América do Sul

Já viu esse filme? Torcida chilena é criticada por sua frieza, e pelos próprios jogadores

O Chile teve uma das torcidas mais fantásticas na Copa do Mundo de 2014. Os fanáticos por La Roja invadiram o Brasil e se fizeram bastantes presentes nos quatro jogos da equipe na campanha – inclusive contra os donos da casa, no Mineirão. Torcedores de clube, que somavam na arquibancada suas paixões pela seleção. Nesta Copa América, no entanto, os chilenos sofrem uma crítica parecida com a feita aos brasileiros durante o Mundial. As reclamações são contra a frieza da torcida da casa. E não vem apenas da imprensa local, mas dos próprios jogadores da seleção, que sentiram isso nos dois primeiros jogos em Santiago.

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Assim como aconteceu durante a Copa de 2014, os torcedores chilenos dão espetáculo antes das partidas, com o hino nacional cantado à capela. Mas o apoio não dura muito além dos primeiros minutos. O silêncio tem ficado evidente em muitos momentos, assim como as vaias. E, embora tenha conquistado quatro pontos nas duas primeiras partidas, a seleção de Jorge Sampaoli ficou devendo um pouco, especialmente diante das enormes expectativas criadas sobre o time. Como, por exemplo, por aquilo que fizeram no próprio Mundial.

“Não é normal que jogando em casa as pessoas vaiem ou fiquem caladas. Há muito silêncio em alguns instantes. Não é um mal estar meu, é generalizado. Há vezes em que os torcedores mudam os rumos de um jogo e te tiram dos momentos difíceis. Quando as coisas não saem bem, é quando mais precisa apoiar a partida”, afirmou Claudio Bravo, em mensagem bastante direta para os torcedores chilenos.

E a reclamação dos chilenos vai além. Desde a preparação do time para a Copa América os jogadores se queixaram, entre eles Alexis Sánchez, após a vitória no amistoso contra El Salvador: “O Chile ganhou respeito a nível mundial. Mas a ansiedade não tem que jogar contra a gente. Quero pedir às pessoas que torçam pela gente. Outro dia jogamos em Rancagua e nem parecia que estávamos no Chile, estava tudo em silêncio. Os jogadores se motivam com as arquibancadas, em campo somos 12, não 11”.

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Olhando para o contexto geral, o descontentamento dos torcedores pode ir muito além da própria seleção. O momento político do Chile também é delicado, diante dos casos de corrupção que fizeram a popularidade da presidente Michelle Bachelet despencar. Tanto que as ruas do país recebem protestos colocando pressão sobre a crise vivida no Palácio de La Moneda. De certa maneira, o que se vive fora das arquibancadas também pode afetar o que acontece dentro delas.

O Chile ainda faz um jogo na primeira fase, contra a Bolívia, com a classificação praticamente assegurada. Um jogo para colocar ordem na casa e reconquistar a confiança da torcida. Porque o apoio será ainda mais necessário a partir dos mata-matas. E, pelo que já apresentaram no Brasil durante a Copa do Mundo, os chilenos realmente podem influenciar o time de Sampaoli, especialmente em um estilo de jogo que depende demais da energia e da intensidade. A motivação vinda pelo barulho das arquibancadas pode ter seu efeito positivo.

Abaixo, o hino do Chile, o momento mais “quente” da torcida na Copa América:

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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