Libertadores

Maurício Noriega: Enel me impediu de ver a final da Libertadores

Sem eletricidade, sem a imprescindível oferta do jogo ao vivo, só posso lamentar o descaso com o consumidor e parabenizar o Fluminense pela espetacular conquista inédita

Por obra e desgraça da Enel, a empresa que cuida da distribuição de energia na cidade de São Paulo, não pude ver a final da Libertadores. No total são quase 30 horas sem energia. Dois milhões de pessoas ficaram sem acesso à eletricidade na maior cidade do país. Como sempre, a desculpa é a ocorrência de um evento climático extremo. Balela! Em São Paulo bastam uma brisa e uma garoa que a energia vai para o beleléu. O que denota o total despreparo das empresas que operam serviços essenciais.

Não tenho o costume de analisar jogos que não vi. Comentar uma final em videoteipe é o mesmo que ver um show gravado. Mas é impossível não parabenizar o Fluminense pela conquista que valoriza o futebol, o desejo de buscar o resultado, jogando bem ou mal, mas tentando. Por tudo que ouvi de analistas a quem respeito, o Boca repetiu a estratégia de jogar para Romero garantir nas penalidades. Um time que empatou todos os jogos que disputou após a fase de grupos. Foi cair apenas na prorrogação da final. Certamente há quem considere isso competência defensiva. Prefiro ler como falta de ideias e de coragem.

Cano e John Kennedy passarão para a história como os heróis da primeira Libertadores do Flu. Cano mais do que isso: entra para a história como um dos maiores jogadores da instituição. Pode tranquilamente posar para fotos ao lado de Romerito e Rivellino com igual importância.

John Kennedy é uma dessas combinações de peladeiro com profissional que só o futebol brasileiro é capaz de produzir. Um artista meio desmiolado. Pelo que vi nos relatos, fez um gol de almanaque e foi expulso ao comemorar tresloucadamente, ciente de que tinha cartão amarelo. O que deu a um adversário que não estava muito a fim de jogo a chance de ostentar 70% de posse de bola em parte da prorrogação.

A coordenar tudo isso está Fernando Diniz. Ainda longe de ser o revolucionário que muita gente tenta pintar. Mas com méritos claros na aposta em um jogo que tem como base a busca do gol.

Queria muito falar mais sobre a final. Analisar detalhadamente cada aspecto do jogo. Mas peguei carona no 4G do celular para entregar o texto no mesmo dia. Anda estou tentando ser atendido pela Enel. Eu e milhões de paulistanos. Uma empresa incapaz de atender seus clientes pode ser capaz de distribuir e manter energia para 8 milhões de pessoas?

Imagino o desespero dos tricolores cariocas radicados em São Paulo e dos amantes do futebol que foram impedidos de acompanhar o jogo mais importante do ano na América do Sul na cidade mais importante do continente.

Se fossem torcedores do Boca, diria para reclamar com a Enel!

Foto de Mauricio Noriega

Mauricio Noriega

Colunista da Trivela

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