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Itália vence Uruguai na prova de resistência de Salvador

Jogando a sua segunda prorrogação em quatro dias, a Itália se arrastou, mas levou o terceiro lugar na Copa das Confederações depois de um empate por 2 a 2 com o Uruguai no tempo normal e na prorrogação. O jogo disputado no calor de Salvador às 13h foi melhor do que o esperado, mas o cansaço ficou evidente. Cavani novamente foi um destaque uruguaio, mas a Itália conseguiu dois gols com participação de Diamanti. Os italianos deixam a Copa das Confederações mais fortalecidos por sentirem que podem disputar com outras grandes seleções do mundo, como a própria Espanha. O Uruguai mostra que a geração está envelhecida, mas que ainda dá um caldo e tem força suficiente para vir à Copa em 2014.

O jogo teve aquele ritmo tradicional de churrasco. Com a partida começando às 13h, era de se esperar que assim fosse. A Itália, cansada após uma semifinal desgastante com a Espanha, poupou alguns dos seus jogadores, como Pirlo, Brazagli e Marchisio. O Uruguai foi mais completo para o jogo, embora também tenha feito mudanças, como a entrada de Gargano no lugar de Pérez.

Apesar do horário e do calor de Salvador, o jogo foi animado. Sem a tensão da semifinal, o jogo ficou mais solto e os dois times chegaram ao ataque, especialmente a Itália no primeiro tempo. As descidas de De Sciglio foram perigosas e Candreva e Diamanti foram perigosos. No Uruguai, Forlán era quem mais tentava, tanto criando quando chegando ao ataque. Mas foi em um lance de bola parada que surgiu o primeiro gol do jogo, da Itália. Diamanti cobrou falta na lateral do gramado direto para o gol, Muslera viu a bola bater na trave e nas suas costas e Astori só empurrou para a rede.

Se no primeiro tempo a Itália foi ligeiramente melhor, no segundo o Uruguai cresceu. Muito também pelo enorme desgaste dos italianos, que pareceram sentir muito. O time ficou em ritmo lento, enquanto os uruguaios tentavam chegar e empatar o jogo. O empate charrúa veio quando a defesa italiana entregou e Cavani aproveitou. O gol da Itália, de falta, foi desses que mostra sorte de quem o faz. Mas logo a sorte virou e o Uruguai também conseguiu um gol assim, mantendo o jogo em igualdade no placar.

O Uruguai só tinha conseguido vencer uma disputa de terceiro lugar uma vez, na Copa América de 2004, ao vencer a Colômbia. Perdeu em 2001 para Honduras e 2007 para o México. Em Copas, o Uruguai decidiu o terceiro lugar três vezes: 1954, quando perdeu da Áustria, em 1970 perdeu da Alemanha Ocidental e em 2010 perdeu da Alemanha. Em 1997, perdeu a decisão do terceiro lugar da Copa das Confederações para a República Tcheca. Tentava a sua segunda vez.

O Uruguai tinha mais pernas, mas as mudanças de Prandelli tiveram um bom efeito na seleção Azzurra, que melhorou sensivelmente. O jogo continuou arrastado, com o Uruguai sem conseguir aproveitar o melhor estado físico. O jogo foi para a prorrogação, o que parecia ser algo que ninguém queria. Ainda mais a Itália, que tinha jogado uma prorrogação contra a Espanha.

Na prorrogação, só o Uruguai jogou, praticamente. Os italianos não tinham mais condição física. Os uruguaios, mesmo cansados, pareciam menos desgastados e criavam uma ou outra chance. Suárez perdeu uma boa chance ao ser lançado em velocidade e, em vez de chutar, tentar cavar um pênalti. Cavani tentou, mas também não conseguiu. O Uruguai não forçou para conseguir o terceiro lugar, e poderia ter feito.

