Fim de um ciclo

Acabou. Mesmo fazendo uma grande partida diante do poderoso Boca Juniors, a Universidad de Chile não conseguiu marcar gols e se despediu da Copa Libertadores em uma semifinal pela quarta vez na história. O fim da linha no torneio provavelmente também é o fim do time que encantou a América com seu futebol intenso, ofensivo e, em diversos momentos, irresistível. Não que La U vá perder o protagonismo no cenário continental e principalmente no chileno, mas parece claro que o treinador Jorge Sampaoli tirou o máximo de cada um de seus jogadores, assim como parece claro não haver nenhuma evidência de que o time que vem por aí será melhor do que este e, sobretudo, melhor que o do ano passado.
Começando pela saída de Marcelo Díaz, que foi vendido ao Basel, da Suíça. O volante/meia se tornou o principal jogador da Universidad de Chile após a saída de Eduardo Vargas para o Napoli. Com seus lançamentos precisos, chutes de fora da área e habilidade extraordinária de leitura de jogo, Díaz foi o símbolo desse time que marca intensamente, ataca intensamente e troca passes de maneira veloz e objetiva. Sua saída marca o fim deste ciclo. Um ciclo que começou a se esfacelar justamente após o momento de glória da equipe: o título da Copa Sul-Americana de 2011.
Naquele torneio a Universidad de Chile mostrou sua melhor versão sob o comando de Sampaoli. Armada no 3-4-3, La U atropelava seus adversários com marcação sob pressão, roubadas de bola no campo de ataque, jogadas de velocidade, passes curtos e rápidos, dribles em direção ao gol e até mesmo competência na bola parada. No gol, Johnny Herrera era protegido pelo entrosado e complementar trio formado por Osvaldo González, Marco González e Pepe Rojas. Nas laterais/alas os rápidos e técnicos Eugenio Mena, pela esquerda, e Mathias Rodríguez, pela direita, promoviam blitze ofensivas e recomposição constante na defesa. No meio, Charles Aránguiz, Marcelo Díaz e, eventualmente, Gustavo Lorenzetti, eram encarregados de armar e marcar, enquanto na frente os rápidos e habilidosos Eduardo Vargas, Francisco Castro e, novamente, Lorenzetti em algumas ocasiões, abriam espaços nas defesas adversárias, seja com dribles, arrancadas ou tabelas com o pivô Gustavo Canales.
A merecida conquista invicta – 10 vitórias e 2 empates, com direito a triunfos contra Flamengo, Vasco e LDU – fez com que os olhos do mundo inteiro se voltassem para aquele time, que somou mais de 30 jogos sem derrota. Ao final do torneio, além de Vargas, Marco González e Gustavo Canales deixaram o clube. A espinha dorsal do time foi então desfeita e as peças de reposição que chegaram não estiveram à altura das que saíram. Para a zaga a única contratação foi a do equatoriano Eduardo Morante, que se machucou e ainda não pôde estrear pela equipe. Por causa disso, Sampaoli teve que improvisar o volante Acevedo na posição. Mais baixo, mais lento e menos familiarizado com a função de líbero, o camisa 5 de La U alterou substancialmente o desempenho defensivo da equipe, que em poucos momentos de 2012 foi capaz de pressionar e manter uma defesa organizada simultaneamente.
No ataque, La U bem que tentou achar um 9, mas acabou trazendo apenas os velozes jogadores de lado de campo Junior Fernandes, 23 anos, e Raul Ruidiaz, 21 anos. Sem opções, Sampaoli foi obrigado a modificar o jeito de a equipe jogar, escalando o baixinho e técnico Lorenzetti como falso centroavante. Além de perder uma opção de armação de jogadas, a mudança também tirou de La U a capacidade das jogadas de pivô e cabeceios que Canales dava. Ao mesmo tempo, nem Fernandes, nem Angelo Henríquez, jovem de 18 anos já vendido ao Manchester United, e muito menos Francisco Castro conseguiram dar o toque de qualidade e o poder de decisão que outrora eram de Eduardo Vargas.
Some-se a tudo isto o fato de La U ter uma equipe muito jovem, com média de idade de 24 anos, um jogo coletivo menos apurado e um banco de reservas com pouquíssimas opções capazes de alterar o rumo de uma partida e temos um time mais fraco e menos competitivo do que aquele de 2011. Mesmo assim Sampaoli manteve sua filosofia de futebol, tirou o máximo de cada uma de suas peças, conseguiu colocar a Universidad de Chile entre os quatro melhores da América do Sul e por muito pouco não foi além… O petardo de Díaz no travessão… A cabeçada de Henríquez na mão de Orion… A defesaça do arqueiro em outro chute de Díaz e na testada de Fernandes… Faltou pouco. Um pouco que talvez pudesse ser entregue por Vargas, Canales e González, ou por outros jogadores com a mesma habilidade.
Vale dizer: além da venda de Díaz, há rumores sobre uma possível contratação de Aránguiz pelo Bayer Leverkussen, de Lorenzetti pelo Cruzeiro e outros interessados da América do Sul, e da própria saída do mentor deste time: Jorge Sampaoli. Os boatos dão conta de que ele assumiria o River Plate na segunda metade do ano. Caso isso aconteça os chilenos perdem sua principal estrela e maior força, já que dificilmente estes jogadores renderiam tanto nas mãos de outro treinador.
