Libertadores

Nem expulsão polêmica tirou vaga na final de um Flamengo que soube domar o ‘inferno azul’

Rubro-negro de Filipe Luis jogou grande parte da segunda etapa com a menos e teve Rossi como herói para sobreviver na Argentina

DIRETO DE BUENOS AIRES – O trânsito para chegar no estádio Presidente Perón, em Avellaneda, era uma premissa do que aconteceria dentro de campo na partida entre Racing e Flamengo, pela semifinal da Copa Libertadores, na noite desta quarta-fera (29). O empate por 0 a 0 que classificou o rubro-negro foi truncado, foi emocionante e teve um herói, ironicamente (e novamente), argentino.

Após uma expulsão polêmica de Gonzalo Plata no segundo tempo, o Flamengo teve que travar um Racing que tentou no abafa chegar à decisão da Copa Libertadores, mas, quando chegou, parou em Rossi. A Trivela esteve no Cilindro e te conta como foram os 90 minutos que garantiram a vaga rubro-negra na final que acontecerá em Lima, no dia 29 de novembro.

Obstáculos para o Flamengo começaram no caminho do Cilindro

Horas antes do jogo, as principais vias de Buenos Aires ficaram travadas entre pessoas que queriam chegar ao jogo, outras que estavam voltando do trabalho ou até que apenas decidiram sair nesta noite.

E não apenas torcedores e cidadãos argentinos ficaram presos no trânsito. A delegação do Flamengo também atrasou para chegar ao estádio em Avellaneda, localizado na grande Buenos Aires, cerca de 10km do Obelisco da cidade, e por isso, o jogo precisou ser postergado por 20 minutos, iniciando às 21h50 (horário de Brasília) — anteriormente a bola rolaria às 21h30 (de Brasília).

Apesar do atraso e do clima frio na capital argentina, com os termômetros na casa dos 14 graus, o estádio do Racing era um caldeirão. Enquanto o jogo oficial não começava, crianças utilizavam as partes baixas da arquibancada para jogar “la pelota”. Na parte mais alta, a torcida do Racing cantava para tentar esquentar, enquanto os Rubro-Negros não ficavam atrás e respondiam à altura.

Festa da torcida do Racing, minutos antes do duelo diante do Flamengo (Foto: Gabriella Brizoti/Trivela)

Minutos antes do apito inicial, uma recepção de tirar o fôlego, como pediu o técnico Gustavo Costas dias antes do duelo. Fogos de artifício, balões e muita fumaça foram a base da festa da torcida local.

O estádio foi encoberto por uma névoa branca e azul, enquanto a torcida gritava empurrando o time em busca da grande final, na qual o Racing esteve apenas uma vez, há 58 anos. Um verdadeiro “inferno” futebolístico e uma aura digna de Libertadores marcaram o início da decisão e dos 90 minutos mais importantes do ano para ambos os times. 

Torcida do Racing faz show pirotécnico antes do duelo contra o Flamengo (Foto: Gabriella Brizoti/Trivela)

A torcida do Flamengo respondia gritando o nome dos onze titulares em ordem de formação, começando pelo arqueiro — argentino— Agustín Rossi, que se tornaria herói rubro-negro, sendo eleito oficialmente o melhor jogador ao final da partida.

VAMOS ACADE, VAMOS ACADE” era o grito que embalava os fanáticos da equipe de Avellaneda

Mesmo pressionado pelo ambiente hostil, o Flamengo – que construiu a vantagem de 1 a 0 no Maracanã – criou grandes jogadas e assustou os donos da casa, obrigando o goleiro Cambeses a fazer boas defesas.

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Racing não soube lidar com ‘congestionamento’ do Flamengo

O Racing de Gustavo Costas sofreu para organizar jogadas no primeiro tempo. O Flamengo encaixotava muito bem os homens de frente do adversário, travava tudo de maneira inteligente, ao mesmo tempo em que conseguia agredir os donos da casa.

A equipe da casa se mostrou afobada desde o início, se atrapalhando ao tentar tocar a bola e abusando das bolas longas na área rubro-negra. Enquanto o jogo era paralisado por faltas, Filipe Luís dava instruções ao pé do ouvido de Arrascaeta e o tempo corria. Intervalo em Avellaneda.

Vermelhos polêmicos no Cilindro complicaram o Flamengo

Copa Libertadores – Racing Club Vs Club Regatas Flamengo Juan Domingo Peron Stadium
Rossi, goleiro do Flamengo, foi eleito melhor jogador da semifinal na Argentina (Foto: Imago)

Racing e Flamengo voltaram buscando o jogo na segunda etapa, num jogo que seguia equilibrado até que aos 10 minutos tudo mudou.

Após um choque, Gonzalo Plata caiu no gramado. Provocado por Marcos Rojo, o atacante do Flamengo empurrou o atleta do Racing em resposta à provocação, num lance que parecia apenas um entrevero. O árbitro Piero Maza, do Chile, mostrou o cartão vermelho ao equatoriano.

O lance gerou muita polêmica devido à gravidade da punição. Marcos Rojo tentava empurrar o camisa 50 para acelerar sua saída de campo. O Racing corria contra o tempo para diminuir o marcador.

Enquanto o VAR analisava o lance, a torcida local transformou o Cilindro num caldeirão ainda maior. Os jogadores do Flamengo reclamavam, enquanto o Racing se desesperava com o relógio que prosseguia. A expulsão, enfim, foi confirmada sem que o árbitro de vídeo chamasse Piero Maza ao monitor.

Com um a mais, o Racing intensificou o abafa, mas sem muitas ideias. Quando chegou perto do gol, esbarrou no gelado Rossi, que parecia não se importar com o volume crescente da torcida azul e branca.

O cartão vermelho voltaria a aparecer nas mãos de Piero Maza. Aos 30 minutos, Marcos Rojo se chocou com jogador do Flamengo e foi expulso direto, no que pareceu uma ‘compensação’ do árbitro. Dessa vez, porém, o VAR considerou revisão na cabine, e o árbitro retirou a punição, mantendo o jogador na partida, para alegria e delírio da torcida presente.

Ainda assim, o Racing precisava de um gol para manter o sonho da final vivo. Faltavam 15 minutos para o fim do duelo. O time da casa tropeçou na falta de talento, mas tentou compensar com raça, empurrado por 55 mil presentes. Do lado do Flamengo, Filipe Luís pedia calma e parecia muito consciente do que sua equipe precisava fazer para resistir ao ‘inferno azul’.

O “Vamos Vamos Acade” voltava a tomar conta do estádio, como um grito desesperado dos torcedores que esperavam ao menos um gol para ver o duelo ser decidido nos pênaltis. O cronômetro corria como um grande amigo flamenguista e um inimigo da Academia.

Aos 46 minutos, o Racing teve sua última grande chance, mas parou no mesmo obstáculo: Rossi. Vietto aproveitou bola na área e finalizou de muito perto e o viu o arqueiro argentino realizar a defesa que garantiu o rubro-negro em Lima.

Conforme o cronômetro ia chegando ao final dos seis minutos, os gritos da torcida do Flamengo transformaram o Cilindro no Maracanã. Mesmo frustrada, a torcida do Racing aplaudiu seus jogadores de pé. Aplausos que foram abafados pela festa alvinegra em Avellaneda.

Foto de Gabriella Brizotti

Gabriella BrizottiRedatora de esportes

Formada em jornalismo pela Unesp, sou uma apaixonada pelo esporte em geral, principalmente o futebol. Dentre as minhas paixões, está o futebol argentino e suas 'hinchadas'.

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