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O Inter pós-Aguirre dominará o mundo. Pelo menos no Football Manager

Por Thiago Arantes*

A ideia não é original. Foi inspirada – ou copiada, como queiram – no inglês que simulou mil anos de Football Manager. Li a história aqui mesmo na Trivela e, no dia seguinte, comecei a brincar de fazer a mesma coisa. O plano era simples: simular o jogo, com a base de dados do futebol brasileiro. Até quando? Mil anos? Não, até o meu Goiás ser campeão nacional (ou seja, poderiam ser muito mais de mil anos).

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Estou em 2070. O Goiás não ganhou nenhum Brasileiro, foi finalista da Copa do Brasil duas vezes e jamais voltou à final da Sul-Americana. Mas, com todo o respeito, pouco importa o Goiás. O Brasileirão 2070 acabou de terminar com um título do Internacional. Os gaúchos somaram 82 pontos, contra 76 do Corinthians, 69 do Fluminense e 66 do Grêmio. Mas atenção que a parte mais impressionante vem agora: o título foi o 47o na história do Internacional no Brasileirão.

Não, você não leu errado.

Em 56 campeonatos disputados (contando o de 2015, vencido pelo Palmeiras), o colorado conquistou o título 44 vezes. Mais: o título de 2070 é o nono seguido. Antes, o Inter havia sido octacampeão entre 2035 e 2042, além de ter sido hepta, entre 2049 e 2055.

A dominação do Inter no Brasileirão (clique na imagem para ampliar)
A dominação do Inter no Brasileirão

Mas o incrível domínio colorado vai muito além das fronteiras do Brasil. Os gaúchos se transformam rapidamente nos reis da América com – respire fundo – 30 títulos em 55 anos. Incluindo um (prepare-se) decacampeonato entre 2049 e 2058. E ainda a maior série invicta da história, com 54 jogos entre 2020 e 2023 (o clube levou a taça em 2021, 2022, 2023 e 2024).

[O Brasil, empurrado pelo Inter, faz a festa na Libertadores, aliás. O Corinthians venceu o torneio mais 4 vezes, mas a espera pelo bi dura até 2048; o Fluminense também ganha quatro vezes; o Bahia ganha três, o Flamengo finalmente é bi em 2066. E o América Mineiro, que volta a ser uma potência em Minas, conquista a América em 2043 – bem no ano do centenário do Goiás!]

Só que, ainda assim, a América não é o bastante. O Inter, com outros 19 títulos, torna-se o maior campeão mundial interclubes. E a lista de rivais derrotados nas finais impressiona: Milan, Manchester City,  Bayern de Munique (três vezes!)… todos padecem diante do super Colorado. A má notícia é que, até 2070, o Mazembe nunca mais apareceu no caminho para levar uma surra com sabor de vingança.

A dominação do Internacional na Libertadores (clique na imagem para ver em tamanho maior)
A dominação do Internacional na Libertadores

Mas, afinal, como o Inter tornou-se esta máquina? A resposta parece estar em alguns pontos do jogo – entre eles, o sistema de revelação de jogadores. Times acostumados a revelarem mais jogadores na “vida real”, costumam ter uma engenharia parecida.

O Inter, que há anos revela talentos (e quase sempre vende bem) é um beneficiado natural. Com o fato de haver apenas a liga brasileira na simulação, a maioria dos jogadores não sai para a Europa no auge da carreira.

Um exemplo é Teco, atacante nascido em 2023, criado na base do Paraná Clube e que chegou ao Inter aos 17 anos. Durante 20 anos ele defendeu o clube gaúcho, marcando 421 gols em 725 jogos, dois recordes no clube. Aos 37, já em fim da carreira, foi realizar o sonho de jogar na Premier League, pelo Everton.

O Inter de 2070 é o time multicampeão de tudo. E, também, o mais rico do mundo. Com patrimônio de 4,6 bilhões de reais. O Arsenal, segundo colocado, tem 3,7 bilhões. Barcelona e Real Madrid – quinto e sexto – somam 4,2.

Uma realidade virtualmente inimaginável, mas que apareceu diante dos meus olhos em uma brincadeira que ainda não terminou (só paro com o Goiás campeão!). E que, é claro, está na esfera da ficção, quase do surrealismo.

Mas, na simulação do Football Manager, o Inter só engrena mesmo a partir de 2018, quando finalmente encerra o jejum no Brasileiro. Ainda acho que a demissão de Diego Aguirre, nesta quinta-feira, é um erro. Mas talvez alguém na diretoria do Inter anda jogando Football Manager demais…

PS: O texto é principalmente sobre o Inter, mas chegar a 2070 e não olhar as Copas do Mundo é muita maldade. Pois vamos lá: a Alemanha ganha 2018 (com Messi artilheiro e melhor jogador, mas a Argentina em terceiro); a Argentina, sem Messi, ganha em 2022.

Depois, vários países se revezam até o título da França, o segundo da história, em 2070. A Dinamarca se torna uma potência, com três títulos (2026, 2042 e 2066).

E o Brasil? Bem, o Brasil finalmente é hexa! Em 2038, no Mundial dos Estados Unidos, vencendo a Dinamarca na decisão.

Mas o país com mais títulos mundiais agora é outro. A Alemanha. Sim, a Alemanha. Com quantas taças?

Sete.

*Thiago Arantes é correspondente da ESPN em Barcelona e costumava jogar Football Manager quando tinha tempo; agora se contenta em simular esperando o Goiás ser campeão nacional.

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