Libertadores

Assistente de Gallardo, Matías Biscay diz que resultado foi justo e comemora decidir no Monumental

Um dos personagens do Superclássico que começou a decidir a Libertadores de 2018 foi Matías Biscay. O assistente técnico de Marcelo Gallardo foi quem comandou o River Plate contra o Boca Juniors na Bombonera, no empate por 2 a 2 entre os dois times no jogo de ida da final. Depois do que aconteceu na Arena Grêmio, um escândalo com Gallardo falando normalmente com a comissão técnica, dando ordens e até indo ao vestiário no intervalo, desta vez o treinador do River sequer foi para a Bombonera e a comunicação foi cortada com inibidores de sinal de celular, o que foi motivo de brincadeira do assistente técnico. Biscay comandou o time à beira do gramado e fez alterações importantes.

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“O resultado é justo. Fizemos as coisas muito bem no primeiro tempo e merecíamos irmos em vantagem. Boca foi vencendo por 2 a 1, mas logo no começo do segundo tempo emparelhou a partida. E, no final, tiveram uma situação muito clara com uma grande defesa de Franco [Armani]”, avaliou o assistente técnico do River, que comandou o time à beira do gramado na Bombonera.

“No intervalo buscamos levantar animicamente os rapazes porque haviam jogado um grande primeiro tempo e o resultado era injusto. Pedi que não se dessem por vencidos e que era preciso insistir em seguir fazendo as coisas como estávamos fazendo então”, afirmou Biscay. “No segundo tempo sentimos o desgaste muito grande que tivemos nos primeiros quarenta e cinco minutos. Além disso, influenciaram a alta humidade, a chuva que caiu neste fim de semana e o gramado alto. O campo estava pesado”, avaliou o auxiliar, que tem sido chamado na imprensa argentina de guarda-costas de Gallardo.

“Tenho muita felicidade pelo grupo de trabalho que formamos todos que trabalhamos na comissão técnico. E também por este grupo de jogadores que se dedicam ao máximo. Estes jogadores impõem condições em qualquer campo, o fizeram em Porto Alegre contra o Grêmio e também no campo do Boca”, ressaltou Biscay.

O River entrou em campo com uma linha de cinco defensores, com três zagueiros centrais, com Lucas Martinez Quarta como surpresa. “Pensamos que podíamos ter uma cobertura melhor no meio-campo tendo cinco na defesa e assim os laterais passavam. A lesão de Pavón fez o Boca se acomodar melhor”, afirmou o auxiliar. “A possibilidade de definir em casa é importante”.

O auxiliar foi perguntado também sobre as substituições, que ajudaram a mudar muito o jogo. Além da escalação surpreendente de Lucas Martinez Quarta, Biscay fez alterações ao logno do jogo que foram importantes. A principal delas foi quando o time perdia por 2 a 1 e ele tirou o zagueiro Martinez Quarta e colocou Ignacio Fernández, melhorando o desempenho do time em campo. “Falamos com [Hernan] Buján. Fomos vendo de acordo com o que acontecia durante a partida. Quando sentimos que tínhamos que mudar, o fizemos”, explicou. “Fico com o funcionamento e a possibilidade de definir na nossa casa”.

Curiosamente, os próprios jogadores se mostraram surpresos com a escalação do zagueiro Lucas Martinez Quarta, que formou uma linha de três zagueiros centrais e de cinco defensores no primeiro tempo. “Recém nos interamos que ia jogar Martinez Quarta na palestra técnica. Nunca havíamos treinado”, afirmou Javier Pinola, outro dos zagueiros.

“Eles têm atacantes de hierarquia, com meio metro de vantagem, podem definir uma partida. Pudemos os controlar bastante bem. Nós também temos atacante que podem desequilibrar, por isso empatamos”, avaliou o outro zagueiro, Jonatan Maidana, que usou a braçadeira de capitão. Leonardo Ponzio, o capitão do time, está machucado, mas deve estar recuperado para o jogo de volta, no dia 24 de novembro, no Monumental.

“Não pude falar com Marcelo [Gallardo] ao terminar a partida… Colocaram inibidores de sinal no vestiário. Parece que veio o FBI…”, ironizou Matías Biscay, sobre a comunicação com o treinador, alvo de polêmicas e de punição amena depois do jogo contra o Grêmio. A medida não foi brincadeira: Conmebol e Polícia Federal da Argentina trabalharam para evitar que acontecesse novamente a comunicação entre comissão técnica do River e Gallardo, que desta vez não ficou sequer no estádio – assistiu à partida na sede do clube, no Monumental.

Ao final do jogo, Gallardo saiu à janela do Monumental, onde estavam alguns torcedores, que cantaram: “de la mano del Muñe/vamos a ganhar/y las vuelta vamos a dar/” (“pela mão de Muñe [apelido de Gallardo]/vamos ganhar/e a volta vamos dar”, em referência à volta olímpica do título). O técnico acenou da janela e cantou junto com torcedores, como se estivesse na arquibancada. Será uma partida para lá de esperado.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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