No curto prazo La U ainda tem duas decisões: precisa reverter um 2 a 0 sofrido para o Colo Colo para seguir com chances no Apertura chileno e pode se tornar campeã da Recopa Sul-Americana contra o Santos. Nenhuma das conquistas, porém, será capaz de apaziguar o coração dos que sonhavam com a Libertadores, ou de frear o desmanche de uma das melhores equipes do futebol sul-americano dos últimos tempos.
De qualquer forma nada apagará os feitos deste time. Mais do que um título continental, a Universidad de Chile fez sonhar. Fez pensar… Fez deleitar fãs do futebol ofensivo em uma era de pragmatismo e medo da derrota. Honrou seu passado, projetou seu futuro… Foi sincera com sua filosofia de jogo todo o tempo, mesmo que isso possa ter significado sua ruína. Em suma… Fez história.
Mais chilenas
– Em jogo sem torcida o Colo Colo fez 2 a 0 nos titulares de La U, que agora precisam pelo menos de uma vitória semelhante. Se as duas equipes ficarem com o mesmo número de gols no placar agregado, dá Universidad de Chile, devido ao desempenho na fase de todos contra todos.
– O vencedor do clásico del fútbol chileno vai enfrentar o ganhador de Unión Española e O’Higgins. No primeiro jogo deu Unión: 1 a 0.
Uruguaias
– O Nacional venceu o Defensor Sporting nas “semifinais” do Uruguaio e faturou o título da temporada no país. O bicampeonato veio com a marca daquele que foi o principal jogador do Bolso na temporada: Álvaro Recoba. Foi dele o gol que deu a vitória do Nacional contra La Violeta. Um golaço, por sinal. O título também consagrou o agora técnico Marcelo Gallardo, que em 2011 havia vencido como jogador do clube de Montevidéu.
– Gallardo, porém, renunciou à direção técnica do Nacional. O treinador alegou falta de tempo para a família e deixou o Bolso. A diretoria trabalho com nomes como Gerardo Pelusso, atualmente no Olimpia, e Gustavo Díaz, do Defensor Sporting, mas ainda não tem nada concreto com nenhum deles.
Equatorianas
Briga quente pelo título do Primera Etapa do Equador. Faltando três rodadas para o final do torneio, ao menos seis times têm chances reais de título. O fim de semana foi marcado por tropeço dos ponteiros, de maneira que a tabela ficou da seguinte forma: o Barcelona tem 34 pontos, depois de perder para o El Nacional por 1 a 0. O Independiente del Valle tem 33, após empate em 1 a 1 com a LDU, que tem 30 pontos e é a quinta colocada. A Liga de Loja também tem 33 depois de ter ficado no 1 a 1 com o Macará. O Emelec é o quarto, com 31, após derrota por 2 a 1 para o Deportivo Quito. Já o Deportivo Cuenca é o sexto, com 30 pontos, mesmo tendo perdido por 1 a 0 para o Olmedo.
Paraguaias
– Clima quente também no Paraguai… Dentro e fora de campo. A ameaça de impeachment contra o presidente Fernando Lugo fez a Federação de Futebol cancelar a rodada deste fim de semana. Já dentro de campo a briga segue boa pelo título do Apertura.
– O Olimpia tropeçou ao empatar em 0 a 0 com o Tacuary, mas se beneficiou da derrota do Cerro Porteño, que perdeu por 2 a 1 do Libertad. Faltando quatro rodadas para o fim do campeonato, o Olimpia tem 41 pontos ante 37 do Cerro. O Libertad tem 34.
Colombianas
– Na Colômbia seguem as liguillas para definir os dois finalistas do Apertura. No grupo A a liderança está com o Deportivo Pasto, que bateu o Tolima por 1 a 0 e que com isso chegou a quatro pontos em dois jogos. Na segunda posição, também com quatro pontos, está o Deportivo Cali, vencedor do confronto contra o Huila.
– Na chave B o Santa Fe empatou em 2 a 2 com La Equidad e também atingiu quatro pontos. A ponta é dividida com o Itagüí, que venceu o Boyacá Chicó por 1 a 0.
– Estão definidas as oitavas de final da Copa da Colombia:
Atletico Nacional x Santa Fe
Tolima x Itagüí
Boyacá Chicó x Deportivo Cali
Bogotá x Cúcuta
Uniautónoma x Atlético Bucaramanga
América de Cali x Valledupar
La Equidad x Junior
Deportivo Pasto x Once Caldas
Peruanas
– No arrastado Descentralizado, a Universidad César Vallejo segue na ponta. A equipe ficou no 0 a 0 com a Universidad San Martín e chegou aos 33 pontos em 16 jogos. A segunda posição está com o Real Garcilaso, que chegou a 32 pontos depois de vencer a Unión Comércio. As duas equipes se destacaram das demais. Na sequência da tabela aparecem Sporting Cristal, com 26, Juan Aurich, também com 26, Melgar, com 25, León de Huánuco, com 24, e Inti Gas, também com 24.
Venezuelanas
– No período de janela de transferências, o Mineros de Guayana saiu na frente. A equipe acertou o empréstimo do atacante Giancarlo Maldonado por seis meses. Maldonado pertence ao Atlas do México e é presença constante nas convocações para a seleção da Venezuela.



