Libertadores

Palmeiras vence 1ª na Libertadores, mas gol de Estêvão vale mais que o resultado

Atacante de 16 anos do Palmeiras fez o terceiro e o mais relevante da primeira vitória do Alviverde nesta Libertadores

Pouco mais de 28 mil pessoas, incluindo o autor deste texto na Trivela, poderão dizer, no futuro: “Eu vi o primeiro gol do Estêvão como jogador profissional no estádio”. Foi dele, aos 16 anos, o terceiro gol do Palmeiras na virada (mais uma) por 3 a 1 sobre o Liverpool do Uruguai, nesta quinta-feira (11), pela Copa Libertadores.

Por mais que a vitória coloque o Palmeiras na liderança de seu grupo na competição, com quatro pontos e saldo melhor que o do Independiente Del Valle, o que mais valeu para todos que estiveram no Allianz Parque foi ver a próxima grande Cria da Academia balançar a rede pela primeira vez.

O gol de Estêvão, 16, foi mais comemorado que o gol da virada. Veiga, sozinho na intermediária direita do Liverpool, cruzou com perfeição para o camisa 41 apenas desviar e fazer um gol fácil do ponto de vista técnico. Mas enorme do ponto de vista histórico.

Antes do gol, Estêvão já era o principal nome do time. Pela direita do ataque, o garoto não se intimidou nem um milímetro.  Na primeira etapa, em que o time parecia perdido, recebeu aos menos três ligações diretas de Weverton e conseguiu escanteios e laterais nas proximidades da área rival.

Assim que balançou a rede, o camisa 41 correu para a torcida. Depois, recebeu um abraço de Endrick, o primeiro a chegar, e de outros colegas.  Mais tarde, sozinho, ajoelhou perto da bandeira de escanteio, de olhos fechados, e olhou para o céu, em agradecimento. Minutos antes de ser sacado pelo técnico Abel Ferreira.

— Cara, na hora que ele (Abel) falou que eu ia jogar, eu dei graças a Deus — disse Estêvão, após o jogo.

— Tenho que agradecer essa torcida maravilhosa. Se Deus quiser, vem muito mais pela frente — completou.

Ressaca pelo Paulista

Com um time misto, tendo Luis Guilherme e Estevão entre os 11, o Palmeiras entrou em campo claramente ainda de ressaca pela conquista do Campeonato Paulista. O time estava tão desatento e desconjuntado, também pelo ineditismo da escalação, que nem o gol do Liverpool, aos 2 minutos de jogo, acordou os jogadores.

Pior que o Verdão, só o VAR. Weverton espalmou mal o chute de Luciano Rodrigues, para frente. Juan Rosso veio na corrida e balançou a rede, em posição claramente legal. O bandeira anulou, mas bastava uma olhada no replay para se concluir que o gol havia sido legal. O VAR, porém, demorou absurdos 6:30 minutos para validar o lance.

O normal seria o Liverpool se fechar. Afinal, vantagem sobre o Palmeiras, para um time que nunca pontuou como visitante na Libertadores em sua história, deveria ser coisa para se guardar com um ônibus estacionado na frente da área. Mas os uruguaios seguiram jogando e chegaram a ter mais a bola até por volta dos 30.

O Palmeiras seguia errando muito e dando contra-ataques ao Liverpool. Veiga só não teve uma reversão assinalada porque não bateu nenhum lateral. Mas se equivocou em passes de dois metros. Piquerez fazia eco com o camisa 23. E até Aníbal Moreno, quase sempre impecável, não estava bem.

Já Estevão e Luis Guilherme deitavam. Abertos pelas pontas, eram quem tentava trazer o Palmeiras ao ataque. Em especial Estêvão. Aos poucos, Flaco López e Richard Ríos se equipararam aos dois garotos. E o Alviverde cresceu.

Empate salvador

O empate veio nos acréscimos. E, verdade seja dita, em um escanteio mal batido por Veiga, no primeiro pau. A sorte é que a defesa charrúa se desconcentrou, e Aníbal nem saltou para cabecear e empatar o jogo, aos 49 — os acréscimos na etapa inicial chegaram a 11 minutos.

Foi Luis Guilherme quem fez fila, aos 53, e cruzou para Flaco dar dois dribles e bater em cima da zaga e depois ter seu chute salvo em cima da linha. O VAR ficou mais três minutos checando um pênalti no primeiro chute do argentino. Mas nada foi assinalado.

Virada e 1º gol de Estêvão

O empate deu ao Palmeiras a tranquilidade para jogar no segundo tempo e buscar a virada. Não demorou nada. Aos 13, em cruzamento de Veiga, Flaco entrou pelo meio da área e desviou de leve para fazer 2 a 1.

Aos 21, em mais um cruzamento de Veiga, que achou seu lugar no campo, veio o terceiro: Estêvão, de cabeça, cabeceou sem chance para o goleiro, fez 3 a 1, comemorou emocionado e foi substituído.

O 3 a 1 fazia sentido e escancarou a diferença técnica entre as equipes. O sumiço da tensão era palpável. E o Palmeiras, tranquilo, vencia para assumir a ponta do Grupo F da Libertadores, num jogo que será lembrado por muito tempo.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata Lima

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.
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