Libertadores

A ciência é aliada de Tite, mesmo após perda da invencibilidade no Flamengo

Flamengo perdeu pela primeira vez em 2024 nesta quarta-feira (24), diante do Bolívar, em La Paz, e Tite falou um pouco mais sobre o jogo em coletiva

Tite concedeu uma coletiva curta e, de certa forma, pressionada após a derrota do Flamengo para o Bolívar, em La Paz, a primeira em 2024. O treinador foi questionado sobre variações táticas, claro, mas a principal resposta, que o irritou, inclusive, foi falar novamente sobre o desgaste do elenco e os desfalques para a partida da terceira rodada da Libertadores. A tentativa de tranquilizar o torcedor não agradou a todos.

O que Tite disse durante a coletiva?

  • Explicou as variações táticas do Flamengo na partida, entre os três zagueiros e os (muitos) atacantes
  • Não concordou com a pergunta sobre um Victor Hugo mais perdido no time
  • Voltou a explicar que o desgaste do Flamengo vem de uma sequência longa de jogos
  • Elogiou o time do Bolívar, vitorioso em La Paz

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Tite se alia à ciência para justificar desfalques do Flamengo

— A ciência já está há bastante tempo ali, não é nenhuma novidade, está desde o tempo que eu jogava. A quantificação de carga traz atletas que têm essa condição e com todo o suporte que o Flamengo dá. A responsabilidade é minha, porque a definição da equipe é minha, mas eu tenho muita lucidez de não estourar um atleta numa sequência de jogos e perdê-lo na sequência. Aí fica muito fácil. A qualidade técnica começa a se perder, começa a errar passe. Esses são todos os indícios para dar dois. Respeito a pergunta, mas não é nenhuma novidade ciência no futebol, é só procurarmos informações verdadeiras: risco e estratégia. A opção foi em cima disso, e a responsabilidade maior é do técnico, que escala.

Ao prosseguir, ainda na mesma resposta, o treinador citou os diversos aspectos que o jogo contra o Bolívar poderia prejudicar os jogadores poupados. Entre a altitude, a viagem e a sequência de partidas, Tite voltou a tentar tranquilizar o torcedor rubro-negro.

— Vou pegar mais um dado: não sei se a gente repetiu escalação esse ano, então é um indício de que trocas há. O que trouxe o número de trocas excessivo foram dois aspectos: uma sequência de jogos muito grande, que inviabilizou alguns atletas de virem, e um jogo extremamente desgaste porque é na altitude. Outro aspecto é que temos uma viagem de retorno grande com jogo domingo às 11h. Então você olha o planejamento que faz onde joga, onde viaja e como recupera para o próximo jogo. A gente olha um contexto maior. Falo com o maior carinho e o maior respeito com o torcedor — disse.

Tite vai ter pouco tempo para juntar os cacos do Flamengo, pensando no Brasileirão (Foto: Icon Sport)

Bruno Henrique vê altitude “desumana”

Um dos que esteve em campo por toda a partida em La Paz, Bruno Henrique viu um jogo bastante complicado para o Flamengo. O atacante até citou as modificações pelas ausências, mas explicou que a altitude realmente atrapalhou o Rubro-Negro nesta quarta-feira (24).

— A equipe jogou modificada hoje. Libertadores é difícil, na altitude mais ainda. Não estamos acostumados com a altitude, acaba sentindo mais. O fôlego, quando precisa, não vem. É desumano, mas é Libertadores, faz parte — analisou, à TV Globo.

Passando para a zona mista, diversos atletas falaram, como Gerson, Luiz Araújo e Léo Ortiz, mas as aspas mais interessantes ficaram por conta de Rossi e Fabrício Bruno. O assunto foram os gols de bola parada, que vem atormentando o Flamengo nas últimas partidas. Na opinião da dupla, o tempo de bola diferente na altitude dificultou bastante.

— A gente veio com uma equipe modificada. Jogo difícil A equipe deles sabe usar a altitude, sabem o tempo de bola, a bola tem velocidade a mais. Precisamos ter tranquilidade agora, não tem nada perdido. Vamos voltar as atenções ao Brasileiro e depois voltar à Libertadores para os próximos três jogos — explicou Fabrício.

— São coisas do jogo, acho que fizemos um bom trabalho durante a semana, mas o rival também joga. O centroavante deles é muito forte no jogo aéreo. É difícil fazer tudo nessa altitude. Hoje demonstramos que o Flamengo está para brigar, não só na altitude — complementou Rossi.

O próximo desafio do Flamengo será novamente pela Libertadores, nesta quarta-feira (24), quando Tite e companhia visitarão o Bolívar, pela terceira rodada da fase de grupos. A bola rola para o duelo entre os dois líderes do Grupo E a partir das 21h30 (de Brasília), no Estádio Hernando Siles, em La Paz.

Veja outros pontos abordados na coletiva

Por que saiu tão rapidamente dos três zagueiros?

— As características da equipe do Bolívar são as seguintes: eles têm dois externos e infiltrações centrais. Ela utiliza essa coordenação de movimentos. Ideia inicial com linha de cinco era tirar esses jogadores de lado de cruzamento e essas infiltrações centrais com o tripé do meio-campo. Mas nós não estávamos com posse de bola. A gente trouxe o Léo Ortiz para meio-campista, e a equipe começou a se reestruturar.

Mais sobre a ciência

— Pegue uma entrevista ilustrativa do Guardiola que está viralizando toda hora. Ele vai falar de ciência e vai falar de Haaland dizendo que ele fica 24 horas trabalhando para ter uma condição melhor porque perdeu tanto dias. Se não querem ouvir Tite ou Fábio Mahseredjian, ouçam. E vamos ver que não é desculpa, são fatos verdadeiros que temos que avaliar e discutir.

Victor Hugo deslocado? Flamengo abusando dos chutões?

— Victor tenho utilizado nas funções pelo lado, antes no lado no tripé do meio-campo. Tem sido utilizado frequentemente pelo lado. Ela é coerentemente colocada dessa forma. Em determinados momentos você consegue fazer uma saída. E o que mais tinha saída de bola era o David Luiz. E era conduzindo. Não saía lançando, era conduzindo.

Elogios ao Bolívar

— Bolívar está muito bem estruturado e muito bem treinado. Méritos ao seu técnico. Ele tem tido um desempenho assim nos outros jogos. Também em casa ele faz valer o mando com a qualidade e imprimindo um ritmo forte. A gente olha o futebol sob duas perspectivas. Olha a nossa, mas tem que ter o cuidado de não ser egoísta e olhar o outro lado, que tem um bom trabalho.

Foto de Guilherme Xavier

Guilherme XavierSetorista

Jornalista formado pela PUC-Rio. Da final da Libertadores a Série A2 do Carioca. Copa do Mundo e Olimpíada na bagagem. Passou por Coluna do Fla e Lance antes de chegar à Trivela, onde apura e escreve sobre o Flamengo desde 2023.

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