Libertadores

Libertadores: Confronto mais aberto oferece desafio e aprendizado a Ancelotti

Treinador do Botafogo terá um jogo na altitude de Quito pela primeira vez na vida

Com a exceção do confronto envolvendo o Palmeiras, todas as vagas nas quartas de final da Libertadores estão em aberto. E talvez a disputa mais fascinante seja aquela com o campeão atual.

Fui para o estádio na quinta-feira passada onde, junto com 30.000 botafoguenses, assisti a um gol depois de 13 segundos e fiquei esperando uma goleada — que não veio. As estatísticas mostram que a Liga de Quito, LDU, teve mais finalizações do que o próprio Botafogo. O segundo gol brasileiro nunca pareceu provável.

No ataque, o Igor Jesus é um jogador quase impossível de substituir e, no meio-campo, apesar do pulmão impressionante de Danilo, não há ninguém para proteger o espaço à frente da zaga da maneira que o Gregore fazia com tanta eficiência.

O 4-2-3-1 tem as suas vulnerabilidades — como o Santos descobriu no domingo, despencando para uma derrota extraordinária contra o Vasco da Gama. Se a linha de dois não consegue se conectar com a de três, pode sobrar espaço para o adversário e a defesa fica exposta. Foi uma catástrofe para o Santos no domingo, e um problema para o Botafogo na quinta-feira passada.

Mas nesta quinta, o Botafogo vai enfrentar um outro problema, um para o qual o seu novo técnico não tem preparo. Pela primeira vez, Davide Ancelotti vai jogar na altitude. Tudo bem, Quito não é La Paz: 2.800 metros acima do nível do mar não são 3.600. Mesmo assim, a capital do Equador representa um desafio inédito na carreira ainda nova de ‘Ancelottinho’ — o mesmo desafio que já derrotou um técnico europeu com um currículo impressionante.

Davide Ancelotti, técnico do Botafogo Foto: (Vítor Silva/Botafogo)
Davide Ancelotti, técnico do Botafogo Foto: (Vítor Silva/Botafogo)

Outro europeu sofreu na altitude

O português (embora nascido na África) Carlos Queiroz já treinou o Real Madrid, trabalhou no Manchester United, comandou as seleções de Portugal e Irã, entre outras. Mas uma das suas experiências mais infelizes foi com a seleção da Colômbia.

Iniciou as eliminatórias para a Copa do Catar. Já estava sob pressão depois da terceira rodada, uma derrota por 3 a 0 em casa contra o Uruguai. E quatro dias depois a casa caiu definitivamente. O seu time perdeu para o Equador por 6 a 1 — a primeira e única vez que eu vi um técnico, por vontade própria, fazer quatro substituições antes do intervalo.

Ficou evidente que Queiroz não havia conseguido fazer o básico para uma partida em Quito: planejar o jogo de forma eficaz para as condições. O time precisa se preparar para correr menos, cadenciar o ritmo e atacar esporadicamente com velocistas. E não pode defender muito perto do próprio gol — com menos oxigênio no ar, a bola encontra menos resistência e se movimenta com mais velocidade, o que é um grande perigo para o goleiro desacostumado.

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O português Carlos Queiroz quando técnico da Colômbia, em 2019 (Foto: Imago)

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O desafio de Ancelotti na Libertadores

O que Davide Ancelotti sabe disso? Ele tem muito pouca experiência como técnico e nenhuma em jogos decisivos na altitude.

Mas os seus jogadores têm. No ano passado, o Botafogo estava no mesmo grupo da LDU e perdeu em Quito por 1 a 0, na estreia do técnico Artur Jorge. Alexander Barboza e Marlon Freitas estavam em campo. Atletas bem inteligentes, eles terão muita informação para passar ao seu técnico.

E Davide Ancelotti, então, tem bem cedo a oportunidade de aprender uma lição que foi muito importante na carreira do seu pai — que há momentos em que a arte da liderança obriga a ouvir mais do que falar.

Foto de Tim Vickery

Tim VickeryColaborador

Tim Vickery cobre futebol sul-americano para a BBC e a revista World Soccer desde 1997, além de escrever para a ESPN inglesa e aparecer semanalmente no programa Redação SporTV. Foi declarado Mestre de Jornalismo pela Comunique-se e, de vez em quando, fica olhando para o prêmio na tentativa de esquecer os últimos anos do Tottenham Hotspur

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