Libertadores

Abel explica que Palmeiras massacrado do 1º tempo em Quito nasceu de uma opção

Técnico do Palmeiras revelou ter ficado com dúvidas sobre escalar uma equipe menos cansada, mas também menos experiente

Abel Ferreira era a tradução da leveza, na entrevista coletiva após a virada por 3 a 2 sobre o Independiente del Valle, em Quito, na noite de quarta-feira (24), pela Copa Libertadores.

O português não conseguia esconder a alegria com a quarta virada em nove partidas nas quais saiu atrás no placar no ano — empatou três e perdeu duas.

É para ficar aliviado mesmo. Porque conseguir uma vitória depois do vareio sofrido na primeira etapa foi um feito e tanto.

 

Na dúvida

— Vou partilhar uma coisa: foi muito difícil escolher o time titular. Tive muitas dúvidas até ontem às 21h. Ontem também, disse que precisaríamos de todos para ganhar o jogo de hoje — disse Abel.

O português revelou ter usado um time mais cascudo, com jogadores mais experientes, ainda que muito cansados, com o intuito de segurar a pressão do time da casa.

— Minha dúvida foi entrar com uma equipe de moleques num jogo de Libertadores ou vou com os experientes para aguentar a primeira pancada e depois refrescar com essa irreverência. Eu também tive sorte.

— O primeiro tempo foi muito duro. 30 minutos muito duros, a capacidade de se adaptar ao clima foi muito dura. O verdadeiro ajuste veio no intervalo. O gol nos colocou no jogo. Pedi calma, fizemos ajustes e entramos muito melhore — disse o português.

— Foi uma virada do time da virada, do time do amor. É um orgulho muito grande estar junto desse grupo e viver essas emoções. Não é a primeira vez, mas dificilmente um dia viverei isso em algum lado — afirmou.

Sem disfarçar a satisfação, Abel relembrou que não é comum uma equipe brasileira vencer o Del Valle na altitude de Quito. Em 32 partidas como mandante na Copa Libertadores, a equipe perdeu apenas duas, ambas para o Palmeiras.

Além do jogo de ontem, o Verdão venceu os alvinegros por 1 a 0 na edição de 2021 do torneio continental.

— Não é fácil jogar aqui, não é fácil ganhar aqui. O Del Valle vinha de nove jogos sem perder. Passamos sérias dificuldades. Agora o explicar o porquê as únicas derrotas do Del Valle aqui são para o Palmeiras, eu não sei. Preciso que vocês me ajudem.

Garotada

Se começou com os cascudos, Abel terminou o jogo com cinco garotos em campo em busca da virada. Vanderlan, Estêvão e Luis Guilherme, crias da Academia, tinham as companhias de Lázaro, recém-chegado, e Flaco, que ainda é um jogador de 22 anos, algo que nem sempre é lembrado.

Autor do gol da virada, Luis Guilherme apareceu muito bem jogando pela meia central, que é seu lugar favorito no campo.

— Ele já me disse, disse que gosta de jogar na posição do Veiga (risos) — revelou Abel.

— Fico feliz porque eles trabalham muito. Estêvão fez 17 anos. Eu, como treinador e como homem, tenho a missão de ajudar. E eu venho da formação. Sei o quanto esses moleques têm de vontade. Às vezes é só preciso de calma. Foi uma frase que aprendi aqui, é tudo no tempo de Deus — prosseguiu.

— Quando vemos o Estêvão fazer gol ou o Luis… É como ver o filho tirar uma boa nota. É um orgulho. Sei o quanto trabalham e querem. Às vezes tenho que colocar travas, falar coisas que não gostam de ouvir, assim como filhos. Às vezes chamam ‘É o pior pai do mundo’, eles já devem ter pensado ‘É o pior treinador do mundo’. Mas minha função é ajudar. E quando vejo isso traduzido em resultado, meu coração enche de alegria. Orgulho muito grande — finalizou.

 

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata Lima

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.
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