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O Flamengo fez uma atuação fraca, tomou sufoco do Ñublense e o empate aumentou a pressão

O Flamengo teve uma atuação bastante apagada na visita ao Chile e se vê numa situação incômoda na Libertadores, tomando calor dos azarões

O Flamengo não consegue engrenar sob as ordens de Jorge Sampaoli. E o time sofreu mais um tropeço na Copa Libertadores, contra um adversário inferior tecnicamente. Tudo bem que o empate por 1 a 1 com o Ñublense acontece fora de casa, na visita a Concepción. Mesmo assim, foi uma atuação muito fraca dos rubro-negros. A equipe criou pouquíssimo no ataque e terminou o jogo só com sete finalizações, míseras três no alvo. Gabigol conseguiu abrir o placar no primeiro tempo, mas não que o Fla agradasse. Pois a segunda etapa foi pior, com o time permitindo o crescimento dos chilenos até que o empate viesse. O Flamengo até continua na zona de classificação do Grupo A, na segunda colocação, mas com metade dos pontos do líder Racing e com os azarões do grupo em seu encalço.

O Flamengo teve sua primeira chegada logo cedo na partida, numa cabeçada de Vidal sem dificuldades ao goleiro Nicola Pérez. Os rubro-negros mantinham a posse de bola de início, com investidas pelo lado esquerdo, onde Gérson se soltava. No entanto, o Ñublense recuava com duas linhas compactas e não oferecia muitos espaços aos oponentes. Era uma partida morna, em que os rubro-negros rodavam bastante a bola, mas com pouca agressividade. Vidal chegou a tentar um chute aos 17, defendido sem problemas. Faltava mais de penetração aos flamenguistas.

Não que o Flamengo precisasse se preocupar do outro lado. O Ñublense teria algumas finalizações da entrada da área, por volta dos 20 minutos, sem fazer muito. E num jogo no qual os atacantes rubro-negros mal apareciam, o gol surgiu na primeira grande brecha a Gabigol, aos 34. Numa bola esticada por David Luiz no ataque, Gérson tentou o passe para Pedro e a defesa cortou parcialmente. A sobra ficou com Gabigol, que disparou um ótimo chute da entrada da área, no canto inferior. Depois disso, os chilenos adiantaram a marcação e quase empataram numa bola recuperada aos 38. Bayron Oyarzo mandou um míssil no travessão. Seria uma reta final mais ativa dos anfitriões, mas nada além disso.

O segundo tempo não começou bem para o Flamengo. Os rubro-negros voltaram desatentos e sequer exibiam a capacidade de controle da bola. Os erros na construção davam a posse de bola de graça para o Ñublense, sem um contra-ataque sequer. Aos poucos, os chilenos foram ganhando confiança. Passaram a ocupar o campo de ataque e a arriscar as finalizações. O goleiro Matheus Cunha precisou trabalhar pela primeira vez aos 18, numa batida de muito longe de Jorge Henríquez. As primeiras trocas do Fla ocorreram aos 24, com as entradas de Ayrton Lucas e Léo Pereira nos lugares de Filipe Luis e Varela. Ainda assim, os flamenguistas pareciam em estado de choque, congelados em campo.

Cada vez mais, o gol do Ñublense começou a amadurecer. Henríquez mandou uma sapatada do meio da rua aos 25, obrigando mais uma defesa de Matheus Cunha. Depois, Rafael Caroca conectou uma cabeçada com muito perigo ao lado da meta. Com o Flamengo nas cordas, o gol de empate saiu aos 27 minutos. Numa bola alçada que a defesa não afastou totalmente, a sobra permaneceu com os chilenos na entrada da área. Henríquez partiu para dentro e a defesa do Fla vacilou de novo, na tentativa do corte. Sozinho diante do gol, Henríquez chutou cruzado e venceu Matheus Cunha, que ainda tocou na bola. Os flamenguistas pagavam o preço de seus problemas evidentes.

Só depois disso é que o Flamengo acordou. Erick Pulgar e Victor Hugo foram outras trocas, nos lugares de Vidal e Everton Cebolinha. Os rubro-negros voltaram a ficar mais com a bola e a acuar o Ñublense. Entretanto, a equipe não conseguia conectar o ataque. Assustou novamente apenas aos 38, num bom lance de Gérson. O meio-campista tabelou com Pedro e até passou pelo goleiro, mas chutou com pouco ângulo e viu a zaga fazer o corte na pequena área. E o Fla seguia abusando dos erros, até dando chances aos contragolpes chilenos. Durante os acréscimos, o perigo se tornou mais claro. O Ñublense lançou a bola na área e os flamenguistas tinham dificuldades para respirar. Juan Córdova quase fez num cruzamento fechado. Apesar de todo o sufoco, o Flamengo pelo menos teve a última chance da noite, num erro dos adversários. Pedro ficou de frente para o crime e tentou encobrir o goleiro, mas Nicola Pérez salvou com um leve desvio para fora. Não era o dia.

O Flamengo chega aos cinco pontos no Grupo A, praticamente sem chances de buscar a liderança. O Racing lidera com dez pontos. Além disso, Ñublense e Aucas são ameaças, com quatro pontos para os chilenos e três para os equatorianos. O trunfo do Fla é disputar os dois últimos compromissos em casa. Apesar disso, a campanha atual lembra algo que os rubro-negros esperavam ter ficado no passado: os tempos em que o clube insistia em dar vexame na fase de grupos da Libertadores. É com isso que os atuais campeões flertam.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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