 20.
– Eu sou cinco estrelas, mas já comprei pela agência, antes da venda geral. Até tentei comprar outro pelo Avanti, mas comecei a fila com 10 mil pessoas na minha frente – disse à reportagem Yuri Meggiolaro, 29, que viaja à Argentina com o amigo Jackson Takata, 30. Com três estrelas, Takata fez a compra direto pela Palmeiras Viagens.
– Temos amigos que já estão lá também, sem ingressos. Eles até tentaram comprar pacotes com ingresso, mas já não havia mais, e tiveram que comprar pacotes com hospedagem incluída, porque os pacotes só com traslado também estavam esgotados – disse Yuri.
– Eles vão tentar comprar de alguém na Argentina mesmo. Se não conseguirem, vão tentar ver o jogo em algum bar por lá – completou.
A julgar pela dificuldade que foi conseguir ingressos para o jogo, eles certamente terão a companhia de outros palmeirenses.



