Libertadores

Abel fala em Disney, mas Estêvão está mais pronto do que Endrick estava aos 16

O Cria da Academia do Palmeiras mostra mais maturidade e desenvoltura que o centroavante

O técnico Abel Ferreira, se tiver que pecar, o fará sempre pelo excesso, quando o assunto for aproveitamento dos jogadores das categorias de base. Como foi na entrevista coletiva após a vitória do Palmeiras por 3 a 1 sobre o Liverpool do Uruguai, pela Copa Libertadores.

Desse modo, o treinador voltou a pregar cautela. E, falando de Estevão, autor do terceiro gol e um dos melhores em campo, ele até mencionou a famigerada viagem à Disney, sugerida e acatada por Endrick, na época do Mundial de Clubes de 2021 — quando muitos pediam o prodígio de 15 anos na delegação que foi a Abu Dhabi.

— O que digo a ele é o que digo aos meus filhos e filhas: tudo no tempo de Deus, sejam felizes, quando tiver que ir a Disney vai porque o outro [Endrick] também foi e acabou vendido para o Real Madrid — disse o treinador do Palmeiras.

Mas a realidade é que Estêvão, que completa 17 anos na próxima semana, está mais pronto para jogar entre os profissionais do que Endrick estava na mesma época. E isso não é demérito de Endrick.

Na partida contra o Liverpool, sua primeira como titular, Estêvão jogou por 70 minutos — dez a menos do que o seu tempo total como profissional do Alviverde nesta temporada. E mostrou muita calma e tranquilidade.

Na primeira etapa, aliás, foi a principal válvula de escape do Palmeiras, tendo sido destinatário de três reposições rápidas de Weverton.

Abel certamente sabe que Estêvão está num estágio avançado de maturação para sua idade. A Trivela apurou com fontes do Palmeiras que a expectativa de Abel, da comissão técnica e da diretoria para Estêvão é até superior à que existia para o camisa 9.

— Feliz por ele ter feito um belo jogo, mas do mesmo modo, já disse: calma. Amanhã, vai ser bonito, todo mundo vai falar. Fico feliz porque ele merece. É dar os parabéns aos pais dele, ele é um bom moleque.

Outra questão que também é certamente do conhecimento de Abel é o fato de que Estêvão não vai tardar em ser negociado. O jogador interessa a todos os maiores clubes da Europa e já há contato com alguns deles com o Palmeiras.

— O futuro das novas gerações do Brasil tem meninos de bom coração. Se todos tratarmos bem o Estevão, acredito que, em cinco ou seis anos, as coisas podem ser muito boas não para mim, mas para o Brasil — afirmou o treinador do Palmeiras.

O que mais Abel falou:

Pouco público

— Eu queria ter visto o estádio cheio e não vi, e ninguém pode facilitar: nem treinador, nem jogador e nem torcida. O estádio tem que estar sempre cheio. Ontem, vi jogos da Sul-Americana com estádios cheios. Isto é Libertadores. Aceito que exijam tudo dos jogadores e treinadores, mas quanto mais pessoas forem ao nosso chiqueiro, melhor. Nas nossas vitórias em casa, 30% é deles, e hoje só tivemos 15% da força deles. Queremos 30% da força, e para isso temos que ter o nosso chiqueiro sempre cheio. Senti falta daqueles que não vieram hoje.

Conversa no intervalo

— Para ser sincero, meus jogadores sabem: quando ligam o modo competitivo, podem ganhar contra qualquer equipe, assim como podem perder quando não ligam. Achei que nós entramos um pouco desligados. Sofremos o gol cedo e isso condicionou. A correção no intervalo foi pouca coisa: temos que ter mais bola para poder atacar bem, e não perder a bola entre espaços. Foram muitos erros técnicos no 1° tempo, é o que eles queriam. O jogo estava muito ajeitado para as transições do adversário. Precisamos ter calma e ligar mais passes para desmontar a linha de cinco. Fizemos isso bem no 2° tempo e nossa atitude competitiva foi melhor. Não podemos dar espaço e ver o adversário pensar que pode vir

Luis Guilherme

— Se eu pudesse pedir ‘tempo’ no 1° tempo, teria feito. Rapidamente, após sofrer o gol, fomos muito precipitados. Era só fazer um pequeno ajuste. O Luis Guilherme saiu por ansiedade da equipe, não porque estava mal. Eu só queria um a mais na área. Era manter a calma e atacar bem, ter a bola e ligar passes preparatórios. Foi o que não fizemos no 1° tempo por um bom tempo, ficamos muito ansiosos. É possível sofrer um gol seja contra a equipe que for, isso não pode tirar nosso discernimento de continuar seguindo nossos princípios, foi o que falei no intervalo. Era fundamental ter controle de jogo por meio de uma posse para atacar bem e chegar ao gol com qualidade.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata Lima

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.
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