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Esqueça a fraqueza do Danubio: esse foi o grande jogo do Corinthians 2015 até agora

Já são 19 jogos de invencibilidade na temporada, mas foi justamente nesta 19ª partida que o Corinthians chegou à sua melhor forma. A vitória por 4 a 0 sobre o Danubio teve o mesmo placar que a goleada sobre o Once Caldas e que o triunfo do São Paulo contra os próprios uruguaios, mas não dá para colocar as três partidas no mesmo patamar. A atuação corintiana na noite desta quarta-feira foi o ápice do time nesses dois meses de trabalho, sobretudo pela intensidade que apresentou.

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“Intenso” já vinha sendo um ótimo adjetivo para classificar o Corinthians versão 2015, mas a equipe levou isso a um outro nível contra o Danubio, em Itaquera. A estratégia de outras partidas, de pressionar nos minutos iniciais em busca de um gol precoce se repetiu, mas não deu tão certo, e o placar foi inaugurado apenas aos 27, com cobrança de falta de Jádson. Após o gol do meia, no entanto, o time não se posicionou de forma muito recuada, a espera de contra-ataques (uma atitude recorrente e que merece críticas). Até mesmo pela fragilidade do adversário, isso não era necessário. A marcação acontecia no campo de defesa dos uruguaios, de maneira organizada, pesada. Povoando o terço final do campo, tomando a bola e envolvendo o oponente com toques rápidos e precisos.

Quando teve a chance, o Corinthians foi a equipe reativa dos confrontos anteriores, retomando a posse e arrancando para o contra-ataque, como no segundo gol, o primeiro de Guerrero, após cruzamento de Elias.

O terceiro gol, uma pintura do peruano, aconteceu mais pela desatenção da defesa do Danubio. Talvez o time não esperasse que, logo nos primeiros segundos da etapa complementar, o Corinthians se lançasse ao ataque de forma tão rápida. Um chutão de Felipe encontrou Guerrero, que ajeitou para Renato Augusto. O meia teve espaço de sobra para pensar no que fazer, abriu com Emerson, que cruzou para finalização de extrema técnica do camisa 9.

Conforme o tempo passava, o time uruguaio ia perdendo a cabeça e tentava desestabilizar os jogadores corintianos. No primeiro tempo, Elias sofrera injúria racial de González e, mesmo revoltado, fez de tudo para manter-se ligado no jogo. Os atos racistas foram o maior, mas não o único incômodo causado pelos atletas do Danubio. O principal artifício do time foi abusar das jogadas mais ríspidas.

Em bola parada levantada por Jádson, Guerrero, caído, completou para o gol, chegando pela primeira vez à marca de três gols em um só jogo pelo Corinthians. O tento que fechou o placar veio quando ainda restava 25 minutos para o fim da partida, e mesmo o resultado largo não diminuiu o ritmo do time. Pelo contrário, aumentou. Entre o gol do peruano e o apito final, a equipe passou um bom tempo no campo de ataque, seja marcando a saída do Danubio ou envolvendo o adversário com passes curtos, rápidos. Nos acréscimos do segundo tempo, por exemplo, o time ainda criava chances reais de gol. O placar poderia ter sido ampliado, mas Torgnascioli, goleiro dos uruguaios, conseguiu impedir uma goleada maior.

Por mais fraco que seja o Danubio, o Corinthians fez seu jogo e teria feito mais gols se  não tivesse desperdiçado algumas oportunidades por puro preciosismo, pela falta de confiança de Elias em seu pé esquerdo ou pelo relaxamento de quem sobra em campo. A desatenção na hora de defender bolas levantadas na área ainda é um problema a ser resolvido, por exemplo, e pode custar resultado contra times significativamente mais letais que o Danubio. No entanto, a impressão é de que, se o grande jogo da temporada chegasse agora, os comandados de Tite estariam preparados para ele.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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