Libertadores

Repetitivo, Renato resume derrota do Grêmio ao desgaste após a final do Gaúcho

Após preservar alguns jogadores e perder em casa para o Huachipato, pela Libertadores, Renato Portaluppi usou estadual para justificar

Três dias depois de vencer o Juventude e conquistar o heptacampeonato gaúcho, o Grêmio entrou em campo, na noite desta terça-feira (9), em busca de recuperação na Libertadores após derrota na estreia, para o The Strongest. Porém, o Huachipato, assim como em 2013, foi pedra no sapato do Tricolor Gaúcho, e venceu por 2 a 0, em plena Arena do Grêmio. Na entrevista coletiva após o jogo, o técnico Renato Portaluppi, que completou 500 jogos no comando do clube, praticamente reduziu o insucesso ao desgaste oriundo da final do estadual.

Renato optou por preservar quatro titulares do início do jogo. Kannemann sequer foi relacionado, e Pepê, Pavón e Gustavo Nunes iniciaram no banco de reservas. Em seus lugares, começaram Rodrigo Ely, Du Queiroz, Galdino e Soteldo. O treinador disse que preferia perder um pouco na parte técnica do que ser ‘atropelado’ fisicamente pelo Huachipato. E afirmou, mais de uma vez, que faria tudo de novo se tivesse oportunidade.

— Se você pensar um pouquinho, você vai me dar razão. Você é o treinador, você jogou há três dias, uma decisão pegada, corrida, jogadores cansados. Você quer que eu ponha os 11 jogadores de novo? Para correr risco de lesão? Por que eu tenho um grupo? Todos os jogadores vinham bem no estadual, inclusive o Galdino, que estava bem no primeiro tempo. Você sabia que o nosso adversário jogou há uma semana, e estava aqui desde domingo? Eu sou pago para pensar. Você vê que ainda assim sofremos na parte física. Se não podemos contar com os jogadores do grupo, temos que mandar 15 embora — disparou Renato.

Opiniões da imprensa vão conforme o vento, segundo Renato

O treinador repetiu esse discurso sobre o desgaste diversas vezes ao longo da entrevista. Criticou o calendário brasileiro, relembrando que o Grêmio jogou nove vezes em 30 dias. E atacou a imprensa por não concordar com sua ideia de preservar jogadores na competição que é considerada a mais importante da temporada tricolor.

— Caramba, é difícil vocês entenderem meu pensamento? Vocês preferem que eu coloque o time cansado? Quando levamos os reservas para a Bolívia, e ganhamos o estadual, todo mundo aplaudiu. Aí três dias depois, criticam. Por que eu colocaria todo mundo? Para daqui a pouco perder jogadores por lesão muscular, como perdemos um [Mayk]? Se tivesse que voltar atrás, eu faria tudo de novo. Eu sou pago para pensar, e eu entendo de futebol, e entendo de vestiário — vangloriou-se Renato.

Críticas de Renato sobraram também para a torcida do Grêmio

Mas as críticas do treinador do Grêmio não foram só para imprensa. Renato também não gostou da postura da torcida gremista, que, antes de vaiar toda equipe ao final do jogo, vaiou individualmente Marchesín, Rodrigo Ely e Du Queiroz toda vez que eles tocavam na bola na reta final da partida.

— É lógico que ninguém gosta de perder. Eu também entendo o torcedor. O que posso falar é pedir desculpas. A torcida veio aqui, nos apoiou de novo. Mas infelizmente, aconteceram coisas no jogo que não pensávamos que iria acontecer. O que não pode é em uma derrota, já aconteceu lá atrás, começar a vaiar A, B ou C. Aí complica o treinador. Aí quem vou colocar? — perguntou retoricamente.

No passado, jogadores como Diogo Barbosa e Thiago Santos foram muito contestados pela torcida do Grêmio, até que a continuidade deles no clube ficasse insustentável. Recentemente, Renato defendeu seus ex-comandados, que foram campeões da Libertadores com o Fluminense. Agora os alvos mudam, mas o treinador está igualmente disposto a defender seus atletas.

Foto de Nícolas Wagner

Nícolas Wagner

Gaúcho e formado em Jornalismo pela PUC-RS, já passou pela Rádio Grenal e pela RDC TV. É, também, coordenador de conteúdo da Rádio Índio Capilé.
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