Nos pênaltis, Forlán abriu as cobranças perdendo o pênalti. Bateu mal, jogou no meio e o goleiro italiano segurou. Aquilani marcou a sua cobrança, assim como Cavani, mantendo a disputa aberta. El Shaarawy e Luis Suárez também acertaram. De Sciglio bateu mal e perdeu, mas Cáceres em seguida também perdeu. Giaccherini marcou e deixou tudo para o Uruguai. Gargano foi mal, Buffon defendeu e a Itália ficou com o terceiro lugar. O Uruguai segue sem conseguir ficar em terceiro em competições da Fifa.

O Uruguai agora se concentra na sua disputa nas eliminatórias da Copa do Mundo, em setembro, quando jogará com o Peru. Precisa vencer para ficar mais tranquilo. A Itália deve garantir a sua classificação com muito mias tranquilidade, já nas próximas rodadas das eliminatórias.

Destaque do jogo

Cavani novamente foi muito bem pelo Uruguai. Se contra o Brasil surpreendeu pela dedicação enorme à marcação, neste jogo ele foi o autor de dois gols, além de ter participado bem do jogo.

Momento-chave

Na prorrogação, Tabárez poderia aproveitar o melhor estado físico do seu time para tentar definir. Não fez isso. A Itália se arrastou em campo e acabou levando nos pênaltis.

Os gols

28’/1T: GOL DA ITÁLIA!
Diamanti bateu falta no lado direito e mando direto para o gol. Muslera se atrapalhou, a bola bateu na trave, no goleiro uruguaio e Astori ainda completou.

13’/2T: GOL DO URUGUAI!
Um erro ridículo da saída de bola da Itália. Astori e Maggio se atrapalharam e erraram tudo. Gargano ficou com a bola, avançou como um meia e fez o passe para Suárez, mas foi Cavani que bateu colocado para marcar o gol de empate.

28’/2T: GOL DA ITÁLIA!
Em cobrança de falta na meia lua, Diamanti bateu muito bem, sem chances de defesa para Muslera. Desta vez foi dele mesmo o gol.

33’/2T: GOL DO URUGUAI!
Em cobrança de falta de longe, Cavani bateu bem por cima da barreira, o goleiro Buffon estava mal posicionado e não alcançou. Golaço do uruguaio.

Curiosidade

O primeiro jogo entre as duas seleções foi na Olimpíada de 1928, em Amsterdã. O Uruguai, então campeã olímpico, venceu os italianos na semifinal por 3 a 2 e abriu caminho para a decisão da medalha de ouro contra a Argentina – que venceria, depois de empatar o primeiro jogo por 1 a 1 e vencer o segundo por 2 a 1.

Ficha técnica

URUGUAI 2X2 ITÁLIA

Uruguai_escudo Uruguai
Fernando Muslera; Maxi Pereira (Álvaro Pereira, 36’/2T), Diego Lugano, Diego Godín e Martín Cáceres; Walter Gargano, Arévalo Ríos (Diego Pérez, 2’/2ET) e Cristian Rodríguez (Álvaro González, 11’/2T); Diego Forlán, Luis Suárez e Edinson Cavani. Técnico: Oscar Tabárez
Italia_escudo Itália
Gianluigi Buffon; Christian Maggio, Davide Astori (Leonardo Bonucci, 5’/1TP), Giorgio Chiellini e Mattia De Sciglio; Daniele De Rossi (Alberto Aquiliani, 25’/2T), Riccardo Montolivo e Antonio Candreva; Alessandro Diamanti (Emanuele Giaccherini, 37’/2T) e Stephan El Shaarawy; Alberto Gilardino. Técnico: Cesare Prandelli
Local: Estádio Fonte Nova (Salvador-BRA)
Árbitro: Djamel Haimoudi (AGL)
Gols: Edinson Cavani, 13’/2T e 33’/2T (Uruguai), Davide Astori, 28’/1T, Alessandro Diamanti,
Cartões amarelos: Maxi Pereira, Luis Suárez (Uruguai), Riccardo Montolivo, Giorgio Chiellini (Itália)
Cartões vermelhos: Riccardo Montolivo, 5’/2TP (Itália)

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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